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Instituto Butantan explica explosão de casos de influenza H3N2

A retomada de atividades presenciais e o relaxamento no uso de máscaras teriam ajudado a criar condições para a cepa Darwin se disseminar pelo país

O início do ano de 2022 foi marcado pelo surto de influenza H3N2. Segundo o Instituto Butantan, em São Paulo, a explosão no número de casos foi impulsionada pela mutação de uma cepa mais transmissível, a Darwin.

Ainda conforme o instituto, a retomada de muitas atividades presenciais e o relaxamento no uso de máscaras também ajudaram a cepa Darwin se disseminar pelo país. A vacinação contra gripe ajuda a conter o aumento dos casos e sintomas mais graves.

Para Ricardo Oliveira, diretor de distribuição da vacina do instituto, o surto é resultante do alto poder de transmissão da Darwin, aliado à queda do número de vacinados em 2021, além do relaxamento das medidas preventivas contra a Covid.

“O surto fora de época pode ter relação com o fato de a cepa H3N2 parecer ser mais transmissível”, explicou Oliveira. “Além disso, a população priorizou a vacinação contra Covid e, com isso, a cobertura vacinal da influenza não chegou ao esperado e pessoas ficaram desprotegidas”.

“Estávamos há dois anos usando máscara e ela protege tanto contra a influenza quanto contra o SARS-CoV-2 porque inibe o contato com vírus respiratórios”, aponta Oliveira. “Porém essas medidas foram relaxadas e as pessoas ficaram mais expostas ao contato com estes vírus”.

O vírus influenza

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Foto: Artem Podrez

Uma vez que o vírus influenza, causador da gripe, circula em nossa sociedade há muito tempo e é considerado o patógeno que mais provocou mortes na história.  No decorrer dos séculos tem causado surtos, epidemias e pandemias. As mais estudadas ocorreram no século 20 (gripe espanhola, gripe asiática e gripe Hong Kong) e 21 (gripe suína, depois nomeada H1N1).

Atualmente, o influenza é composto por quatro tipos: A, B, C e D. Na superfície dos tipos A e B há duas proteínas, a hemaglutinina (HA), que tem o papel de ligar o vírus ao receptor, causador da infecção, e a neuraminidase (NA). O NA, por conseguinte, faz o vírus ser liberado da célula hospedeira para fazer a replicação em outras.

Até agora, só no tipo A já foram identificadas 18 diferentes hemaglutininas (de H1 até H18) e 11 neuraminidases (de N1 até N11).  Assim que são criadas as nomenclaturas que tanto ouvimos falar.

Logo, quando as proteínas se misturam, criam um novo subtipo.

Então, a variação de subtipos pode gerar mais de 30 mil vírus diferentes, porém apenas três podem para atingir humanos: H2N2, H1N1 e H3N2.

A vacina contra a variante Darwin

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Linha de produção da vacina influenza com a variante Darwin (Foto: Instituto Butantan)

A nova vacina contra a influenza será distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2022. Ela é trivalente, composta pelos vírus H1N1, H3N2, do subtipo Darwin, além da cepa B. O Brasil vive um surto de influenza H3N2 e o imunizante será importante para conter o espalhamento do vírus.

“As cepas importadas são encaminhadas para o laboratório piloto e as vacinas devem chegar entre março e abril”, explica o gerente de produção do Butantan, Douglas Gonçalves de Macedo.

Uma versão tetravalente da vacina da influenza, com duas cepas de vírus A e duas cepas do vírus B, também é desenvolvida no Butantan e logo deverá substituir a trivalente.

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