Vítima de racismo, repórter é agredida durante reportagem

Assim como George Floyd, o fato de ser negra influenciou no comportamento do servidor, que a chamou de "macaca"

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A repórter Julie Alves, vítima de racismo (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)
A repórter Julie Alves, vítima de racismo (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Vítima de racismo, uma repórter foi agredida por servido público durante reportagem. A jornalista Julie Alves e o cinegrafista Vangelis Floyd gravavam uma matéria quando foram abordados por um servidor público.

Ela faz parte do programa “Fala Baixada”, da rede CNT, e estavam em um lixão em Japeri, no Rio de Janeiro quando o crime de racismo aconteceu.

Ela conta que estavam terminando de produzir o material, o cinegrafista havia até desligado a câmera, quando chegou o homem, aos gritos e palavreado chulo. “Quem mandou vocês gravarem aqui?”.

Racismo e preconceito

Apesar de Julie ter respondido que não precisava de autorização e conhecia seus direitos, o homem se alterou. “Foi aí que ele falou ‘sabe do seu direito o que, macaca?’”.

O cinegrafista teria questionado o modo como ele a tratou e o homem o mandou calar a boca e chamando-o de gordo.”

O servidor a agrediu, tentando bater em seu rosto: “O homem acabou acertando na minha mão e meu microfone caiu. Ele foi então em direção ao cinegrafista e deu um chute nele. Algumas pessoas que estavam no local foram segurá-lo”.

Observando a estrutura linguística da palavra temos o prefixo “pre” que denota antecipação e o sufixo “conceito” que se traduz em opinião formada com base em dados objetivos. Ao uni-las temos a palavra preconceito, que nada mais é que uma opinião antecipada ou apressada acerca de alguém ou algo.

Por ser um julgamento apressado, é desprovido de base objetiva, além disso, se funda tão somente em opinião pessoal sem fundamento fático ou logico.

Desempregado

A secretária municipal de Saúde de Japeri, Rosilene Moraes, garantiu que o funcionário foi exonerado no mesmo dia do ocorrido.

O que é o racismo estrutural?

A advogada Liziane Sucena, negra e mãe de dois adolescentes, explica que precisamos  entender o conceito de racismo, que é uma série de teorias e crendices que faz com que uma raça acredite que tem certa hierarquia ou está em melhores condições que uma outra.

A advogada Liziane Sucena
A advogada Liziane Sucena, explica que o racismo existe por falta de uma política social séria (Foto: Divulgação)

Isso é bem claro quando se estuda a história do Brasil no período colonial, onde os brancos, acreditando ser uma raça superior, escravizaram o povo negro. Quando houve abolição da escravatura, não foi mudada a ideia social de que os brancos eram dominantes e, por tal motivo, não foram estabelecidas medidas sociais de inclusão dos negros na sociedade, para que estes pudessem viver em igualdade de condições.

Assim, explica a advogada, “o racismo já existente foi se estruturando na sociedade e perpetuando cada vez mais diante do processo de desvalorização e restrição de acesso dos negros a oportunidades de ascensão social”.

A isso chamamos de racismo estrutural, desse modo, é aquele decorrente da estrutura da sociedade que não criou políticas sociais adequadas aos negros brasileiros para que estes pudessem ter as mesmas condições e oportunidades que os brancos.

Leia mais sobre empresas que tentam mudar esta realidade de desigualdade: Processo seletivo para negros desperta discussão sobre racismo

George Floyd

George Floyd, de 48 anos, pai de uma menina de seis anos, era conhecido como alguém amigável e gentil, que nunca causava problemas. Ele foi acusado de pagar um maço de cigarros com uma nota julgada falsificada pelo estagiário da loja. Floyd era um cliente regular da conveniência, chamada Cup Foods, porém neste dia o dono da loja não estava.

George Floyd, vítima de racismo
George Floyd

O funcionário decidiu então chamar a polícia, que encontrou o homem sentado com duas outras pessoas em um carro estacionado na esquina. Um dos policiais, Thomas Lane, sacou sua arma e ordenou que Floyd mostrasse as mãos.

A partir deste momento só se tem a versão das autoridades, que dizem que Floyd teria resistido a prisão. Em um vídeo que rodou o mundo, porém, mostra a abordagem e quando Floyd aparece algemado e cai. Ele é levado até a calçada, onde senta encostado à parede, sem reagir.

Segundo a rede de TV BBC, nesse ponto, testemunhas começaram a filmar Floyd, que parecia estar em estado de extrema angústia. Esses vídeos foram capturados por vários telefones celulares e amplamente compartilhados nas redes sociais, registro dos últimos minutos da vida de Floyd.

Floyd estava sendo segurado por policiais quando o policial colocou o joelho esquerdo entre a cabeça e o pescoço dele. “Não consigo respirar”, dizia a vítima repetidamente, citando sua mãe e implorando: “por favor, por favor, por favor”. Até que desfalece e morre, por asfixia.

Derek Chauvin, de 44 anos, foi preso e é acusado de homicídio, por manter seu joelho sufocando a vítima por mais de oito minutos, a despeito de seu pedido de clemência.

O racismo institucional

O racismo institucional é aquele que transparece a desigualdade de uma raça, no caso os negros brasileiros. É uma desigualdade que ocorre em instituições como órgãos públicos governamentais, corporações empresariais privadas e universidades.

Similarmente, quando verificamos os números de servidores ou funcionários de instituições brancos e negros, geralmente haverá negros em menor número. “Racismo institucional decorre do racismo estrutural, afinal, não havendo igualdade de condições para estudo e moradia, haverá reflexo no emprego, bem como nas instituições de ensino superior”.

Black Lives Matter

Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português) é um movimento ativista global, com origem na comunidade negra dos Estados Unidos, que luta contra a violência às pessoas negras.

Ele começou em 2013, com o uso da hashtag #BlackLivesMatter em mídias sociais, após a absolvição de George Zimmerman que atirou fatalmente no adolescente negro Trayvon Martin.

Com a morte de Floyd, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra a falta de respeito e igualdade e a favor da vida das pessoas negras no mundo todo.

Entretanto, o movimento vai bem além de compartilhar a hashtag, conheça aqui.

Como combater o racismo?

A melhor forma de combater o racismo é, primeiramente, educando as crianças para que estas não aprendam ser racistas.

“As crianças não nascem racistas, elas crescem sem levar em consideração essas diferenças de tonalidade de pele, apenas vivem cada segundinho das vidas delas com sua ingenuidade e pureza”, explica Liziane.

As crianças aprendem a ser racistas com os adultos, ela afirma, todavia, existem algumas formas de se combater o racismo, “todas elas decorrem primeiramente da conscientização da sociedade”, dos adultos e dos jovens/crianças que já foram acostumados a ter comportamentos racistas:

1) Eduque as crianças para respeitar as diferenças e tratá-las como uma forma natural. Nem todo mundo terá a pele branca, ou sardas, ou olhos castanhos, nem todo mundo terá as duas pernas, por exemplo, e está tudo bem;

2) Respeite o próximo e a sua cultura. Deixe de lado preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

3) As escolas devem ensinar sobre a história e cultura dos negros, tratando com respeito e isso auxiliará no enfrentamento ao racismo;

4) Denunciar qualquer ato de discriminação racial.

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