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Quem dorme tarde pode estar ignorando um efeito silencioso
Dormir tarde costuma ser visto apenas como uma preferência pessoal. Para muita gente, porém, esse hábito vem acompanhado de cansaço durante o dia, dificuldade para manter uma rotina saudável e, com o passar do tempo, impactos silenciosos na saúde do coração.
Um grande estudo internacional reforça que esse padrão de sono pode estar ligado a piores indicadores cardiovasculares.
A pesquisa, publicada no Journal of the American Heart Association, analisou dados de mais de 300 mil adultos do UK Biobank, um dos maiores bancos de informações de saúde do mundo. A idade média dos participantes era de cerca de 57 anos, e o acompanhamento se estendeu por vários anos.
Dormir tarde e o cronotipo
Cada pessoa tem um “relógio interno” que regula o sono, a vigília e os momentos do dia em que o corpo funciona melhor. Esse ritmo natural é chamado de cronotipo.
Em termos práticos, ele indica se alguém tende a render mais cedo ou mais tarde.
Algumas pessoas acordam mais dispostas pela manhã; outras só se sentem realmente alertas no fim do dia ou à noite.
No estudo, a maior parte dos participantes ficou no perfil intermediário, sem uma preferência clara por horários muito cedo ou muito tarde.
Um grupo menor foi classificado como matutino, formado por pessoas que preferem dormir e acordar cedo.
Já uma parcela ainda menor se identificou como noturna — aquelas que costumam dormir muito tarde e se sentem mais produtivas à noite.
O que isso tem a ver com a saúde do coração
Ao acompanhar esses perfis ao longo do tempo, os pesquisadores observaram que pessoas com padrão noturno tendem a apresentar mais dificuldades para manter a saúde cardiovascular em dia.
Não se trata apenas de percepção. Os indicadores clínicos também refletem esse desafio.
De forma geral, quem se identificava como noturno apresentou piores resultados em medidas associadas à saúde do coração e um risco maior de eventos como infarto e AVC ao longo dos anos.
Entre as mulheres, essa relação foi ainda mais evidente.
Já quem tinha o hábito de dormir e acordar cedo mostrou uma leve vantagem, com melhores indicadores cardiovasculares ao longo do acompanhamento.
Os hábitos que costumam pesar contra quem dorme tarde
Segundo os pesquisadores, o horário de dormir em si não explica tudo.
O maior impacto parece vir dos hábitos que frequentemente acompanham a vida noturna.
Sono curto ou irregular, maior uso de nicotina e alimentação de pior qualidade foram alguns dos fatores mais associados aos resultados observados.
Além disso, muitas pessoas que dormem tarde convivem com um desalinhamento entre o relógio biológico e as exigências do dia a dia, como horários de trabalho, compromissos familiares e vida social.
Esse descompasso pode dificultar a criação de uma rotina mais estável e, com o tempo, pesar sobre a saúde do coração.
O que isso significa, na prática, para quem é noturno
O ponto central do estudo é que dormir tarde não é, por si só, uma sentença para o coração. O risco maior aparece quando esse perfil vem acompanhado de sono de má qualidade, horários muito irregulares, cigarro e alimentação desequilibrada.
Para quem se identifica como noturno, isso significa que há espaço para ajuste.
Dormir melhor, tentar manter alguma regularidade nos horários, evitar o cigarro e cuidar da alimentação já são medidas capazes de reduzir o impacto desse estilo de vida sobre a saúde cardiovascular — mesmo sem mudar completamente o horário de dormir.
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