Fitoterapia: Tudo Que Você Precisa e Quer Saber

fitoterapia

A promessa da fitoterapia é cura através das plantas!

A fitoterapia é uma ciência que estuda o poder de cura das plantas e demais ingredientes provenientes da natureza. Sabe quando você faz um chá para a dor de cabeça? Pois é, isso é uma prática de fitoterapia.

As plantas têm uma série de elementos poderosos para o nosso organismo. Não é à toa que a fitoterapia é praticada por médicos, dentistas, farmacêuticos e nutricionistas. O Brasil é um campo muito grande de estudo dessa ciência, porque é um país rico em biodiversidade.

Saber sobre as plantas e quais as suas utilidades também é bom, pois ajuda você a lidar com situações de adversidade. É importante conhecer a natureza e o que ela tem para nos oferecer. Também é bacana evitar o uso de medicamentos quando é possível, já que eles possuem muitos efeitos adversos no nosso corpo.

Afinal, o que é fitoterapia?

o que é fitoterapia?

A fitoterapia é um método terapêutico que visa o tratamento do paciente com plantas e fitoterápicos. Essa ciência é milenar, mas atualmente também faz parte das vertentes aprovadas pelo Ministério da Saúde através da medicina alternativa.

Inclusive, a fitoterapia existe no Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte da Política e do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Uma pesquisa mostrou que em 2017, foram feitos 66.445 atendimentos da especialidade no SUS. E já existem 2.160 Unidades Básicas de Saúde que disponibilizam fitoterápicos ou plantas medicinais.

Você até pode achar isso estranho, mas aposto que você já usou algum chá para curar algum problema de saúde. Usar chás para dores de cabeça, enjoo, má digestão e até para emagrecer é uma forma de fitoterapia sim.

Muitas pessoas confundem a fitoterapia com a homeopatia, porém elas são bem diferentes. Na homeopatia, o paciente é visto como um todo, levando em consideração seus hábitos, seu humor e até mesmo a sua personalidade. Os medicamentos da homeopatia, que podem ser de origem animal, mineral ou vegetal, são constituídos através da sucussão, dinamização e diluição dos elementos.

Já na fitoterapia as crenças dependem de cada povo ou comunidade e os medicamentos são apenas de origem vegetal. Além disso, os fitoterápicos são produzidos através de infusão ou cataplasma. Por isso os chás são fitoterápicos famosos.

O que significa fitoterapia?

Do grego, fito (phyto, que é planta) terapia (therapya) significa literalmente “terapia da planta”. Fitoterapia em significado é a manipulação de substâncias encontradas na natureza para fins medicinais. Você pode praticar em casa ou pode mandar manipular um medicamento fitoterápico na farmácia, por exemplo.

Alguns médicos preferem a fitoterapia aos tratamentos convencionais, pois é mais natural e não contém elementos industrializados. Ou seja, não costuma ter efeitos maléficos no nosso organismo. São em sua maioria chás ou ervas aplicadas em zonas do corpo para aliviar sintomas menores, como dores, enjoos, ansiedade e insônia, por exemplo.

Tipos de fitoterápicos

tipos de fitoterapia

Os fitoterápicos vão muito além dos chás. Claro que os chás são os tipos mais comuns e que nos lembramos com mais frequência. Todavia existem muitos outros. Veja abaixo quais as principais apresentações dos medicamentos feitos a partir de plantas:

  • Comprimidos e cápsulas: contêm o princípio ativo da planta. Tomam-se, como qualquer outro fármaco, por via oral. Apesar de serem de venda livre, você não deve tomá-los sem conhecimento do seu médico.
  • Tinturas: são as preparações de plantas com álcool, a fim de extrair e conservar as suas propriedades. Toma-se oralmente, em pequenas quantidades, como alguns florais. Não devem ser oferecidos às crianças, por causa do álcool. Também não são apropriados aos diabéticos.
  • Infusões: mistura-se a planta ou partes dela com água fervente. Normalmente deixa-se repousar durante alguns minutos, e bebe-se em seguida. É o caso da maioria dos chás e infusões livre de teína.
  • Decocções: diferente das infusões, nas decocções as partes da planta são colocadas para ferver juntamente com a água. Após ferver por cerca de dez minutos, coa-se e bebe-se.
  • Cremes e bálsamos: são feitos com a planta ou partes dela, de forma natural e não industrializada. Aplica-se externamente.
  • Compressas quentes ou frias: mergulha-se um pano na infusão aconselhada e aplica-se na zona afetada. São usadas para combater dores e problemas das articulações. Também são boas para aliviar inchaços.
  • Cataplasmas: são preparados com plantas frescas ou mesmo ervas secas umedecidas. Transforma-se o preparado numa pasta com a ajuda da água quente e aplica-se com o auxílio de ligaduras na região afetada.
  • Banho de ervas: é feito com ervas secas ou frescas, óleos essenciais e geralmente é utilizado para relaxar o corpo e aliviar o estresse.

Mas para que serve?

fitoterapia

Podemos simplificar dizendo que serve para tudo. Desde dores menores até na melhora de sintomas de doenças crônicas. A fitoterapia é ideal para pessoas com alergias aos medicamentos ou hipersensibilidade.

