Book Appointment Now

O que aconteceu quando profissionais passaram a trabalhar menos
Reduzir a jornada de trabalho costuma soar arriscado. Para muitas empresas, menos horas ainda significam, automaticamente, menos resultado.
Mas um estudo conduzido na Suécia trouxe evidências que desafiam essa lógica. Trabalhar menos pode fazer bem à saúde, reduzir o estresse e, surpreendentemente, aumentar a produtividade e a criatividade.
A pesquisa acompanhou profissionais que tiveram a carga horária reduzida e observou mudanças não só no bem-estar, mas também na forma como o trabalho passou a ser organizado dentro das empresas.
Menos horas, menos esgotamento
Entre os efeitos mais consistentes observados pelos pesquisadores estão os ganhos para a saúde mental.
Participantes relataram menos estresse relacionado ao trabalho, menor sensação de exaustão ao fim do expediente e redução de sinais associados ao burnout, o esgotamento profissional crônico.
Com mais tempo para se recuperar física e mentalmente, muitos passaram a se sentir mais dispostos e capazes de lidar com as demandas do dia a dia.
Não se trata apenas de descansar mais, mas de trabalhar sem chegar ao limite todos os dias.
Trabalhar melhor, não necessariamente mais
Um dos pontos que mais chamaram atenção foi a percepção de melhora na produtividade.
Em vez de queda no rendimento, muitos participantes relataram que passaram a produzir melhor em menos tempo.
A redução da jornada acabou forçando uma reorganização natural do trabalho.
Reuniões longas e pouco objetivas perderam espaço, processos antigos começaram a ser questionados e tarefas realmente importantes ganharam prioridade.
O tempo ficou mais escasso — e, por isso mesmo, mais bem usado.
Criatividade e foco em alta
Com menos sobrecarga, também houve melhora na capacidade de resolver problemas e pensar de forma criativa.
Quando o trabalho deixa de ser uma sequência contínua de urgências, sobra espaço mental para foco, planejamento e decisões mais inteligentes.
Em algumas organizações, mudanças que estavam emperradas havia anos só avançaram depois da redução da jornada.
O limite de tempo funcionou como um incentivo para trabalhar de forma mais estratégica.
Impacto nas relações dentro e fora do trabalho
Os benefícios não ficaram restritos às tarefas.
Os participantes passaram a ter mais tempo para a vida pessoal, descanso e convívio social, algo esperado.
O que surpreendeu foi o efeito dentro das empresas.
Houve aumento das conversas informais entre colegas e melhora no clima organizacional.
Ambientes menos tensos tendem a ser mais colaborativos, o que ajuda a explicar por que a produtividade também foi percebida como maior.
O que esse estudo nos faz repensar
Os próprios pesquisadores alertam que os resultados devem ser interpretados com cautela, já que o número de participantes foi limitado e o período de observação teve duração definida.
Ainda assim, os achados seguem a mesma direção de pesquisas maiores, como um trabalho do Boston College publicado na Nature Human Behaviour, que também aponta benefícios da redução da jornada para a saúde e a produtividade.
O principal recado é que cuidar da saúde de quem trabalha não precisa entrar em conflito com desempenho. Em muitos casos, pode ser justamente o caminho para produzir melhor, de forma mais sustentável.
Leitura Recomendada: A relação com seus pais hoje pode mudar como você lembra a infância



