Gota, likes e promessas fáceis: o risco por trás dos vídeos

Redes sociais têm se consolidado como uma fonte frequente de informação sobre saúde, inclusive para temas complexos como dor nas articulações. No TikTok, vídeos com dicas rápidas, soluções naturais e promessas de controle de doenças costumam ganhar grande visibilidade, impulsionados pelo formato curto e pelo apelo emocional.

Foi nesse contexto que uma análise científica recente avaliou vídeos populares sobre gota publicados em inglês na plataforma.

O estudo examinou o conteúdo, o tom das mensagens e o engajamento do público, e acendeu um alerta sobre como a lógica de viralização pode favorecer informações incompletas ou desalinhadas com as recomendações médicas.

Dieta no centro de tudo — e o problema disso

A maioria dos vídeos analisados foi publicada por pessoas comuns, pacientes ou criadores de conteúdo sem formação em saúde.

Muitos relatam experiências pessoais com crises de dor intensa, inchaço e dificuldade para andar.

É nesse ambiente que circulam grande parte das informações sobre gota no TikTok, frequentemente misturando relatos individuais com conselhos apresentados como orientação de saúde.

O ponto em comum desses conteúdos é o foco quase exclusivo na alimentação.

Carne vermelha, álcool e alguns alimentos específicos aparecem como os grandes vilões, como se a gota fosse apenas resultado de escolhas individuais.

Pouco se fala sobre fatores centrais da doença, como genética, funcionamento dos rins e a produção natural de ácido úrico pelo próprio organismo — responsável pela maior parte desse composto no corpo, independentemente da dieta.

Esse recorte reforça uma ideia equivocada de culpa, dando a impressão de que a pessoa tem gota apenas porque “comeu errado”, o que não corresponde à realidade médica.

Soluções fáceis rendem mais engajamento

Outro achado preocupante envolve os tratamentos divulgados.

Muitos vídeos recomendam chás, sucos, suplementos e produtos naturais, geralmente acompanhados de promessas de melhora rápida e sem efeitos colaterais.

Em contraste, tratamentos indicados por diretrizes médicas, como o uso contínuo de medicamentos para controlar o ácido úrico a longo prazo, quase não aparecem.

Em toda a amostra analisada, apenas dois vídeos mencionaram esse tipo de terapia.

Curiosamente, conteúdos que abordam consequências mais graves da gota, como danos permanentes nas articulações, problemas renais ou impacto cardiovascular, geram menos curtidas, comentários e compartilhamentos.

O público tende a preferir soluções simples, mesmo quando elas não são confiáveis.

O que isso significa para o brasileiro

Embora o estudo tenha analisado vídeos em inglês, ele ajuda a entender uma dinâmica típica das redes sociais, a de que mensagens simples, emocionais e promessas fáceis costumam ganhar mais visibilidade.

Para o brasileiro, isso reforça a importância de consumir conteúdos de saúde com senso crítico.

A gota é uma doença crônica, comum e tratável, mas que exige acompanhamento médico e informação de qualidade.

A internet pode ser uma aliada, desde que não substitua orientação profissional nem reduza um problema complexo a soluções fáceis.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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