Porém atenção! Nem tudo o que você consome que provem na natureza é um fitoterápico. As plantas medicinais podem ser ingeridas in natura. Os remédios fitoterápicos são produzidos a partir de matéria-prima natural.

Os fitoterápicos também podem causar efeitos adversos quando usados em demasia. O ideal é sempre falar com um médico antes de iniciar qualquer tratamento, para verificar se ele é adequado para você.

E nunca abuse das doses recomendadas, até água demais faz mal!

Será que é confiável?

Há muitos estudos que revelam bons resultados no uso de fitoterápicos em pacientes com doenças respiratórias, câncer, diabetes e dores crônicas. São medicamentos menos invasivos e que não fazem mal nenhum. Nos casos indicados por um profissional de saúde são confiáveis.

Além disso, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% da população mundial utiliza fitoterápicos em algum momento da vida. Em alguns países, a fitoterapia é inclusive regulamentada por lei.

No Brasil, o SUS já trabalha com o uso desses medicamentos há dez anos. Só em 2015, o Ministério da Saúde afirma ter tratado 16 mil doentes com essa terapia. Inclusive a prática faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).

Fitoterapia chinesa

A fitoterapia chinesa é a prática da fitoterapia proveniente do país asiático. Ela se difere um pouco da fitoterapia utilizada em países ocidentais porque tem outras formas de aplicação e uso. Na modalidade chinesa, por exemplo, é possível utilizar até seis medicamentos fitoterápicos ao mesmo tempo em um determinado tratamento.

Inclusive, a fitoterapia em geral, acredita-se, provém da China e da cultura asiática. Estudos mostram que os chineses já utilizavam técnicas fitoterápicas ha mais de dois mil anos atrás.

Recentemente, o governo chinês publicou um dicionário de drogas herbais chinesas abrangendo 5.767 tipos de substâncias medicinais. Contudo, na realidade e na prática clínica só são usadas regularmente cerca de 300 ervas.

Plantas medicinais mais comuns

plantas medicinais

Gostou de saber mais sobre a fitoterapia? Então fique por dentro das plantas mais utilizadas atualmente nessa medicina alternativa. Confira abaixo uma lista com as ervas e suas principais finalidades!

  1. Espinheira-santa: serve para gastrite, úlcera duodenal e dispepsias.
  2. Guaco: é expectorante e broncodilatador.
  3. Aroeira: é cicatrizante, anti-inflamatório e antisséptico.
  4. Unha-de-gato: pode ser aplicada em casos de artrites e osteoartrite.
  5. Hortelã: trata síndrome do cólon irritável e problemas de intestino.
  6. Babosa: utilizada em queimaduras, conjuntivite e cabelos.
  7. Salgueiro: anti-inflamatório para a região lombar.
  8. Chá verde: bom para acelerar o organismo, desinchar e emagrecer.
  9. Funcho: alivia gases, inchaço e desconforto abdominal.
  10. Melissa: acalma, ajuda a dar sono e combater a insônia.

Curso de fitoterapia

Existem muitos cursos no Brasil e lá fora visando ensinar essa especialidade da medicina alternativa. A Associação Brasileira de Fitoterapia (Abfit) oferece inclusive uma pós-graduação reconhecida pelo Ministério da Educação em fitoterapia e prática clínica. O curso possui uma carga horária de quase 400 horas e é dividido em 18 meses.

A Universidade de São Paulo (USP) também possui um curso de extensão em fitoterapia aplicada. O curso é de graça e está todo disponibilizado online na plataforma da universidade. É voltado para qualquer pessoa que se interesse pelo tema e visa ensinar pessoas leigas a utilizar o poder das plantas em casa.

Existem vários outros cursos online e presenciais de fitoterapia por aí. Fique de olho em qual a entidade organizadora e se o curso é mesmo certificado. Lembre-se que mesmo com um curso desses, você não pode praticar a fitoterapia em outras pessoas sem ser médico ou ter uma autorização para tal.

Além disso, é possível encontrar muita informação em livros sobre fitoterapia em sites como a Americanas ou Amazon. Há muitos livros que falam das plantas, seus usos e como você pode utilizá-las no seu dia a dia.

 

 

 

Fontes consultadas

Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde, Ministério da Saúde e Portal da Educação

Fontes bibliográficas:

  • Cheng KF; Leung KS; Leung PC Interactions between modern and Chinese medicinal drugs: a general review. Am J Chin Med. 2003; 31(2):163-9
  • Oliveira, M., Simoes, M., & Sassi, C. (2006). Fitoterapia no sistema de saúde pública (SUS) no estado de São Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 39-41.
  • Rates, S. M. K. (2001). Promoção do uso racional de fitoterápicos: uma abordagem no ensino de Farmacognosia. Revista Brasileira de Farmacognosia, 11(2), 57-69.
  • Turolla, M. S. dos R., & de Souza Nascimento, E. (2006). Informações toxicológicas de alguns fitoterápicos utilizados no Brasil. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, 42(2), 289-306.

Crédito das Imagens: Unsplash