Conhece a constelação familiar? Saiba mais sobre as controvérsias que envolvem o processo

A técnica ainda gera muita desconfiança no meio científico

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Constelação familiar
Constelação Familiar. Foto: Envato

Segundo uma pesquisa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem cerca de 80 milhões de processos correndo na Justiça. Para desafogar esse fluxo, o Poder Judiciário tem usado soluções alternativas para tentar uma conciliação entre as partes envolvidas. Nos últimos tempos, uma dessas soluções tem sido a constelação familiar.

Há relativamente pouco tempo, essa terapia holística passou a ser subsidiada no Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), como integrante do Programa Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Entretanto, a abordagem é cerca de polêmicas e controvérsias, como será explicado adiante.

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No que consiste a constelação familiar?

constelação familiar funcionamento
Entenda as polêmicas e controvérsias por trás da constelação familiar. Fonte da imagem: Direito Familiar – JusBrasil/Reprodução

A constelação familiar é um tipo de psicoterapia desenvolvida em 1978, por um filósofo e psicólogo alemão chamado Bert Hellinger. Segundo o criador dessa terapia, os problemas que uma pessoa possui são ocasionados por conflitos não resolvidos por gerações anteriores da sua família, ainda que ela não tenha uma relação direta com os tais antepassados.

A propósito, Hellinger criou essa abordagem misturando variadas práticas de terapias alternativas e a filosofia familiar da comunidade zulu (com a qual conviveu durante anos, quando foi missionário na África do Sul).

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A despeito de haver o termo constelação no nome, essa terapia não tem nada a ver com astrologia. De fato, o foco dela é na família e na forma como os integrantes dela se relacionam uns com outros através das diferentes gerações.

Em uma sessão dessa prática, que pode durar de 30 minutos a 1 hora, realiza-se uma espécie de dramatização (individual ou coletiva) dos conflitos. O intuito disso é trazer à tona todos os potenciais conflitos mal resolvidos na família, conflitos esses com o poder de influenciar futuramente o comportamento dos integrantes da família.

Desmascarando as controvérsias da abordagem

A princípio, as controvérsias da constelação familiar estão já no seu próprio fundador, Hellinger. Com efeito, ele era extremamente simpático ao nazismo, tendo não apenas exposto ideias antissemitas, mas também chegou a elaborar uma carta-poema dirigida à Hitler e lutado no lado nazista da Frente Ocidental.

Ademais, essa terapia não possui o reconhecimento da comunidade científica. Sendo assim, ela se constitui em uma pseudociência. Ou seja, ela até usa um ou outro elemento científico, porém muito diluído e também misturado a outras práticas não-científicas.

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Além disso, tanto o Conselho Federal de Psicologia, quanto o Conselho Federal de Medicina já se posicionaram contrários a essa terapia, visto que não há absolutamente nenhuma metodologia científica rigorosa fundamente o seu funcionamento e nem há comprovação científica de sua eficácia.

Muitas pessoas apontam o forte machismo e misoginia presentes nessa técnica, onde muitas vezes se culpabiliza a mulher pelas coisas erradas que acontecem no seio familiar, inclusive mesmo em casos onde houve abuso sexual e incesto. Isso, sem falar, igualmente na concepção errônea sobre a “origem” da homossexualidade.

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