Pesquisadores da Fiocruz alertam para possibilidade de colapso do sistema de saúde

Um dos agravantes é o risco de aumento exponencial de casos de Covid-19 com a chegada das festas de final de ano e férias escolares

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Pesquisadores da Fiocruz alertam para possibilidade de colapso do sistema de saúde Credito: Yan Boechat

Os pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertam, nesta sexta-feira (11), para possibilidade de colapso do sistema de saúde do Brasil nos próximos dias. Um dos agravantes é o aumento exponencial de casos de Covid-19 com a chegada das festas de final de ano e férias escolares. Confira aqui no Blog do Saúde Lab sobre o desfecho dessa situação para os brasileiros.

Leia também: Uso de máscara ​​não afeta prática de exercícios em pessoas saudáveis, diz estudo

Um amplo estudo feito sob a coordenação do diretor da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), Hermano Castro, e o pesquisador André Pèrissé, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Fiocruz, alerta para crescente número de casos e colapso da rede pública de saúde.

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O colapso na saúde é um acontecimento eminente (Imagem: Pixabay)

O documento defende que a circulação das pessoas no período de festas de fim de ano deve acelerar a disseminação do vírus. “A movimentação das pessoas tende a aumentar a necessidade de atendimento, analogamente, por acidentes de trânsito, por exemplo”, cita.

A média móvel nacional de mortes, em queda desde outubro, subiu 34% em comparação com duas semanas atrás, chegando a quase 500 falecimentos diários.  “Podemos descrever a situação do Brasil semelhante à do México, onde a pandemia evolui de modo contínuo e em patamares muito elevados”, conclui o documento elaborado pela Fiocruz e Ensp.

Um importante indicador da dessasistência de saúde está nos números de óbitos fora da UTI. Segundo a nota técnica, a “falta de UTI foi ainda mais expressiva nos municípios do interior, sobretudo pela dificuldade de acesso e as longas distâncias que devem ser percorridas em busca de atendimento”.

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Estudo aponta risco de crescimento de casos de Covid-19 concomitantes nas capitais e cidades pequenas (Foto: Chokniti Khongchum)

Risco de colapso em cidades pequenas

Ainda que a alta de casos venha desde o início de novembro, ainda encontra um sistema de saúde menos preparado para atender a demanda por leitos de enfermarias e UTIs. Entretanto, o risco de colapso não é só nas regiões metropolitanas, mas principalmente nas cidades menores do interior e litoral, garante a Fiocruz.

“A possibilidade de colapso do atendimento aos novos casos é real e não apenas poderá acontecer, como será agravada pela chegada das festas de fim de ano e das férias”, diz o estudo.

Portanto, sem cuidados adequados e sem manutenção do isolamento social, agravará um quadro composto por “desmobilização de leitos extras dos hospitais de campanha; a ocupação de leitos por outros problemas de saúde que ficaram represados durante o avanço da epidemia de Covid-19″.

Assim como poderá haver maior circulação de pessoas e dificuldade de identificação de casos, devido a baixa testagem e ao “relaxamento dos cuidados de distanciamento social, uso de máscaras e higiene”, segundo Diego Xavier, epidemiologista do Icict/Fiocruz e um dos autores do estudo.

“No início da epidemia no Brasil, tivemos uma demanda grande nas regiões metropolitanas, e só depois veio a interiorização, num momento em que a incidência da Covid-19 já apresentava sinais de estabilidade nas cidades maiores”, explica Xavier.

O epidemiologista prevê que o aumento dos casos ultrapassará a capacidade do atendimento à saúde das regiões metropolitanas. “Ao mesmo tempo que reduz recursos para atender pacientes vindos do interior”, explica.

“Na maioria dos lugares a assistência à saúde deverá ser incapaz de atender à demanda”, preocupa-se.

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Fiocruz orienta a manter distanciamento social (Foto: Ketut Subianto)

Retomada de medidas restritivas, sugere Fiocruz

Diante da piora dos indicadores de saúde revelada no documento, os autores sugerem a retomada do isolamento social onde for necessário. “As orientações podem ser especificadas para cada estado, município ou território, mas devem ser seguidas como medida protetiva para salvar vidas”.

Entre as medidas, a restrição de qualquer aglomeração, transporte público sem lotação, suspensão de atividades não essenciais. Assim como o fortalecimento de medidas sanitárias: o distanciamento social, uso obrigatório de máscaras e álcool em gel.

Além do isolamento social, os pesquisadores defendem “garantia de renda mínima para as famílias e a adoção de políticas fiscais, econômicas e financeiras”.

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