Mosquito quase invisível espalha nova ameaça no Brasil

A febre Oropouche, antes restrita à Região Amazônica, agora preocupa autoridades de saúde em todo o Brasil.

O avanço do vírus em áreas onde antes ele não circulava acendeu um sinal de alerta: a doença já foi confirmada em 18 estados e no Distrito Federal, com 11.805 casos registrados até o momento.

O número já supera, semana a semana, os dados do ano passado, e a tendência é que 2025 feche com mais casos do que os 13.856 de 2024.

As mortes também aumentaram: já são cinco neste ano, contra quatro no ano passado. Duas novas suspeitas estão em investigação.

Febre Oropouche: Espírito Santo lidera os registros

Um dado surpreendente chama a atenção: o Espírito Santo, a cerca de 3 mil quilômetros da Amazônia, se tornou o estado com mais registros de febre Oropouche, com 6.318 casos.

Essa mudança geográfica drástica tem levado cientistas e gestores públicos a buscar explicações para a rápida disseminação da doença.

O cenário preocupa ainda mais por um motivo simples: como o vírus não circulava em grande parte do país, a população brasileira não tem imunidade prévia, o que facilita sua propagação.

Nova linhagem do vírus está por trás do surto

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz identificaram que essa explosão de casos foi causada por uma nova linhagem do vírus Oropouche.

Ela teria surgido no estado do Amazonas, passou por outros estados da Região Norte e agora circula em diversas regiões do país.

O que é a febre Oropouche?

A doença é causada por um vírus transmitido pelo mosquito maruim (ou mosquito-pólvora), nome popular do Culicoides paraensis.

Apesar de pequeno e quase invisível a olho nu, o inseto é encontrado em diversas regiões do Brasil.

Por se parecer com outras arboviroses como a dengue e a chikungunya, a febre Oropouche pode passar despercebida ou ser confundida com outras doenças, o que dificulta o diagnóstico em locais onde ela ainda não era comum.

Quais são os sintomas?

Segundo o Ministério da Saúde, os principais sintomas incluem:

  • Febre alta, de início súbito;
  • Dor de cabeça intensa e prolongada (também chamada de cefaleia);
  • Dores musculares (mialgia);
  • Dores nas articulações (artralgia);
  • Náusea;
  • Diarreia.

Além desses, algumas pessoas também relatam outros desconfortos, como:

  • Tontura;
  • Dor atrás dos olhos (dor retro-ocular);
  • Calafrios;
  • Sensibilidade à luz (fotofobia);
  • Vômitos.

Esses sinais costumam aparecer entre 3 e 8 dias após a picada do mosquito transmissor.

Na maior parte dos casos, os sintomas duram de 2 a 7 dias, mas há um detalhe importante: até 60% dos pacientes podem apresentar uma recaída.

Isso significa que, mesmo depois de se sentirem melhor, os sintomas podem voltar entre uma e duas semanas após a primeira melhora.

Risco para gestantes

Assim como ocorreu com o vírus da zika, a infecção por Oropouche também pode representar riscos durante a gestação.

Estudos apontam a possibilidade de microcefalia, malformações e até óbito do feto.

Diante disso, o Ministério da Saúde recomenda que gestantes que moram em áreas com casos confirmados reforcem as medidas de proteção contra picadas de mosquito.

Leitura Recomendada: Alerta de febre Oropuche no Brasil: entenda o que é, sintomas e riscos

Existe tratamento para a febre Oropuche?

A resposta infelizmente é não. Assim como a dengue, essa febre não tem um tratamento específico.

O que os médicos fazem é o chamado tratamento de suporte, ou seja, cuidar dos sintomas, garantindo que a pessoa fique hidratada, faça repouso e tome remédios para aliviar dores e desconfortos.

É muito importante evitar a automedicação, principalmente com remédios como anti-inflamatórios e certos tipos de analgésicos, que podem agravar algumas infecções.

Ao apresentar os sintomas, procure imediatamente uma unidade de saúde.

Como é feito o diagnóstico da febre Oropouche?

O diagnóstico começa na avaliação dos sintomas e do histórico do paciente.

Se a pessoa vive em uma região com casos confirmados ou esteve em locais com surto recente, o médico já deve levantar a suspeita.

Depois, o diagnóstico pode ser confirmado através de exames laboratoriais específicos, que detectam a presença do vírus no sangue.

Mas há um problema: como os sintomas são muito parecidos com os da dengue e da chikungunya, muitas pessoas podem receber um diagnóstico errado, especialmente em locais onde não há disponibilidade de testes para o vírus Oropouche.

Como se prevenir da febre Oropouche?

A prevenção ainda é a melhor forma de se proteger.

De acordo com o Ministério da Saúde, veja o que fazer:

  • Usar roupas que cubram bem o corpo: calças, blusas de manga longa, meias e sapatos fechados.
  • Aplicar repelente nas áreas expostas da pele. Importante: ainda não há comprovação de que repelentes sejam eficazes contra o maruim, que é o principal transmissor da febre Oropouche. Mesmo assim, o uso é recomendado para ajudar na proteção contra outros mosquitos, como o pernilongo e o Aedes aegypti.
  • Instalar telas de proteção nas janelas, portas e usar mosquiteiros ao dormir. A recomendação é que as telas tenham malha bem fina (menor que 1,5 mm) para impedir a passagem do maruim.
  • Evitar locais com muitos mosquitos, principalmente nos horários de maior atividade: começo da manhã e fim da tarde.
  • Manter quintais e terrenos sempre limpos, sem acúmulo de folhas, frutos, restos de plantas ou lixo orgânico, que favorecem a reprodução do maruim.
  • Quem vive em áreas rurais ou perto de plantações (como bananeiras, cafezais e cacaueiros) deve redobrar os cuidados.
  • Gestantes devem, sempre que possível, evitar atividades ao ar livre em locais com risco de contato com o maruim.
  • Usar preservativos, já que o vírus foi identificado em sêmen e urina. Ainda não se sabe se há transmissão por essas vias, mas a recomendação é de precaução.

Existe vacina?

Por enquanto, não existe vacina contra a febre Oropouche.

Pesquisas estão em andamento, mas ainda não há previsão de quando uma vacina possa estar disponível.

Isso reforça ainda mais a importância das medidas de proteção individual e do controle ambiental.

Leitura Recomendada: Como amenizar a picada de mosquito borrachudo? Passo a passo fácil e prático

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Michele Azevedo
Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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