Ronco, cansaço, insônia? Médico explica o que é polissonografia e o que ela pode descobrir sobre você

Você sabe o que é polissonografia? Esse exame é fundamental para investigar distúrbios do sono que muitas vezes passam despercebidos, mas que podem afetar profundamente sua saúde física e mental.

Problemas como apneia, ronco intenso, insônia ou movimentos involuntários durante a noite podem ser identificados de forma precisa com a polissonografia.

Milhões de pessoas sofrem com noites mal dormidas, acordam cansadas ou sentem sonolência excessiva durante o dia, sem imaginar que há algo errado com o sono.

Para descobrir o que acontece com o corpo enquanto dormimos, é preciso monitorar a atividade cerebral, a respiração, o coração e até os músculos; e é exatamente isso que a polissonografia faz.

Conversamos com o médico André Luis Soares Pinto (CRM-RN 4274 – RQE 1405), pneumologista e especialista em Medicina do Sono, para entender melhor o que é polissonografia, como o exame é feito, o que ele detecta e quando deve ser realizado. Veja a seguir!

O que é polissonografia e para que serve o exame

A polissonografia é um exame utilizado para monitorar o sono e diagnosticar distúrbios como apneia, insônia, bruxismo, sonambulismo e outros comportamentos anormais que ocorrem durante a noite.

Durante o exame, diversos sensores são conectados ao corpo do paciente para registrar sinais vitais e atividades cerebrais enquanto ele dorme.

Essas informações ajudam médicos a identificar alterações no sono que não seriam percebidas de outra forma.

A polissonografia é o principal exame para entender o que está atrapalhando o sono de forma precisa. Em muitos casos, é a única forma de descobrir distúrbios sérios que o paciente nem imagina que tem”, afirma o Dr. André Pinto.

Como é feito o exame de polissonografia

O exame de polissonografia é feito durante uma noite inteira de sono.

O paciente vai até uma clínica ou laboratório especializado no início da noite e dorme em um quarto preparado para o monitoramento do sono.

Antes de deitar, são colocados sensores em diferentes partes do corpo:

  • Nariz e boca (para avaliar a respiração);
  • Peito e abdômen (para movimentos respiratórios);
  • Cabeça (para atividade cerebral);
  • Pernas (para movimentos musculares);
  • Dedo (para medir oxigenação do sangue).

É um procedimento totalmente indolor. Os sensores ficam fixados com adesivos ou faixas, e o paciente dorme normalmente. O objetivo é captar tudo que acontece durante o sono para depois analisarmos com calma”, explica o médico.

A avaliação não interfere no sono natural do paciente.

A iluminação do quarto é ajustada para garantir conforto, e há um técnico disponível para auxiliar em qualquer necessidade.

As informações captadas pelos sensores são enviadas para um computador, que registra tudo para que o médico especialista possa analisar no dia seguinte.

Nesse contexto é possível identificar interrupções na respiração, movimentações anormais, roncos intensos ou padrões cerebrais fora do normal”, afirma o especialista.

Quais doenças a polissonografia detecta

A polissonografia é indicada quando há suspeita de distúrbios do sono.

Segundo o Dr. André, ela pode ajudar a identificar diversas condições que afetam o descanso noturno e, consequentemente, a qualidade de vida da pessoa.

Veja algumas das principais doenças e condições que o exame pode detectar:

  • Apneia obstrutiva do sono: quando a respiração para por alguns segundos várias vezes durante a noite.
  • Ronco crônico: quando o ronco está associado a alterações respiratórias.
  • Insônia de difícil controle: ajuda a entender se há causas fisiológicas associadas.
  • Síndrome das pernas inquietas: movimentos involuntários que impedem o sono profundo.
  • Narcolepsia: sonolência extrema durante o dia e episódios repentinos de sono.
  • Parassonias: como sonambulismo, pesadelos intensos, fala durante o sono, entre outros.

Em muitos casos, o paciente não tem consciência de que sofre de apneia, por exemplo. Ele apenas sente muito sono durante o dia, irritabilidade ou dores de cabeça ao acordar. A polissonografia é o único exame capaz de revelar esses episódios noturnos com precisão”, ressalta o médico.

Quantas horas dura uma polissonografia

A avaliação costuma durar uma noite inteira, ou seja, entre 6 a 8 horas de sono monitorado.

