6 dicas de saúde mental em tempos de pandemia

A saúde mental e o bem-estar de sociedades inteiras foram seriamente impactados por esta crise e são uma prioridade, segundo especialista

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Cuidar da saúde mental é primordial (Foto: Vlada Karpovich)
Cuidar da saúde mental é primordial (Foto: Vlada Karpovich)

O SaúdeLab propõe hoje 6 dicas de saúde mental em tempos de pandemia, já que ainda não temos a tão desejada vacina contra o coronavírus. A médica do Estilo de Vida Fernanda Gomes de Melo orienta que é tempo de cuidar das emoções para não “surtar”.

A metabologista, endocrinologista e médica do estilo de vida lembra que estamos vivendo uma realidade muito diferente de qualquer outra desde o início da pandemia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou logo no início para o impacto da Covid-19 na saúde mental, com um possível aumento de distúrbios e suicídios, instando os governos a não negligenciarem o apoio psicológico.

Ainda mais, a situação vivida em meio à esse caos por muitas pessoas, têm se confirmado tais preocupações, pois diante dos impactos econômicos advindos sem aviso prévio, e principalmente a falta de recurso financeiro gera insegurança.

Além do mais, os riscos de exposição ao vírus, as notícias sobre número de mortos, a necessidade de isolamento social e quarentena, as mudanças no cotidiano, a incerteza com relação ao futuro e às mudanças no mundo, tudo isso tem reflexos diferentes em cada pessoa.  “o enfrentamento é diferente, usando diferentes mecanismos de defesa psicológica”, explica Fernanda.

Saúde mental: O isolamento, medo, incerteza e crise econômica, pode causar distúrbios psicológicos (Foto: Felipe Cespedes)

Saúde mental: O isolamento, medo, incerteza e crise econômica, pode causar distúrbios psicológicos (Foto: Felipe Cespedes)

Mecanismos de defesa psicológica x saúde mental

Um dos mecanismos é a incerteza: “o que está acontecendo? O que vai ser daqui pra frente?”. Outro, o medo: medo de ser contaminado pelo vírus invisível que se aproxima, de ficar doente, de morrer, de perder entes queridos, familiares no grupo de risco, medo de perder o emprego.

Há ainda a desesperança/impotência: o foco no tempo que passa e não há resposta, ou a mudança naquilo que se acreditava, ou ainda nada mudar. “As dificuldades começaram a surgir com a necessidade do distanciamento e do contato físico”, explica a especialista.

Outro mecanismo de defesa é a negação: “isso não é nada, a pandemia acabou, é exagero, é política”.

“O que para alguns pode trazer sentimentos passageiros de tristeza ou ansiedade, para outros pode desencadear um transtorno mental”, afirma Fernanda. “O impacto na saúde mental desse momento estressante é significativo e pode gerar maiores dificuldades se não for abordado adequadamente. A saúde mental e o bem-estar de sociedades inteiras foram seriamente impactados por esta crise e são uma prioridade”.

A primeira providência, segundo ela, é ficar atento aos sinais do efeito do estresse emocional, como: sinais físicos de ansiedade (taquicardia, palpitação, respiração mais rápida e suspiros frequentes, tremor) e sintomas psicológicos (preocupação excessiva, irritação, ruminação, alteração do sono).

Mudança de hábitos pode ajudarFoto: Natalie
Mudança de hábitos pode ajudar Foto: Natalie

Acompanhe as 6 dicas de Medicina do Estilo de Vida para proteger (e melhorar) a saúde mental nessa fase de pandemia:

1. Manter rotinas e horários regulares

Horários regrados para alimentação, procurar manter uma alimentação saudável, regularizar o sono, fazer alguma atividade física, assim como tentar tomar um pouco de sol. Criar uma rotina desde o acordar até se deitar.

2. Limite a quantidade de notícias que você lê e cuide da qualidade das informações

Reduza a leitura ou o contato com notícias que podem causar ansiedade ou estresse. Busque informação apenas de fontes fidedignas e dê passos práticos para preparar seus planos, proteger a si e sua família.  Procure informações e atualizações uma ou duas vezes ao dia evitando o “bombardeio desnecessário” de informações.

A enxurrada de notícias sobre um surto pode levar qualquer pessoa à preocupação. Escolha veículos não-alarmistas. Informe-se com os fatos e não os boatos ou informações erradas. Do mesmo modo, busque notícias em intervalos regulares do website da Organização Mundial da Saúde, das autoridades locais para que possa fazer a diferença entre boato e fato.

Os fatos ajudam a minimizar o medo.

3. Aceite os sentimentos como normais

Está tudo bem em não estar bem neste momento. Ou seja, não se cobre uma super produtividade, respeite o momento, com uma boa dose de autocompaixão.

Uma coisa de cada vez, dentro do que conseguir. Espalhe a autocompaixão para a questão alimentar: é bom fazer um esforço consciente para uma dieta saudável e equilibrada, horários regulares, porque vai fazer bem para a saúde física e mental.

Se acaso, em algum momento, não conseguir e cair num momento de comer emocional, está tudo bem. Reconhecer, se desculpar e voltar à intenção de comer melhor.

4. Descubra pequenos prazeres

É um ótimo momento para se ter um hobby, por exemplo, cuidar de plantas; ler um bom livro, movimentar o corpo, assistir um filme leve, aprender a meditar. Fernanda explica que estes pequenos hábitos podem ajudar a manter a saúde mental, contudo, é preciso descobrir um que funcione.

Descobrir pequenos prazeres pode ajudar a enfrentar este momento (Foto: Vlada Karpovich)
Descobrir pequenos prazeres pode ajudar a enfrentar este momento (Foto: Vlada Karpovich)

5. Conecte-se e pratique a gentileza, sua saúde mental agradece

Manter o contato, ainda que virtual com as pessoas, em outras palavras, mudar o foco para o outro. “Fazer o bem faz bem, para quem ajuda e quem é ajudado”, conclui.

6. Pratique a gratidão

Pesquisadores chegaram à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida pode causar grandes mudanças – inclusive cerebrais.

O efeito ao exercitar a gratidão é duradouro, assim como se o cérebro se lembrasse do comportamento carinhoso e passasse a agir mais da mesma forma.

“A pesquisa compara esse treinamento a como exercitar um músculo: quanto mais você pratica a gratidão, mais propenso estará a senti-la espontaneamente no futuro. Isso ajuda a diminuir a depressão”, conclui a médica.

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