Teste promete detecção da doença de Alzheimer pela saliva

O pesquisador promete custo acessível, fácil obtenção e isenção quanto aos riscos de contaminação

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Teste de saliva promete detectar o Alzheimer (Imagem: El Expres)
Teste de saliva promete detectar o Alzheimer (Imagem: El Expres)

Um teste inédito, que promete detecção da doença de Alzheimer pela saliva, é o que garante o farmacêutico Gustavo Alves, pesquisador e desenvolvedor da pesquisa.

Ele tem Mestrado em Farmácia, Doutorado em Biotecnologia, cursando Pós doutorado na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

“Ainda não existe um diagnóstico de Alzheimer de forma única, sem que sejam associados vários exames”, explica o especialista. “As proteínas que causam esta doença começam a se acumular 30 anos antes”, conforme Alves afirma, isso já é descrito pela ciência.”Nosso projeto visa detectar de forma precoce a doença de Alzheimer, de forma preditiva”.

A pesquisa de Alves começou em 2008, com os primeiros biomarcadores identificados. Ele explica que a viabilidade deste método foi demonstrada, surpreendentemente, em congressos e conferências internacionais. “Agora no pós doutorado, vamos realizar os testes em um número maior de pessoas, inclusive com idade abaixo de 60 anos”, confirma.

As vantagens do teste é ser de baixo custo, não invasivo e além disso, sem risco de infecções (sem punção venosa).

Alzheimer
O teste é seguro, barato e sem riscos à saúde (Foto: Matthias Zomer)

O Alzheimer

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de casos de demência entre os idosos irá mais que dobrar até 2050.

Além da perda de memória que evolui com a demência, familiares e amigos próximos podem estar atentos aos demais sintomas de Alzheimer e, logo que percebam as primeiras alterações devem procurar ajuda especializada para diagnóstico precoce. A Associação de apoio aos pacientes com Alzheimer (alz.org), reforçam uma vigilância constante aos sinais e sintomas da doença. Estes incluem:

  • Problemas para completar tarefas que antes eram fáceis.
  • Dificuldades para a resolução de problemas.
  • Mudanças no humor ou personalidade; afastamento de amigos e familiares.
  • Problemas com a comunicação, tanto escrita como falada.
  • Confusão sobre locais, pessoas e eventos.
  • Alterações visuais, como problemas para entender imagens.

Mais adiante, os sinais sintomas serão mais detalhados para ampliar as informações sobre a doença.

Sintomas de Alzheimer
O sintomas da doença são progressivos e o apoio é fundamental (imagem: Pxhere)

Impacto na população

Entre as doenças que provocam demência na população idosa, o Alzheimer é a mais comum. A estimativa é de que a doença atinja hoje 1,2 milhão de pessoas com mais de 65 anos no Brasil. Em conclusão, o número de casos vai se elevar até 2030, podendo ser num percentual de 100%, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).

Metade dos portadores não sabe que tem a doença, já que os métodos diagnósticos atuais são baseados em avaliações de imagem, sangue e comportamento para fechamento da hipótese diagnóstica.

Não há cura para o Alzheimer, no entanto, o tratamento prorroga o avanço da doença. E essa realidade remete-se à uma mudança cultural, seja quanto ao acompanhamento e sobretudo, da prevenção com consultas médicas regulares.

O diagnóstico

O diagnóstico do Alzheimer só é possível hoje, graças às avaliações em conjunto: imagem, sangue e comportamento.

“Nosso projeto visa reduzir a complexidade dos diagnósticos existentes, ser mais efetivo e preciso, além de ter caráter preditivo”, uma vez que o processo fisiopatológico da Doença de Alzheimer é silencioso e tardio, ou seja, não se evidencia com sintomas iniciais ao se desenvolver no indivíduo, ou ao menos, não se consegue identificá-los com precisão.

“Queremos oferecer custo acessível, fácil obtenção e isenção quanto a riscos de contaminação. Estes são dados também relacionados ao projeto”.

Para a resposta, são identificadas duas proteínas liberadas e expressas na saliva. Ambas estão diretamente associadas ao surgimento e evolução da Doença de Alzheimer, responsáveis pela formação das placas senis (depósitos de Beta Amiloide), assim como os emaranhados neurofibrilares (hiperfosforilação da TAU).

“Correlacionamos estas proteínas a outros marcadores sanguíneos, todos envolvidos direta ou indiretamente com a Doença de Alzheimer”. Além das duas proteínas, outras substâncias podem ser detectadas na saliva e sangue, todas relacionadas ao Alzheimer.

“Analisamos idosos com e sem a Doença de Alzheimer e com a solidez dos resultados quanto a viabilidade, apresentei o projeto nas Conferências de Toronto (CA), Chicago e Los Angeles (EUA)”, descreve o pesquisador.

O projeto foi semifinalista no Falling Walls Brazil, um concurso com mais de 150 projetos de pesquisa, em Berlim.

alzheimer teste
O Alzheimer é uma doença progressiva (Foto: Anna Svets)

Características do Alzheimer

A doença apresenta progressão lenta dos sintomas. A sobrevida da doença pode chegar a 20 anos, mas é em média de oito anos. E como dito anteriormente, observar os primeiros sintomas é uma chance de diagnóstico precoce.

A principal e mais marcante característica clínica é o déficit de memória. Assim, o paciente tem dificuldade em memorizar novas informações, experiências e eventos recentes. Dificuldade em nomear, também é comum e ele torna-se repetitivo.

Aliás, os sintomas podem flutuar em intensidade, e a incapacidade de reconhecimento da doença pelo paciente é comum. No início do quadro, como o déficit de memória é leve, as atividades do dia-a-dia ainda podem ser realizadas com relativa independência.

Nesse sentido, a pessoa consegue dirigir, cuidar da casa, fazer compras e participar de eventos sociais, porém de forma mais ineficiente e com menos interesse.

Como evoluem os sintomas da doença

Nos estágios intermediários, são atingidos os domínios cognitivos, como linguagem, modo de agir, atenção, funções executivas e orientação espacial.

A pessoa torna-se mais dependente para suas atividades laborais, precisando de ajuda em tarefas que, outrora eram dominadas por ela. Dentre as quais, dirigir, cuidar da casa, pagar contas, bem como dificuldade nas atividades de cuidado pessoal.

Nesta fase, as alterações do ciclo sono-vigília são comuns, podendo haver piora dos sintomas cognitivos e comportamentais ao entardecer (fenômeno do pôr-do-sol). Os sintomas psiquiátricos são comuns, inclusive a presença de delírios. Os mais comuns são delírios de ciúmes (do cônjuge) e de roubo (ao tentar encontrar objeto guardado em local não usual).

O portador de Alzheimer, também pode apresentar alucinações, agitação, apatia e sintomas depressivos. Por outro lado, a necessidade de cuidados de terceiros é crescente.

No estágio final da doença, o indivíduo é totalmente dependente. Há incontinência urinária e fecal, incapacidade de reconhecer os familiares, dificuldade em alimentar-se e locomover-se. Todas as funções cognitivas e comportamentais são afetadas com a evolução da doença.

Progressivamente, o indivíduo perde a capacidade de andar e fica restrito ao leito nas fases mais avançadas.

Mas, em meio há tantos desfechos que a doença possa ocasionar, existe tratamento com medicamentos para tratar os sintomas da demência. Mesmo não se conhecendo a cura até o momento, pesquisadores afins continuam trabalhando para encontrá-la. E o teste do farmacêutico Gustavo Alves é uma esperança para se diagnosticar e evitar maiores danos à vida da população idosa.

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