O paciente geralmente chega ao laboratório por volta das 20h ou 21h, e é liberado pela manhã, após o término do registro de dados.

A quantidade mínima de horas necessárias pode variar dependendo do protocolo médico, mas o ideal é que o procedimento consiga captar o ciclo completo do sono — incluindo sono leve, profundo e sono REM.

Se o paciente acordar durante a noite ou demorar a dormir, não tem problema. O exame leva em consideração o tempo efetivo de sono e todas as fases que forem registradas”, explica o Dr. André.

Pode ir ao banheiro durante o exame de polissonografia

Segundo o especialista, essa é uma dúvida bastante comum, e a resposta é sim, é possível ir ao banheiro durante a polissonografia, mesmo com os sensores conectados.

Os sensores são fixados com adesivos leves e os fios permitem mobilidade. Se o paciente quiser ir ao banheiro, é só avisar o técnico, que o ajudará a se levantar com segurança e pausar o registro temporariamente”, tranquiliza.

Ou seja, o procedimento não impede movimentos essenciais e não deve ser motivo de preocupação para quem precisa se levantar durante a noite.

Polissonografia em casa é possível?

Sim, a polissonografia domiciliar é uma realidade cada vez mais comum no Brasil, especialmente nos casos em que o paciente tem dificuldades para se deslocar ou não se sente confortável dormindo em um laboratório.

Nesse formato, o paciente recebe um kit com os sensores e instruções, ou é visitado por um técnico especializado que instala o equipamento na própria casa. Depois, o material é recolhido e analisado por um médico especialista.

A versão domiciliar tem crescido bastante, principalmente por ser mais prática. No entanto, ela costuma ter menos canais de monitoramento do que a polissonografia feita em laboratório”, alerta o Dr. André.

Por que fazer uma polissonografia pode mudar sua vida

Dormir bem não é luxo, é uma necessidade básica.

Distúrbios do sono afetam o humor, a concentração, a imunidade e até o funcionamento do coração e do cérebro.

Quem ronca muito, acorda cansado ou tem sono excessivo durante o dia pode estar enfrentando um problema que só será detectado com a polissonografia.

Segundo o Dr. André, muitas pessoas passam anos acreditando que é normal dormir mal.

Algumas recorrem a medicamentos ou estimulantes sem antes investigar a causa do cansaço.

Muitas vezes, o que parece uma insônia comum ou cansaço acumulado é, na verdade, apneia do sono. Isso aumenta o risco de hipertensão, infarto, diabetes e até acidentes de trânsito por sonolência”, afirma o médico.

Além disso, tratar os distúrbios do sono identificados pela polissonografia pode melhorar drasticamente a qualidade de vida.

O paciente passa a ter mais disposição, melhora o humor, a memória e até o desempenho no trabalho ou nos estudos”, completa o especialista.

Quando procurar um especialista em sono

Se você suspeita que algo está errado com seu sono — seja por ronco, cansaço constante, insônia, sonambulismo ou qualquer outro sintoma estranho — vale a pena conversar com um médico especialista.

O primeiro passo pode ser uma avaliação com um clínico geral ou pneumologista, que poderá indicar a polissonografia como exame de investigação.

O sono é um dos pilares da saúde, ao lado da alimentação e da atividade física. Dormir mal compromete todo o funcionamento do organismo. Felizmente, temos hoje recursos confiáveis para investigar e tratar esses problemas, e a polissonografia é um deles”, finaliza o Dr. André Soares.

FAQ – Perguntas frequentes sobre o exame de polissonografia respondidas pelo médico André Luis Soares Pinto

A polissonografia dói?

Não. O exame é indolor. Os sensores são fixados com adesivos e não provocam dor nem incômodo significativo.

Qual médico pode pedir uma polissonografia?

Clínicos gerais, pneumologistas, neurologistas e otorrinolaringologistas podem solicitar o procedimento, dependendo da queixa do paciente.

É possível dormir normalmente durante o exame?

Sim. O ambiente para monitoramento do sono é preparado para simular um quarto comum, garantindo conforto e silêncio.

A polissonografia é coberta por plano de saúde?

Sim, a maioria dos planos cobre o exame, especialmente quando há indicação médica com suspeita de distúrbios do sono.

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Michele Azevedo
Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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