Médico pneumologista adverte: Ivermectina pode provocar hepatite medicamentosa

O medicamento, que é vendido em farmácias sem receita médica, é um antiparasitário eficiente, mas não foi testado em humanos para Covid-19

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Ivermectina
Pneumologista alerta para overdose do remédio ( Foto:JeShoot)

O médico pneumologista e especialista em doença pulmonar avançada, Dr. Fred Fernandes, advertiu esta semana que o uso de Ivermectina pode provocar hepatite medicamentosa.

A hepatite medicamentosa é uma grave inflamação do fígado causada pelo uso prolongado de medicamentos.

O desenvolvimento da hepatite medicamentosa pode estar relacionada, em alguns casos, com o uso em excesso de alguns medicamentos ou com a sua toxicidade. Ou ainda, pode acontecer devido à hipersensibilidade da pessoa ao remédio.

O médico usou suas redes sociais para informar casos de pessoas que receberam o medicamento em doses altas e tiveram sua saúde gravemente afetada.

Ele citou um jovem com caso leve de Covid-19, ministrado com Ivermectina, entre 18 e 30 mg por dia, durante uma semana. Entretanto, a dose máxima recomendada do remédio, conforme informado por Fernandes, é entre 6 e 12 mg, em dose única.

“[O paciente] Está a um passo de precisar de um transplante de fígado”, lamenta o Pneumologista.

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O Pneumologista lamenta as consequências da Ivermectina (Imagem: Twitter)

O que é Ivermectina?

O medicamento, que é vendido em farmácias sem receita médica, é um antiparasitário principalmente indicado no tratamento da oncocercose, elefantíase, pediculose, ascaridíase e escabiose. A Ivermectina é normalmente usada em dose única de acordo com o agente infeccioso que deve ser eliminado e o peso do paciente.

Assim como aconteceu com a cloroquina, hoje contraindicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por órgãos regulatórios nos Estados Unidos para o tratamento da Covid-19 por causa de seu risco cardiovascular, a Ivermectina passou a ser indicada, sem que aguardasse a fase de testes em humanos.

Cloroquina, hidroxicloroquina, Ivermectina e azitromicina estão entre medicamentos indicados pelo Ministério da Saúde, a pedido do presidente Jair Bolsonaro. Foi chamado “tratamento precoce” da Covid-19, porém sem qualquer tipo de comprovação científica de sua eficácia.

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A Anvisa se posicionou sobre a aplicabilidade do remédio (Foto: Pixabay)

O posicionamento da Anvisa sobre a Ivermectina

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retomou a questão sobre o uso do vermífugo, e informou que “não existem, ainda, resultados conclusivos sobre a eficácia da Ivermectina no combate à Covid-19″.

Conforme o comunicado do órgão, “não existem dados que indiquem qual seria a dose, posologia ou duração de uso adequada para impedir a contaminação ou reduzir a chance de gravidade da doença”. Além disso, informa que os resultados encontrados in vitro podem ser muito diferentes dos encontrados in vivo, ou seja, quando testada em pacientes humanos.

“As indicações aprovadas para a Ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento”, explica a Anvisa em nota oficial. Bem como seu uso fora do previsto na bula “é de escolha e responsabilidade do médico”.

Dessa forma, pela falta de estudos conclusivos, o medicamento não pode ser considerado como eficaz. “No caso da Ivermectina, os estudos disponíveis acerca da sua eficácia no tratamento da Covid-19 ainda não são conclusivos”, informa em seu comunicado.

Além disso, a farmacêutica Merck, que produz o antiparasitário, publicou um comunicado esclarecendo que o medicamento não possui nenhuma evidência da eficácia em pacientes contaminados pelo coronavírus.

“Não acreditamos que os dados disponíveis suportem a segurança e eficácia da ivermectina além das doses indicadas nas informações de prescrição aprovadas pela agência reguladora”, concluiu Merck.

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