Home Office: como tornar seu trabalho mais produtivo com os recursos que tem?

Confira dicas essenciais para melhorar sua qualidade de vida no trabalho em home office que não vai embora tão cedo

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Ergonomista dá dicas simples e eficentes para melhorar a produtividade ( Foto: Vlada Karpovich)

As dificuldades do home office são inúmeras e sabemos disso. Por isso, trouxemos uma entrevista exclusiva com o ergonomista Marcelo Forrestieri Fernandes, que vai dar dicas simples e preciosas de como tornar seu trabalho mais produtivo: “Busque adaptações no ambiente de sua casa, com os recursos que tem”.

“A ergonomia trabalha para que a pessoa seja mais produtiva possível em seu ambiente de trabalho, resguardando sua saúde e segurança, explica Fernandes. “Analisa-se o ser humano, o que consegue e não consegue fazer, as questões posturais, biomecânicas (como os movimentos acontecem) e antropométricas (os alcances)”.

Quando o ergonomista chega em um ambiente, observa tudo que pode causar uma doença relacionada ao esforço repetitivo no trabalho (LER), assim como o que influencia a produtividade, explica Marcelo. Ele é formado em Desenho Industrial, pós-graduado em Ergonomia e mestrado em Engenharia de Materiais.

“A ergonomia cuida, não apenas da qualidade de vida ocupacional, mas também da pessoa jogando videogame, por exemplo”, pontua o ergonomista. “Tudo pode impactar diretamente em sua qualidade de vida”.

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A urgência da pandemia

Fernandes explica que a pandemia exigiu medidas urgentes. “Quando entramos para trabalhar em uma empresa nova, precisamos de um tempo para adaptação. Algo semelhante aconteceu no home office, já que pouquíssimas pessoas tinham em suas casas um ambiente propício para trabalhar”.

Foi necessário um tempo para ambientação e adaptação deste novo modelo, período em que a produtividade caiu e o desafio era procurar dentro da nova realidade algum conforto, mesmo com crianças em casa e com poucos recursos tecnológicos que precisaram ser descobertos no home office.

O Coworking dirigido por Marcelo, é procurado por muitos professores que não conseguem gravar suas aulas em casa e precisam de um ambiente silencioso ou de uma internet estável para fazer a transmissão.

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Um dos desafios do home office é lidar com ambientes barulhentos e as crianças em casa (Foto: Ketut Subiyanto)

Melhorando a produtividade em home office

Ao alcance das mãos

No home office, antes do início da labuta, é bom deixar tudo que vai utilizar em sua atividade ao alcance da mão, desde água, carregadores, adaptadores, papéis, tomadas necessárias. Este cuidado evita pausas excessivas e quebra de raciocínio.

Segundo o especialista, quem faz uso de notebook durante um tempo prolongado, é interessante a utilização de teclado e mouse externos. Ele explica que cansa menos as mãos, além de evitar que a pessoa fique muito tempo com a coluna curvada, tanto para digitar quanto para olhar a tela.

Iluminação

A iluminação do ambiente é muito importante. Fernandes sugere o uso de luz branca, na mesma intensidade da iluminação da tela, seja do notebook, seja do celular. “Se o ambiente está menos iluminado do que a tela, é bem provável que ao final do dia o usuário esteja com dor de cabeça”.

Isso porque a pupila varia de tamanho para captar mais luz do ambiente e então fornecer uma imagem nítida e clara para o cérebro. Em locais em que há pouca luz, a pupila dilata para que se possa enxergar melhor. Enquanto em lugares com muita luz, a pupila se contrai para controlar a entrada de luz. Esta variação é responsável por causar fadiga e até dor nos olhos e cefaleia. 

A maioria das pessoas deixam para trocar suas lâmpadas quando elas queimam, porém antes de queimar ela já perderam luminosidade, o correto seria trocar a lâmpada quando atingir seu tempo de vida útil. Uma lâmpada vencida se torna insalubre.

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Altura e distância da tela

O tempo médio de permanência no trabalho é de oito horas diárias, com intervalo de uma hora. Para evitar dor no pescoço e nos ombros ao final do dia, o topo do monitor deve estar na altura dos olhos fornecendo uma amplitude maior da tela. A distância ideal dos olhos para tela é, geralmente, um braço esticado, segundo Marcelo, variando de acordo com a dificuldade visual de cada pessoa.

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Monitor na altura dos olhos, cadeira adequada e boa iluminação fazem a diferença no home office (Foto: Elly Fairytale)

Cadeira

O ergonomista enfatiza que o ideal é que se utilize também produtos que proporcionem o estado ergonômico, ou seja, conforto durante a sua utilização.

“Cadeiras que deixam a coluna reta e de altura correta, primordialmente as que seguem as normas ABNT, com elevação do assento, dos braços e do encosto, bem como um suporte para os pés quando necessário”, indicou.

Pausas criativas

A ergonomia sugere que sejam feitas pausas criativas durante o período de trabalho, segundo Fernandes, “um período para leitura ou desenho, ou algo que traga prazer ao ser desempenhado, para alimentar a mente de criatividade, para dar uma oxigenada no cérebro”.

O cansaço mental e o desconforto interferem diretamente na produtividade; as demandas e os prazos acabam influindo diretamente tanto no espaço físico quanto cognitivo da pessoa.

“O que temos visto hoje é muito stress, síndrome do pânico, crises de ansiedade de todos. O isolamento social influenciou, claro, mas existe a questão do excesso de informação”, pontua.

Ele lembra que somos bombardeados por informações das mais diversas, o tempo todo, no computador, no celular, na TV, de pessoa para pessoa. “Por isso afirmo que o descanso cognitivo é muito importante. Precisamos ter pausas de informação para descanso mental”.

O ergonomista lamenta que pessoas almocem na frente da televisão, consumindo notícias. “Eu conheci um único restaurante que não tinha TV e tocava música clássica na hora do almoço, proporcionando uma outra sensorialidade”, comemora. “É um momento de descanso para a mente”.

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Comunicação ineficiente no home office

Outra dificuldade do Home Office, é a distância física de pessoas que podem auxiliar na tomada de decisões ou de esclarecimento de dúvidas, pontua Fernandes. “Ainda que existam comunicadores, a resposta não é tão imediata ou eficiente quanto pessoalmente”.

“Gosto muito de um poema de Augusto dos Anjos, chamado “a ideia”, onde ele diz da dificuldade de expressar-se e considera a palavra como uma mulamba paralítica, devido a sua limitação”, compara. “Uma palavra nunca é suficiente para expressar uma ideia e no home office, a maior dificuldade é comunicar-se de forma adequada”.

Um propósito

Outro ponto importante para a qualidade de vida é o engajamento em algum trabalho voluntário, afirma o especialista. “O voluntariado é importante não só porque você está ajudando alguns setores da sociedade, é importante também para o crescimento pessoal”.

“Quando você dá um presente para alguém, o que você mais aprecia: Como a pessoa olha o presente ou como ela te olha quando recebe o presente?”, questiona Marcelo. “O trabalho voluntário é esta emoção de receber de volta a energia que você empregou, é emoção de ter feito a diferença na vida de outra pessoa”.

“É ter uma vida com propósito”, conclui.

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