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Hospital de campanha de Belo Horizonte que custou mais de R$ 5 milhões tem sua desmontagem anunciada

Na quarta-feira (09/09), Mateus Simões, secretário-geral do estado de Minas Gerais, anunciou que o hospital de campanha em Belo Horizonte será desmontado. Sua construção se deu para servir como suporte de atendimento ao longo da pandemia da COVID-19, entretanto, nunca funcionou.

A desmontagem do local vem sendo discutida desde o começo do mês de agosto, mas dependia de outras questões.

O Governo estava aguardando os índices reais de segurança e ocupação hospitalar da capital e região metropolitana. Assim, como esses números se mantiveram estáveis nos últimos quinze dias, o hospital de campanha será desmontado em sua estrutura física.

Segundo informações passadas por Simões, os equipamentos serão repassados para a rede hospitalar de Minas Gerais, a Fhemig. Dessa forma, nada do que não foi usado será perdido.

Leia mais: Alta nos preços em Belo Horizonte força pessoas a economizarem como podem

Investimento “perdido” no hospital de campanha em Belo Horizonte

Com as instalações montadas no Expominas há quatro meses, o hospital de campanha em Belo Horizonte teve um custo acima de R$ 5 milhões. A média de gastos por mês, mesmo sem funcionamento, não tendo atendido nenhum paciente, foi de R$ 500 mil, ou mesmo R$ 15 mil diários.

Leitos eram destinados para enfermaria e recuperação, mas não eram de UTI
Leitos eram destinados para enfermaria e recuperação, mas não eram de UTI (Imagem: Reprodução/Pedro Gontijo)

Segundo o Tribunal de Contas, esse dinheiro que foi gasto proveio dos recursos recebidos de eventos relacionados a desastres sócio-ambientais. Mas muitos consideram que se tratou mesmo de “desperdício” do dinheiro público.

Com o valor investido seria possível adquirir cerca de  8 mil RT-PCR, que são os testes recomendados para se detectar a infecção pelo novo Coronavírus. Além disso, o valor também cobre os custos de 800 diárias em uma UTI, a compra de aproximadamente 40 respiradores, entre outras coisas.

Nada de UTI’s

Belo Horizonte, quando ocorreu o pico pandêmico, chegou a ter os leitos de UTI’s quase 100% ocupados.  No momento, esse percentual vem girando entre 50% e 60%. Esse gargalo quanto às internações, acabou gerando uma enorme preocupação em meados de junho e também no mês de julho.

Confira também: Cervejaria Backer: MPMG apresenta denúncia e levanta o questionamento sobre esse tipo de intoxicação

Nessa mesma época foi confirmado que Minas Gerais foi o estado com menor taxa de realização de testes em todo o Brasil. Há notícias de que vários pacientes também tiveram dificuldades em conseguir vagas em leitos de UTI, sendo que, infelizmente, algumas faleceram nesta ocasião.

Contudo, independentemente de qualquer outra análise de pertinência, o hospital de campanha em Belo Horizonte não evitaria o gargalo, pois sua estrutura não oferecia leitos apropriados para uma terapia intensiva.

Investimento foi de mais de R$ 5 milhões entre recursos privados e públicos
Investimento foi de mais de R$ 5 milhões entre recursos privados e públicos (Imagem: Reprodução/Pedro Gontijo)

As críticas quanto aos 740 leitos para enfermaria e 28 para estabilização vieram de especialistas na área da saúde. A necessidade real, afirmam esses profissionais, na verdade, era de um investimento em exames clínicos, de imagem, qualificação profissional e reestruturação dos hospitais da capital e região metropolitana.

Foram, ao todo, dois meses com o hospital de campanha em Belo Horizonte fechado na prática. Pois mesmo depois de inaugurado não recebeu nenhum paciente.

A explicação do Governo está em suas próprias condições impostas, uma vez que, tecnicamente, só receberia pacientes contaminados com o Covid-19 se um dos hospitais da Fhemig, Júlia Kubistchek ou Eduardo de Menezes solicitassem. Como isso não aconteceu, o local permaneceu fechado.

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Andreia Eliza de Souza
Redatora, amante de livros, artes e culinária. Apaixonada por redação publicitária e jornalística, trabalho na área há anos, me dedicando ao universo político e feminino.

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