Tem algo na língua que a ciência acha que pode indicar Parkinson

Uma pesquisa da Universidade Jiao Tong, em Xangai (China), trouxe descobertas promissoras ao analisar a relação entre a saburra lingual e doença de Parkinson.

Os cientistas estão investigando se essa camada esbranquiçada ou amarelada que se forma sobre a língua (chamada saburra) pode conter pistas relacionadas à presença e evolução da doença, ajudando no diagnóstico de forma menos invasiva.

Entenda mais sobre o que é saburra lingual

A saburra lingual é aquela camada que muitas vezes aparece sobre a língua, principalmente pela manhã.

Ela é formada por uma mistura de bactérias, restos de alimentos, células mortas da boca, saliva e outras substâncias do nosso próprio organismo.

Na medicina tradicional chinesa, há séculos essa camada é observada como um sinal importante da saúde do corpo.

E hoje, cientistas estudam com bons resultados preliminares o seu potencial para indicar condições de saúde, inclusive doenças neurológicas, como o Parkinson.

O que é a doença de Parkinson

A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico que afeta os movimentos do corpo.

Os sintomas mais comuns são tremores, rigidez muscular e lentidão para se mover.

A condição afeta milhões de pessoas no mundo e, por enquanto, não tem cura.

Quanto mais cedo for descoberta, maiores são as chances de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

O grande desafio é que o diagnóstico costuma ser feito somente quando os sinais já estão avançados.

Por isso, descobrir formas de identificar a doença ainda nos estágios iniciais é uma das prioridades da medicina.

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Como a saburra pode ajudar no diagnóstico do Parkinson

Ao observar que muitos pacientes com Parkinson tinham uma saburra lingual mais espessa, oleosa e com coloração diferente (geralmente branca ou amarelada), os cientistas decidiram investigar mais a fundo.

Eles coletaram amostras da língua de 36 pessoas com Parkinson e 31 pessoas saudáveis.

Analisando o conteúdo dessas amostras, os pesquisadores encontraram diferenças importantes nas bactérias e nas substâncias químicas presentes.

Essas diferenças não significam que a saburra “muda” de forma visível em todos os casos, mas sim que a composição interna da saburra, ou seja, o que ela contém, pode variar bastante entre quem tem e quem não tem a doença.

Isso inclui, por exemplo, a redução de uma substância chamada palmitoiletanolamida, que tem função anti-inflamatória e pode estar ligada à saúde do cérebro.

Os cientistas também observaram uma alteração no equilíbrio de certos grupos de bactérias, como Firmicutes e Actinobacteria.

Esses padrões diferentes podem servir como sinais complementares, ajudando os médicos a identificar a doença de forma mais precoce e menos invasiva.

Diagnóstico menos invasivo pode estar no horizonte

O que torna esse estudo tão interessante é que ele aponta para a possibilidade de métodos de diagnóstico mais simples, acessíveis e sem dor.

Hoje, muitos exames para doenças neurológicas exigem coleta de líquido da espinha dorsal ou exames de sangue.

Já a coleta de saburra pode ser feita com um cotonete, de forma bem mais confortável.

Com apoio de tecnologias modernas, como modelos de inteligência artificial, os cientistas conseguiram identificar padrões nas amostras que ajudam a distinguir quem tem ou não a doença.

O modelo usado no estudo alcançou uma taxa de acerto de quase 89%.

No futuro, com validação adequada e testes em larga escala, esse tipo de coleta poderia até ocorrer em ambientes mais acessíveis, o que facilitaria o diagnóstico precoce e diminuiria custos para o sistema de saúde.

Avanço promissor na detecção do Parkinson

Ainda que os achados sejam preliminares, a ligação entre saburra lingual e doença de Parkinson traz uma nova perspectiva para a ciência.

Análises como essa podem ajudar não apenas a identificar a doença mais cedo, mas também a entender melhor seus mecanismos e a desenvolver novas formas de tratamento.

Estudos maiores e mais aprofundados ainda são necessários, mas esse é um passo promissor rumo a diagnósticos menos invasivos e mais acessíveis para todos.

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Michele Azevedo
Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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