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Setembro Amarelo: conheça o CVV que atua há 58 anos salvando vidas

O CVV tem sido ferramenta fundamental no combate ao suicídio por muitos anos.

Por falar em setembro amarelo, vamos falar do CVV, que atua há 58 anos salvando vidas! E setembro é o mês de sensibilização à prevenção do suicídio, um mês dedicado a falar sobre formas de evitá-lo e como ajudar pessoas que pensem em tirar a própria vida. O Saúdelab não poderia ficar de fora desta discussão.

No mundo,  mais pessoas morrem por suicídio do que todos os acidentes, homicídios, desastres naturais e guerras somados. Isso é, quase um milhão de pessoas morrem por suicídio a cada ano. E outros milhões que choram e lamentam a perda de seu ente querido.

O suicídio é o tipo de morte mais evitável com educação, recursos, intervenção e alcance é possível ajudar crianças e adultos que lutam contra a tristeza, desesperança e desespero vertiginosos a encontrar a ajuda de que precisam.

CVV — Centro de Valorização da Vida

O CVV atende por telefone e através do site
(Imagem: Divulgação)

O CVV — Centro de Valorização da Vida, foi fundado em São Paulo, em 1962, e é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal, desde 1973. Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.

Os contatos com o CVV são feitos pelos telefones 188 (24 horas e sem custo de ligação),  pessoalmente (nos mais de 120 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br, por chat e  e-mail. Nestes canais, são realizados mais de 2 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 3.400 voluntários, localizados em 24 estados mais o Distrito Federal.

Saúde Pública

“O suicídio é considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública, tirando a vida de uma pessoa por hora no Brasil, mesmo período em que outras três tentaram se matar sem sucesso”, informa o CVV.

“Trata-se de um problema que se pode prevenir na grande maioria das vezes e esse é um dos nossos maiores esforços. O estudo e a discussão do tema suicídio é uma das formas mais eficientes de se promover a prevenção, pois esta só é possível quando a população, os profissionais da saúde, os jornalistas e governantes têm informações suficientes para conduzir as medidas adequadas e ao seu alcance nessa frente”, arremata.

“Conversas com as atendentes do CVV me ajudaram a entender quem eu era”

“Quando adolescente, eu me sentia muito só, apesar de ainda morar com meus pais. Infelizmente nesta época meu pai era alcoólatra e gastava à noite, o pouco que ganhava durante o dia, em uma oficina mecânica de autos.

Minha mãe sempre, desde que me conheço por gente, cuidou do lar. Meu irmão mais velho (dois anos) mais ficava fora de casa do que morava conosco. Ora na casa de algum parente, ora na casa de seus inúmeros colegas de serviço.

Eu, me sentindo o patinho feio desta parte da família, me reprimia cada vez mais vivendo em meu mundo que não passava do meu quarto e a escola. Nem mesmo no trabalho eu tinha amigos e, por várias vezes, me irritava com facilidade quase chegando as vias de fato (brigas com agressões).

CVV já fez mais de 2 milhões de atendimentos (Imagem: Filmbros)
CVV já fez mais de 2 milhões de atendimentos (Imagem: Filmbros)

Meu pai possuía um revólver (legalizado) que guardava em seu criado mudo. Desde pequenos, eu e meu irmão, fomos educados a não mexer na arma a não ser em um caso de defesa de nossas vidas e de minha mãe, por exemplo, durante um assalto.

Na época a depressão e a falta de com quem conversar, me fez afundar dentro de mim mesmo cada vez mais. Me sentia um verdadeiro “lixo”. Um estorvo. Gradativamente minhas notas escolares despencaram e, das matérias que já não tinha afinidade, foram piorando a ponto de ficar em recuperação.

Por algumas vezes liguei no CVV. Passava ao retornar de ônibus do trabalho todos os dias por lá e vi o número de telefone escrito na parede. Numa noite de muitos devaneios e vaga noção de como acabar com minha própria vida decidi ligar.

Não me lembro ao certo o nome da atendente, porém ela me disse que se eu quisesse ela poderia somente me ouvir, que era normal, como já havia pesquisado, muitas pessoas ligarem e se calarem, apenas para sentir a presença de uma outra pessoa do outro lado da linha. Pedi conselhos de como me aproximar mais das pessoas que acreditava poderem me ajudar a sair do fundo do poço.

Meu estado de depressão foi um momento de reflexão ao meu ser mais íntimo. De descoberta de quão eu acreditava me sentir sozinho, no meio de muitas pessoas, de não ser compreendido ou notado, de como sempre achava que estavam me boicotando ou me deixando de lado.

Felizmente, através das conversas junto aos atendentes do CVV comecei a tomar ciência que eu mesmo poderia mudar minha vida. Agarrando-me com unhas e dentes a fé de que dias melhores viriam. Comecei a me esforçar por mim mesmo, não para ser notado pelos demais.

Voltei, pouco a pouco, a ter amor próprio e, graças a Deus, consegui dar a volta por cima. Nunca mais tive crises agudas de depressão. Ondas de pessimismo ainda tomam conta de minha vida às vezes, porém hoje, mais maduro, consigo me equilibrar emocionalmente mais rápido e nunca mais pensei em atentar contra a minha vida.” (M.C.T., 46 anos).

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