Mentalidade de dieta pode atrapalhar sua perda de peso, entenda

Aprenda com a nutróloga que não existem alimentos proibidos, mas a liberdade de escolher qual é bom naquele momento

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Mentalidade de dieta pode atrapalhar sua perda de peso, entenda (Foto: Pixabay)

A mentalidade de dieta pode atrapalhar sua perda de peso, é o que afirma a médica endocrinologista, metabologista e nutróloga Fernanda Gomes de Melo. Agora, entenda o que é e como mudar esta situação, com dicas práticas.

Foi do livro “Nutrição Comportamental”, que a médica absorveu o conceito de “mentalidade de dieta”, que é a falsa esperança de que existe uma dieta que leve à perda de peso rápida, fácil e permanente.

“Porém, essas dietas só servem para frustrar e fazer a paciente se sentir fracassada toda vez que engorda, mas enriquecendo seus criadores”, explica Fernanda.

A médica alerta que “o correto é o comer intuitivo, ou seja, ao se alimentar levar em consideração as necessidades do próprio corpo, a fome e a saciedade”.

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Mentalidade de dieta e efeito sanfona

A nutróloga cita o caso de muitas pacientes mulheres que trazem relatos de angústia no processo de emagrecimento, que atrapalha suas vidas e na manutenção do peso perdido.

Você pode até se reconhecer em alguma dessas situações: primeiro, você começou a seguir uma dieta que dizia que a gordura era o grande vilão da sua vida. Aí você preparou tudo sem gordura, fez uma alimentação completamente diferente do resto da família.

Assim, seguiu por um tempo, mas acabou desistindo. Perdeu peso, não perdeu, talvez tenha perdido, mas recuperou logo em seguida. Na sequência, aparece uma nova dieta da moda fazendo sucesso. Os entusiastas alegam ter evidências científicas de que você tem que, na verdade, que tirar todo carboidrato da alimentação e a gordura está liberada, até mesmo incentivada.

Assim, a mulher decide tentar, já que tem tanta gente dizendo que funciona. De novo, faz alimentação diferente do seu habitual, do resto da família, perde peso (ou não) se sente mal (ou não, porque está perdendo peso), abandona a dieta e recupera o peso perdido.

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Dietas novas aparecem todos os dias, colocando os alimentos como vilões (Foto: Karolina Grabowska)

As diversas dietas e a mentalidade de dieta

Depois de algum tempo alternando dietas, você já não sabe mais nem o que você quer comer, nem o que deve comer. Você fica na desconfiança, afinal ninguém parece concordar sobre o que faz bem, o que faz mal.

A cada momento um alimento diferente é demonizado: primeiro é o ovo, depois é o açúcar, aí é a lactose, ou o glúten. Dietas surgem a cada semana, o número de livros de dieta aumenta exponencialmente com os números da obesidade e dos transtornos alimentares, o que aumenta ainda mais a confusão nutricional.

Então chega a hora que, depois de tantas dietas, tantas regras externas, você não sabe mais identificar se tem fome ou não, se está satisfeita ou não, porque está comendo o que está comendo a cada momento.

“Você come porque está triste, porque está entediado, porque disseram que é hora de comer. Todos os alimentos parecem proibidos, então come tudo com culpa”, exemplifica a médica.

E, se em algum momento eu já comecei a comer um pãozinho, tão proibido e pecaminoso, vou enfiar o pé na jaca. Já que eu comi um brigadeiro na festa, vou aproveitar e comer todos que puder. Olho o bolo de chocolate e já sinto dor no coração. “Meu Deus acho que eu vou engordar só de olhar”.

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O alimento não é vilão

Com a mentalidade de dieta, o alimento acaba perdendo uma das funções principais, além de prover nutrientes, que é a satisfação, o prazer em comer. “Vira tudo uma grande tortura, a alimentação passa a ser baseada em cálculos matemáticos: contar calorias, gramas de carboidrato, ou de gordura”, explica Fernanda.

E a médica vê que neste ponto a mulher fica cada vez mais confusa, pensando em comida o tempo inteiro e ficando cada vez mais insatisfeita com o corpo, comendo transtornado.

“Todo transtorno alimentar começa com uma dieta restritiva da moda, maluca”, explica a nutróloga. Comer transtornado é comer compulsivo, comer emocional, beliscador, bulimia nervosa. “Tudo isso tem como ingrediente importante a mentalidade de dieta”, pontua.

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A médica orienta a prestar atenção nos alimentos (Foto: Pixabay)

Com isso, a pessoa não presta atenção no que come nem se satisfaz com o que come, não é mais capaz de reconhecer os sinais de fome e de saciedade. Assim como vem a alimentação com culpa, pratos maravilhosos de dieta super restritiva, mas beliscos fora de hora, comer compulsivamente, comer escondido.

