70 pássaros resgatados de cativeiros são devolvidos à natureza

"Inacreditável que ainda hoje, o ser humano seja capaz de aprisionar um passarinho a vida inteira numa gaiola”, lamenta a bióloga

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Pássaro liberto em Caraguatatuba
Pássaro liberto em Caraguatatuba (Foto: Divulgação/Eduardo Leduc)

Aproximadamente 70 pássaros que haviam sido retirados da natureza e colocados em gaiolas, foram resgatados no Litoral Norte paulista pela Polícia Ambiental, reabilitados e devolvidos ao seu habitat natural.

Entre as espécies, tiês, sabiás, trinca-ferros, saías, curiós, azulões e outros, que foram reinseridos à natureza em Caraguatatuba, na última semana.

Pássaro liberto em Caraguatatuba (Foto: Divulgação/Eduardo Leduc)
Pássaro liberto em Caraguatatuba (Foto: Divulgação/Eduardo Leduc)

As aves foram enviadas então ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres no parque Tietê (CRAS-PET), na capital paulista. E posteriormente levadas para a Área de Soltura e Monitoramento de Fauna, no Sítio Jacu, no bairro Tabatinga, região norte de Caraguatatuba.

O sítio é também um Centro Ecológico de Proteção Ambiental (CEEPAM). A entidade foi cadastrada e autorizada pela Secretaria do Meio Ambiente, a reinserir os pássaros.

O alvo nos pássaros

A bióloga Yanna Dias, mestra em conservação da fauna, disse que “o tráfico de animais silvestres é a terceira maior atividade ilícita do mundo e só o Brasil movimenta mais de R$ 1 bilhão, todos os anos”.

As aves são o principal alvo, segundo ela, a cada 10 aves retiradas da natureza, somente uma sobrevive. “Isso significa que quando soltamos esses 70 pássaros, é provável que 630 morreram durante o tráfico e comércio ilegal”, lamenta.

Os passarinhos canoros são os que mais sofrem com o tráfico, tanto pela beleza quanto para brigar em competições. O canarinho-da-terra e o trinca-ferro, são os principais escolhidos para as rinhas, também conhecidas como pixarro.

Em segundo lugar, vem o grupo dos psitacídeos (periquitos, papagaios e araras), que são alvo pela sua beleza e inteligência.

“Toda espécie tem um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas e devido ao tráfico, muitas espécies correm risco de extinção”. Por isso, é muito importante a reabilitação de aves que estão presas em gaiolas e a sua soltura, segundo Yanna.

Quando apreendidas, essas aves são levadas aos Centros de Triagens (CETAS) ou Centros de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS). Quando estão aptos a voltar para a natureza, são encaminhados para áreas de soltura.

“É emocionante assistir a libertação das aves, e ao mesmo tempo é inacreditável que ainda hoje, o ser humano seja capaz de aprisionar um passarinho a vida inteira numa gaiola”.

Criadores não autorizados podem voluntariamente entregar pássaros à Polícia Ambiental ou centro de reabilitação de sua região.

Soltura

A área, uma região de mata nativa e protegida foi preparada e habilitada para a realização da soltura de pássaros, protegida. Além dos comedouros, diversas árvores frutíferas foram plantadas para garantir a alimentação e adaptação das aves.

“São aves de beleza rara e cantos magníficos que atraem observadores de aves do mundo inteiro para visitar o Litoral Norte”.

Pássaros apreendidos

A prática de manter aves em gaiolas e viveiros ainda é muito difundida, embora seja notório que o tempo de vida das aves seja reduzido pela metade, quando estão em cativeiro.

Apenas na última sexta-feira (09/10), sete aves nativas silvestres foram apreendidas pela Polícia Ambiental Terrestre na cidade de Ubatuba, 42 em Caraguatatuba, ambas as cidades do Litoral Norte paulista.

Pássaros apreendidos em Ubatuba
Pássaros apreendidos em Ubatuba, alguns, de espécies em risco de extinção. (Foto: Polícia Militar Ambiental)

No bairro Praia Vermelha foram resgatados um Trinca-Ferro e um Curió, espécie em risco de extinção. Do mesmo modo, ambos estavam sem anilhas de identificação e presos em  gaiolas. Havia alimentação e água suficiente.

O proprietário informou que não possuía autorização do órgão ambiental, já que passou a cuidar do trinca ferro “após ele aparecer machucado no quintal” e o curió “chegou ainda filhote em sua casa”. Ele afirmou que não sabia precisar de autorização para criá-los.

Por tratar-se de infração ambiental, ele foi multado em R$ 5.500 e responderá ainda criminalmente.

No bairro de Vale do Sol, cinco aves nativas silvestres foram encontradas: Três coleirinhos, um canário da terra verdadeiro e um pixoxó, espécie em risco de extinção. Todos estavam sem anilhas e acondicionados em gaiolas, sem sinais aparentes de maus tratos.

Ela justificou não saber que precisava de autorização da Secretaria do Meio Ambiente paraa criar pássaros “de estimação”.

Ela também foi autuada e multada no valor de R$ 7.000, além de responder por crime ambiental.

Todos pássaros foram aprendidos e encaminhados para o centro de reabilitação “Fundação Animália”, onde serão preparados para a reintrodução em seu habitat natural.

 

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