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Insônia: o problema não é só a noite
Os sintomas da insônia durante o dia não se resumem a bocejos frequentes ou à sensação de sono acumulado. Um estudo publicado no JAMA Network Open mostra que a insônia afeta o funcionamento mental e físico de forma mais complexa, e que esses efeitos mudam ao longo do dia, especialmente em pessoas mais velhas.
Tradicionalmente, os impactos diurnos da insônia são avaliados por questionários aplicados semanas depois, quando o paciente precisa lembrar como se sentiu.
O problema é que a memória falha, sobretudo quando se trata de sensações sutis. Para contornar essa limitação, os pesquisadores adotaram uma estratégia diferente, acompanhar os participantes em tempo real, usando o celular.
Sintomas da insônia durante o dia: um retrato mais fiel do dia a dia
O estudo acompanhou 40 idosos com insônia crônica por pouco mais de duas semanas.
Metade recebeu um medicamento já utilizado no tratamento da insônia, enquanto a outra metade tomou placebo, um comprimido sem efeito terapêutico, usado apenas para comparação.
O medicamento foi usado justamente para testar se um tratamento para insônia seria capaz de alterar os sintomas durante o dia de forma mensurável, algo que os questionários tradicionais nem sempre conseguem captar.
Ao longo do período, quatro vezes ao dia, os participantes respondiam pelo celular perguntas simples sobre cansaço, atenção, humor e disposição.
Esse acompanhamento contínuo mostrou que os sintomas da insônia durante o dia não seguem um padrão fixo.
Dependendo do horário, o cansaço, a atenção e a disposição mudam, e algumas alterações simplesmente não aparecem quando a pessoa tenta se lembrar disso dias depois.
Cansaço e atenção mudam ao longo do dia
Entre os resultados, a fadiga chamou atenção.
Pessoas que usaram o medicamento relataram mais sonolência nas primeiras horas da manhã, mas menos cansaço à tarde e à noite.
Isso ajuda a explicar uma queixa comum entre quem tem insônia: o dia começa difícil, mas parece “engrenar” depois.
A atenção seguiu um padrão semelhante.
Pela manhã e no meio do dia, houve mais relatos de raciocínio lento e dificuldade de concentração.
Esses sintomas, porém, tendiam a diminuir conforme o dia avançava, sugerindo que o impacto cognitivo da insônia também oscila ao longo do tempo.
No caso do humor, o uso do medicamento não trouxe melhora clara.
Os pesquisadores observaram, inclusive, uma tendência a piora desse aspecto, o que indica a necessidade de mais estudos para entender melhor como esse tipo de tratamento pode influenciar o bem-estar emocional ao longo do dia.
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O que isso muda para quem convive com insônia
Quando se fala em insônia, muita gente pensa apenas na dificuldade para dormir.
Mas os sintomas diurnos (como fadiga, lapsos de atenção e sensação de improdutividade) costumam ser os mais incapacitantes no dia a dia.
O principal recado do estudo é que entender esses efeitos exige ouvir o paciente no momento em que eles acontecem.
Essa abordagem pode mudar a forma como tratamentos são avaliados no futuro, tornando o cuidado mais próximo da realidade de quem vive com insônia.
Além disso, ajuda a normalizar uma experiência comum: se as manhãs são especialmente difíceis após uma noite ruim, isso não é falta de força de vontade. É um efeito real da insônia sobre o corpo e o cérebro.
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