Dietas restritivas podem não funcionar

A dieta restritiva, segundo a endocrinologista, não é uma prática sustentável. Do mesmo modo, ela sugere passos para a mudança de mentalidade para o comer intuitivo:

1 – Pare com a dieta, bem como parar de acreditar que os planos de solução rápida podem produzir resultados duradouros.
2 – Jogue fora livros e artigos de revistas que prometem rápida perda de peso e rejeitar qualquer método que dite o que ou quanto você pode comer.
3 – Honrar sua fome. A dieta não funciona quando deixa você se sentindo privada e fisicamente faminta, o que pode provocar a compulsão. Então, ao invés de contar calorias ou restringir as porções, preste atenção aos sinais de fome do seu corpo.
4 – Comer quantidade suficiente de nutrientes para manter o corpo alimentado e saciado. Uma vez que você aprende a reconhecer esses sinais, torna-se mais fácil confiar em seus instintos e consertar relações não saudáveis ​​com a comida.
5 – Faça as pazes com a comida. Quando alimentos são proibidos, isso os torna ainda mais tentadores. Então, quando você come esses alimentos, você sente culpa, o que cria um ciclo vicioso. É por isso que um princípio de comer intuitivo é dar a si mesmo permissão incondicional para comer.
6 – Desafie o “policiamento” com a comida. A alimentação intuitiva descreve a polícia alimentar como aquelas vozes em sua cabeça que lhe dizem que é bom comer menos calorias e que é ruim comer sobremesa. É a maneira de sua mente monitora todas as regras de dieta que você ouviu várias vezes ao longo dos anos e fazer com que você se sinta culpada por não segui-las ao pé da letra.
7 – Respeite sua saciedade. É importante comer quando você está com fome, mas também é importante parar quando a sensação de fome não está mais presente.
8 – Descubra o fator de satisfação. É perceber e apreciar o sabor e a textura da comida, mas também o ambiente em que você está comendo. Este é o centro da alimentação intuitiva.
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Uma dica é comer com pausas, para sentir a saciedade (Foto: Alexandre Podvalny)
“O que eu gosto de comer? O que é bom no meu corpo?”. Quando você pode trazer o prazer e a alegria de volta para a alimentação, pode se sentir satisfeito depois de uma refeição, seguir em frente e aproveitar o resto de sua vida, em vez de continuar a comer por outras razões.
9 – Acolha seus sentimentos sem usar comida. As pessoas, sem dúvida, comem demais por causa da ansiedade, solidão, tédio, raiva ou estresse. É por isso que é importante chegar à raiz desses problemas e encontrar maneiras de se cuidar e solucioná-los sem se voltar para a comida.
10 – Aceite seu corpo. A alimentação intuitiva também diz respeito à aceitação do corpo: isso significa sentir-se bem com seu biotipo e com o corpo que você deveria ter.  Do mesmo modo, não criar expectativas irrealistas sobre quanto peso pode perder ou qual tamanho de jeans você pode usar.

A alimentação intuitiva não é um plano de perda de peso, embora as criadoras digam que algumas mulheres emagrecem quando deixam para trás sua história insalubre com dieta e restrição alimentar.

11 – Respeite sua saúde com uma nutrição gentil. Mesmo que a alimentação intuitiva pregue uma mentalidade de “coma o que você quer”, isso não significa que suas fundadoras não se importam com uma boa nutrição. Na verdade, seu conselho final é fazer escolhas alimentares que respeitem a sua saúde, bem como o seu paladar.

Em outras palavras, comer intuitivamente ainda deve envolver mais frutas e verduras do que sorvete. Ao mesmo tempo, uma dieta não precisa ser perfeita para ser saudável, e você não deve se culpar toda vez que fizer uma refeição ou uma opção menos regrada.

Mudança de hábitos alimentares
E comer intuitivamente ainda deve envolver mais frutas e verduras do que sorvete | Imagem Vila Mulher

Trocando mentalidade de dieta por alimentação intuitiva

Algumas dicas que provavelmente já são conhecidas e pouco praticadas. Confira com atenção, e internalize-as para começar a pratica-las o quanto antes. São elas:

1 – Remova as distrações e desfrute das refeições com todos os seus sentidos
2 – Pare de comer no piloto automático. Sente-se sem livros, sem TV, computadores, celular e sem nenhuma conversa séria para distraí-lo. Sem fazer julgamentos sobre isso, preste atenção em tudo que você come.
3 – Empregue todos os cinco sentidos, não apenas o sabor, quando você come é uma maneira fácil de ser mais consciente. Isso lhe dá mais prazer com sua comida, então você acaba ficando mais satisfeito. Olhe para as cores do seu prato e inspire o aroma. Aprecie a textura.

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