Pandemia tem aumentado os casos de depressão na terceira idade

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11% dos idosos estão depressivos

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Os casos de depressão na terceira idade aumentaram na pandemia ( Foto: Andrea Piacquadio)

A pandemia da Covid-19, que recentemente completou um ano, tem causado o aumento de casos de depressão na terceira idade, segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Estudos mostram que 5,8% dos brasileiros têm depressão e a prevalência quase dobra entre os que estão na faixa etária de 60 a 64 anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11% dos idosos estão depressivos.

Ainda que a depressão possa atingir todas as idades, o risco se torna maior quando há uma tendência e acontece um gatilho. Uma situação de pobreza, desemprego, morte de um ente querido, ruptura de um relacionamento, doenças e uso de álcool e de drogas, mostram os dados da OMS. Porém, o salto mais alarmante foi desde o início da pandemia.

Inegavelmente, o isolamento é a melhor forma de controle da propagação do vírus, porém, a falta de convívio social pode causar solidão e com ela, consequências negativas para a saúde mental, principalmente nos idosos.

Depressão por saudades na terceira idade

Marilene Oliveira, de 85 anos, contou em entrevista ao Saudelab, que sempre teve a casa cheia. “Oito filhos, 25 netos, 12 bisnetos barulhentos”, segundo ela.

Porém, com a pandemia e o isolamento social, Dona Lena, como prefere ser chamada, passou a contar com apenas uma companhia constante, seu filho mais velho, de 66 anos, que mora com ela.

“Ele também é do grupo de risco, então decidiu que ficaríamos cuidando um do outro. Era para ser 45 dias e já dura um ano as saudades da minha família, que só vejo pelo celular”, lamenta.

Dona Lena foi diagnosticada com depressão há poucos meses. Ela não reclamou de tristeza ou falta de energia, mas de dores físicas, problemas de memória e dificuldades para dormir. “Eu sentia dor no corpo e cansaço, mas não dormia. Um dia achei que estava tendo um AVC, mas era só tristeza”, confessa.

Em 2019, durante o Congress on Brain Behavior and Emotions (BRAIN), o psiquiatra Filipi Leles enfatizou: “Não comer direito, ficar recluso e ter uma noite mal dormida não fazem parte de um envelhecimento normal”. Dessa maneira, destacou o médico, nem todo idoso que mora sozinho terá depressão, mas é importante que a família esteja atenta aos sinais.

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A falta de convívio social pode causar solidão e com ela, consequências negativas para a saúde mental (Foto: Andrea Piacquadio)

Sintomas de depressão no idoso

Por vezes, os sintomas de depressão são confundidos como doença normal, justificados pela idade. É comum encontrar idosos em casas ou instituições geriátricas em franco estado de depressão clínica, ocasionada pelo sentimento de inutilidade e culpa.

Na terceira idade é mais comum ver queixas somáticas como dificuldades para dormir, falta de energia, anorexia, fobias, hipocondria, ansiedade, dores localizadas ou não específicas. Frequentemente, os profissionais relacionam estes sintomas com doenças físicas ao invés de um transtorno depressivo.

Os especialistas em geriatria esclarecem que a maioria dos idosos sofre de alexitimia, uma desordem psicológica caracterizada pela incapacidade de identificar e descrever verbalmente emoções e sentimentos. Além disso, não tem disposição para executar nem mesmo as tarefas mais simples.

A depressão também pode aparecer quando um idoso perde alguém muito próximo, assim como um cônjuge. Um exemplo é o personagem Carl Fredricksen, do filme Up – Altas Aventuras. Ele se torna solitário e triste depois da morte de sua esposa.

Afeto e amparo para pessoa idosas

As pessoas idosas que contam com uma rede de apoio social, de acordo com estudos, alcançam maior longevidade em comparação com aquelas que não recebem. O apoio social é uma variável protetora tanto perante o estresse, quanto ansiedade.

Especialistas em saúde mental afirmam que existe uma relação significativa entre manter relações interpessoais, ter animais de estimação, amigos e atividades da terceira idade, por exemplo, e a diminuição do risco de doenças cardíacas e depressão.

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O idoso precisa de atividades lúdicas e de lazer (Foto: Andrea Piacquadio)

Ter relações sociais satisfatórias, ou conviver com um animal de estimação e participar de terapias psicossociais, atividades lúdicas ou de lazer podem aumentar a imunocompetência e diminuir o estresse próprio dessa fase da vida.

O envelhecimento afeta, sobretudo, os lobos frontais, onde reside a nossa capacidade de atenção, resolução de problemas, planejamento, etc. No entanto, as emoções e a nossa capacidade de interagir com o nosso entorno através dos olhares, sorrisos, e de reagirmos positivamente diante do afeto, são coisas que permanecem intactas.

A prevenção, nesse sentido, passa por impedir, na medida do possível, que o idoso fique sozinho, elevando o bem-estar e a satisfação de vida.

Terapias anti-depressão para terceira idade e demais pessoas

O filósofo suíço Henri-Frédéric Amiel afirmou que “saber envelhecer é uma obra-prima da sanidade, e uma das partes mais difíceis da grande arte de viver”. Não é fácil, porém, as pessoas idosas sabem que o segredo da felicidade não está em esperar. O verdadeiro bem-estar reside em aproveitar o momento presente com humildade, simplicidade e positividade.

O equilíbrio das emoções na velhice é o segredo para o bem-estar. É saber gerenciar as experiências emocionais para desfrutar do equilíbrio, da calma interior, assim como das relações com os amigos e da família.

A prevenção da depressão na terceira idade começa pelo acolhimento e avaliação do terapeuta, orienta a psicóloga Eduarda Rezende Freitas, doutora em Psicologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Atualmente, as terapias cognitivo-comportamentais (TCC) têm sido uma das principais soluções usadas por profissionais de saúde mental.

“Muitas abordagens em idosos hoje estão ligadas a fatores geracionais. Um grupo que nasceu na década de 1940, por exemplo, tem um ponto de vista cultural que difere da dinâmica da sociedade atual”, diz a psicóloga.

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Animais de estimação também podem ajudar na crise de depressão (Foto: Andrea Piacquadio)

Exercícios indicados para idosos

Outro fator importante para a garantia do bem-estar na terceira idade é a prática de atividades físicas.

Segundo o Ministério da Saúde, práticas de baixo impacto são as mais indicadas para quem está acima dos 60 anos. Por exemplo: Caminhadas, atividades na água, alongamento, dança e musculação desenvolvem flexibilidade, equilíbrio e força muscular. Além disso, oferecem baixo risco de lesões.

É importante dar preferência as atividades em grupo, para que além da parte física seja trabalhada as questões psicológicas e sociais, sugere Thiego da Silva Socoloski. Ele é profissional de educação física do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF) e sugere que atividades com grande impacto, muito vigorosas ou com alta intensidade devem ser evitadas.

As caminhadas estão entre os exercícios mais estudados, existe bastante segurança e tem a vantagem de não necessitar de novas habilidades, conforme avalia Alexandre Leopold Busse, professor de geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) associado à Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

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É importante dar preferência as atividades em grupo, para que além da parte física seja trabalhada as questões psicológicas e sociais (Foto: Tom Leiishman)

Finalmente, os alongamentos são recomendados para melhorar a flexibilidade, com benefícios na funcionalidade, equilíbrio e controle de dores de origem muscular. Em geral são associados a outros tipos de exercícios, ao final do treino, indica o professor de geriatria Alexandre Busse. Porém, podem ser feitos antes e depois da caminhada.

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