Laudelina de Campos, conheça a ativista pioneira que é homenageada hoje no Brasil

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A homenageada
Laudelina de Campos, conheça a ativista pioneira que é homenageada hoje no Brasil / Foto: G1

A brasileira Laudelina de Campos Melo começou sua luta por melhores condições de trabalho aos domésticos, em 1936, em Santos. Por causa de sua trajetória, ela que também é sindicalista recebeu uma homenagem no Google Doodle nesta segunda (12.10).

Nascida em Poços de Caldas, em 12 de outubro de 1904, pouco depois da abolição da escravatura no país, em 1888. Laudelina abandonou a escola, aos 7 anos, para cuidar dos irmãos enquanto a mãe trabalhava. Já aos 16, passou a atuar em organizações sociais do movimento negro.

Desse modo, a luta de Laudelina foi fortemente consagrada, por ela ser mulher, negra e sindicalista. Sua atuação, junto de outras mulheres na época, foi essencial, pois trouxe o direito à sindicalização e sensação de proteção, abraçada pela legislação vigente.

Associação criada por Laudelina / Foto: Reprodução
Associação criada por Laudelina / Foto: Reprodução

A batalha é histórica

Infelizmente, como uma construção histórica de nossa sociedade, o racismo era tão forte naquela época e ainda não é tão diferente nos nossos dias. Assim, o serviço doméstico era mencionado nas leis sanitárias e policiais somente para “proteger a sociedade” das trabalhadoras domésticas, que eram tidas como ameaças em potencial para os empregadores.

No entanto, Laudelina nunca foi uma mulher frágil. E nesse sentido sempre prestava trabalhos de apoio à segurança e dignidade das funcionárias do lar. Explicando que tu ainda eram “resíduos da escravidão” na sociedade.

“A situação da empregada doméstica era muito ruim. A maioria daquelas antigas trabalharam 23 anos e morria na rua pedindo esmola. Lá em Santos, a gente andou cuidando, tratou delas até a morte”, explicou em entrevista à educadora Elisabete Pinto, publicada em sua dissertação de mestrado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Apesar disso, depois de anos de luta, só em 2013, foi aprovada a PEC das Domésticas, que garante o direito a benefícios semelhantes aos de outras categorias profissionais, com limite de oito horas diárias, e pagamento de hora-extra, por exemplo.

Figura forte na história / Foto: Reprodução internet
Figura forte na história / Foto: Divulgação

Um pouco mais sobre Laudelina

Além disso, ainda na política, Laudelina filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e militou pela Frente Negra Brasileira (FNB), entidade que mais tarde ficou conhecida como partido.

Da mesma forma, fundou a primeira associação de trabalhadores domésticos do Brasil, em Santos. Enfim, em 1972 a categoria recebeu o direito à carteira assinada, mas ainda assim com muitas restrições.

Mas, sua visão e bravura não param por aí. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1946), Laudelina se alistou para trabalhar como auxiliar de guerra no país. Ela explica que sua maior motivação para entrar pro combate internacional foram as palavras de Hitler, que pretendia exterminar as raças não arianas.

“Ele dizia no Livro Azul que ele eliminaria todas as raças que não fossem arianas, principalmente a raça negra seria eliminada. Então aquilo me levou, me trouxe uma revolta dentro de mim. Então resolvi me alistar para servir a pátria”, explicou.

Ela atuou como trabalhadora doméstica até meados dos anos 1950, quando passou a ganhar dinheiro por meio uma pensão que montou e de salgados que vendia em campos de futebol.

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Assim, com o fim da ditadura Varguista, em 1946, a associação que Laudelina fundou, voltou a trabalhar a todo vapor. Porém, a trajetória de perseguições contra ela ainda não havia acabado.

Com o golpe militar de 1964 (volta da ditadura) os funcionários domésticos se viram obrigados a se colher no partido UDN (União Democrática Nacional), para não fechar as portas.

Por fim, muito doente, Laudelina veio a falecer em 1991, aos 86 anos de idade, em Campinas. E em 1988, com a promulgação da nova Constituição Federal, a associação finalmente passaria a ser um sindicato.

Vale ressaltar, que a homenagem a essa ‘Mulher guerreira’ é merecida, vez que sua luta gerou muitos frutos e reflete até os dias de hoje.

Fonte: BBC

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