Descubra o spray nasal para tratamento da depressão aprovado pela Anvisa

A escetamina intranasal deverá ser administrada somente em hospitais e clínicas autorizadas, sob supervisão de um profissional de saúde

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spray para depressão
Descubra o spray nasal para tratamento da depressão aprovado pela Anvisa (Imagem: Tribuna Jundiaí))

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso no Brasil do primeiro spray nasal para o tratamento de casos graves de pacientes com depressão. O Spravato, é o primeiro fármaco da classe dos psicotrópicos a conquistar a liberação. Confira nesse Domingo (29) e conheça mais sobre o tema aqui no SaudeLab  sobre esse medicamento.

Segundo a fabricante da droga, a Escetamina Intranasal é indicada para a depressão resistente ao tratamento (DRT) convencional.  Semelhantemente, para a rápida redução dos sintomas depressivos em pessoas adultas com comportamento suicida agudo.

“O medicamento tem demonstrado rápido início de ação e tolerabilidade do paciente ao tratamento. Os resultados de dois ensaios clínicos idênticos de Fase 3 demonstraram que a escetamina em conjunto com a terapia reduziu os sintomas depressivos em até 24 horas após a primeira dose”, destacou Janssen-Cilag Farmacêutica, fabricante da droga.

A escetamina intranasal deverá ser administrada somente em hospitais e clínicas autorizadas, sob supervisão de um profissional de saúde.

Depressão, suicidio
O spray deve ser usado em casos de depressão refratária (Foto: Marcelo Camargo)

Depressão Resistente

São mais de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), sofrendo com transtornos depressivos. E menos da metade porém, recebe o tratamento adequado.

Ainda assim, aproximadamente 1/3 dos pacientes, não obtêm melhora com a medicação comum, quadro classificado a princípio como depressão resistente ou depressão refratária.

depressão
Na ausência da saúde mental as pessoas ficam suscetíveis a perder a esperança na terapia( Imagem: prosaúde.org.br)

A depressão gera tristeza profunda, oscilações de humor, perda de interesse em atividades antes vistas como prazerosas, insônia, melancolia e desânimo. Em casos mais graves, é capaz de afastar o indivíduo do trabalho e do convívio social, além de provocar ideações suicidas.

Não é possível prever que um indivíduo desenvolverá a refratariedade. No entanto, existem alguns fatores de risco. Entre eles, é importante citar o histórico familiar, idade, estressores psicossociais e outras enfermidades clínicas (problemas hormonais ou neurológicos, por exemplo).

Após este difícil diagnóstico, as pessoas ficam suscetíveis a perder a esperança na terapia e deixar de confiar na abordagem profissional. É comum que familiares e amigos julguem o paciente por achar que ele prefere continuar doente ou que não tenha se esforçado o suficiente para melhorar.

De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), entre 2015 e 2018, houve aumento de 52% nos atendimentos ambulatoriais e internações relacionados à depressão, passando de 79.654 para 121.341 procedimentos.

Na faixa etária de 15 a 29 anos, o aumento foi de 115%, passando de 12.698 para 27.363 procedimentos.

depressão mulher jovem
O Spravato é indicado apenas para quadros graves, devido aos efeitos colaterais que provoca (Imagem: Freepik)

Ação do Spray

Enquanto os antidepressivos tradicionais agem para estabilizar os níveis dos neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar (dopamina, noradrenalina e serotonina), o Spravato age diretamente nos receptores de glutamato. Esta é a molécula que melhora a conexão entre os neurônios e estimula regiões do cérebro ligadas às emoções.

O princípio ativo do spray é a Escetamina (derivada da Cetamina), anestésico criado em 1960 para induzir a sedação em procedimentos cirúrgicos. Entretanto, ficou demonstrado que a substância produz efeitos antidepressivos quando ministrada em pequenas doses.

Segundo a companhia, os estudos apontaram melhoras em 70% dos voluntários. Pessoas com alto risco de suicídio também tiveram redução dos sintomas depressivos, mas não observaram alterações significativas nos pensamentos suicidas.

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A medicação estimula regiões do cérebro ligadas às emoções (Imagem: drrashn.ir)

O médico Lucas Hauaji, da ala psiquiátrica da Casa de Saúde Saint Roman, no Rio de Janeiro, lembra que a medicação também tem efeitos colaterais importantes.

Igualmente, seu funcionamento ainda não é completamente conhecido: “Só a usamos quando de fato as outras alternativas já se esgotaram e seu uso for associado a um fármaco oral”.

“Todavia, se após três mudanças de medicamentos, assim como correto tratamento, o paciente continuar com sintomas, consideramos que é caso de depressão refratária, então a escetamina é recomendada”, explica Hauaji.

Efeitos adversos

A Jansenn confirma que o remédio tem efeitos adversos. Entre os sintomas estão: dissociação, ansiedade, sensação de embriaguez, sentido reduzido de toque, parestesia, náuseas, tontura, vertigem, aumento da pressão arterial e sonolência.

As pessoas que desejam tratamento com essa medicação devem procurar atendimento psiquiátrico ou psicológico para dar prosseguimento a recuperação do equilíbrio mental, físico e emocional.

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