A comida como válvula de escape: a saga do “comer emocional”

O comer emocional pode afetar o processo de perda de peso, Entenda mais sobre o problema

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Comer emocional
Entenda os motivos de se comer por compulsão. Foto: Envato

Você sabia que buscar satisfação própria na comida,usá-la como válvula de escape, ainda mais durante a quarentena, pode significar uma busca por saciedade emocional? Entenda o que significa “Comer emocional”, nesta entrevista do SaúdeLab com a metabologista, endocrinologista e nutróloga Fernanda Gomes de Melo.

Ninguém come só para satisfazer a fome física. A maioria de nós busca comida também quando quer um conforto, quando está ansioso ou estressado, ou quando quer se recompensar (Quem nunca foi atrás de um chocolate gostoso “porque eu mereço” que atire a primeira pedra).

A nutróloga explica que, nestes casos, por comermos pelo estímulo de emoções, o mais comum é escolhermos alimentos doces, gordurosos, mais calóricos e menos saudáveis. Esse comportamento é conhecido como comer emocional.

Não é exclusividade dos seres humanos: estudos científicos com ratinhos submetidos a stress mostrou que nessas condições eles tendem a comer até 30% a mais.

Comer emocional

O comer emocional é uma maneira de usar a comida como uma espécie de resposta a emoções, quer sejam sentimentos positivos (euforia, alegria), ou principalmente, sentimentos negativos (tristeza, ansiedade, medo, decepção).

“Aqui, diferentemente do comer emocionado, a comida tende a ser consumida sem planejamento, de forma voraz, e normalmente associada a uma forte sensação de descontrole, o que pode desencadear ciclos de comer emocional, culpa e mais comer emocional”, explica a especialista.

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“Comer em resposta a emoções negativas é um importante fator de risco de ganho de peso, obesidade e recuperação do peso perdido depois de um programa de emagrecimento de sucesso”, explica Fernanda. “Episódios de comer emocional podem vir acompanhados de certas características, entre os quais o comer em grandes quantidades e de forma voraz, sendo seguidos por fases de culpa ou remorso”.

Aprenda como desligar-se do comer emocional (Imagem:
Aprenda como desligar-se do comer emocional (Imagem: Polina Tankilevitch)

A compulsão por comer na pandemia

A médica explica que a pandemia, com todo o stress associado e a quarentena, pode nos levar a sentir desde emoções levemente desconfortáveis, como tédio e chateação, assim como outras que são muito ruins, como angústia, aflição e medo.

E ainda isolamento físico, sensação de descontrole e falta de perspectiva sobre até quando essa situação continuará podem ser gatilhos para vários destes sentimentos ruins.

Sentir algumas ou até grande parte dessas coisas durante a quarentena pode ser inevitável. “É ilusão imaginar que, em algum momento durante um período prolongado como esse de isolamento, insegurança, medo e luto, não sejamos acometidos por tédio, desânimo e tristeza”.

“O que podemos cuidar para prevenir é que esses sentimentos desagradáveis ou ruins se tornem em gatilhos para o comer emocional”. Para evitar, é importante criar estratégias de organização alimentar e de prevenção do comer emocional:

Identificar os gatilhos, o que desencadeia o ato de comer:

Entender os gatilhos situacionais (exemplo: estar em casa no meio da tarde, sem nada para fazer), sociais/familiares (no caso de pessoas que estão isoladas na mesma casa), de disponibilidade (exemplo: ter estoque de bolachas doces na despensa).

Uma vez reconhecido cada gatilho, é possível pensar num conjunto de estratégias capaz de impedir que esse gatilho se transforme em impulso pelo comer emocional. Por exemplo, posso trocar o estoque de comida por listas organizadas a partir da necessidade real dos alimentos.

Uma alternativa saudável é a família cozinhar junta (Imagem: August Richelieu)
Uma alternativa saudável é a família cozinhar junta (Imagem: August Richelieu)
Planejar e organizar refeições:

Programar as refeições, mantendo uma rotina regular de horários ao longo do dia pode ser útil. Da mesma forma, para quem vive com outras pessoas. Uma atitude que ajuda muito é transformar o ato de cozinhar em uma atividade coletiva, compartilhada e planejada.

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Pense nisso como maneira de manter todos unidos,  entretidos e melhor alimentados. Refeições planejadas e organizadas podem contribuir com sensação de tranquilidade e segurança.

Pensar e experimentar diferentes estratégias alternativas ao comer emocional:

Gerencie todos riscos e busque alternativas a cada uma.

 Se estiver triste: telefone ou converse com alguém que te faça sentir bem. Ou ainda, brinque com o cachorro ou gato. E ainda, folhear um álbum de fotos de momentos felizes.

Caso esteja ansioso, irritado: gastar energia dançando ao som de uma música favorita alegre, fazer polichinelos, dar uma caminhada no quarteirão (com máscara e distanciamento social).

Se estiver cansado, exausto: cuidar-se com o carinho de uma xícara de chá, ou um banho especial com sabonetes ou óleos perfumados, acender velas perfumadas ou incenso, ouvir uma música relaxante, assistir episódios de comédia para dar boas risadas aconchegado na cama ou sofá gostoso, podem funcionar.

Se estiver entediado: ler (ou reler) um bom livro, assistir um filme, tocar um instrument, fazer artesanato, cuidar das plantas… alguma atividade que seja prazerosa.

Atenção com o corpo

Uma atitude fundamental é, diante de tudo isso, prestar atenção ao corpo, ouvir e respeitar os nossos sinais físicos internos. Respirar, observar e aprender a identificar sensações de fome e de saciedade. Portanto, fortalecer a conexão interna pode servir como guia para a rotina e para prevenir o comer emocional.

Conexão com o próprio corpo, no fundo, é a principal maneira de nos manter atentos às nossas sensações de fome e saciedade, as quais, em última instância, constituem o antídoto mais eficaz para o perigo do comer emocional.

E se, mesmo com tudo isso, eu comer demais? A endocrinologista responde: “Não transforme isso num problema maior. Assim, encare como um aprendizado, como uma criança aprendendo a andar, ou a ler”.

O processo pode sofrer alguns desvios, algumas quedas. Aliás, identificar o comportamento de comer emocional, quer dizer, comer como resposta a emoções negativas; desenvolver habilidade para tolerar melhor as situações estressantes, ou pelo menos lidar com elas de maneira saudável (sem ter que comer, beber, usar drogas ou algum outro comportamento de risco para a saúde), refletir sobre a relação com a comida. São conquistas importantes que podem acabar sendo consequência positiva desse período tão desafiador.

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