Por que passar anos solteiro pode pesar mais no fim dos 20

A vida de solteiro tem sido cada vez mais associada à autonomia, liberdade e autoconhecimento. No entanto, um novo estudo internacional indica que ficar solteiro por muito tempo afeta a saúde mental de parte dos jovens adultos, especialmente quando essa condição se prolonga ao longo da juventude.

Pesquisadores da Universidade de Zurique acompanharam mais de 17 mil pessoas da Alemanha e do Reino Unido desde a adolescência até o fim dos 20 anos.

Todos os participantes tinham algo em comum no início da pesquisa: nunca haviam tido um relacionamento amoroso.

Ao longo de mais de uma década, os cientistas analisaram como a satisfação com a vida, a solidão e os sintomas de depressão evoluíram entre aqueles que permaneceram solteiros por muitos anos e os que passaram a se relacionar mais tarde.

Queda gradual no bem-estar emocional

Os dados mostram que jovens que permanecem solteiros por longos períodos tendem a apresentar uma redução progressiva da satisfação com a vida.

Esse efeito não aparece de forma marcante na adolescência, mas se intensifica com o passar dos anos.

No fim da faixa dos 20 anos, participantes que continuaram solteiros relataram níveis mais elevados de solidão e maior presença de sintomas depressivos.

Segundo os pesquisadores, o impacto não está em ficar solteiro por um período, mas em passar muitos anos sozinho, sentir-se cada vez mais isolado e perceber que isso começa a pesar emocionalmente no dia a dia.

Quem tende a permanecer solteiro por mais tempo

O estudo, publicado na revista Journal of Personality and Social Psychology, identificou alguns fatores mais comuns entre os jovens que permaneceram solteiros por muitos anos.

Entre eles estão ser homem, ter maior nível de escolaridade, já se sentir menos satisfeito com a vida no início da pesquisa e morar sozinho ou com os pais.

Segundo os pesquisadores, esses fatores não definem o futuro amoroso de ninguém, mas ajudam a entender por que algumas pessoas demoram mais para entrar em um relacionamento.

O próprio estado emocional, inclusive, parece influenciar a facilidade de se envolver afetivamente.

Solidão que se constrói aos poucos

Outro ponto observado no estudo é que a solidão não aparece de repente.

Ela costuma crescer aos poucos, mesmo entre jovens que têm amigos e convivem com outras pessoas.

Ver pessoas da mesma idade entrando em relacionamentos estáveis pode aumentar a sensação de estar desconectado ou ficando para trás, o que reforça o sentimento de frustração.

O impacto do primeiro relacionamento

Quando os jovens iniciaram o primeiro relacionamento amoroso, os pesquisadores observaram ganhos claros no bem-estar emocional.

Houve aumento da satisfação com a vida e redução da solidão, tanto no curto quanto no longo prazo.

A depressão, no entanto, não apresentou melhora significativa apenas com o início do relacionamento, o que indica que questões emocionais mais profundas não se resolvem automaticamente.

Os pesquisadores deixam claro que o estudo não diz que é preciso estar em um relacionamento para ser feliz.

Os dados indicam que o estado emocional da pessoa e a vida amorosa podem influenciar um ao outro ao longo do tempo.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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