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Nem todo enjoo da gravidez é tão normal assim — e os efeitos podem aparecer depois
Enjoos e vômitos fazem parte da gravidez para muitas mulheres. Na maioria das vezes, são incômodos que aparecem no início da gestação e diminuem com o tempo. Mas nem sempre é assim.
Para algumas gestantes, os sintomas são intensos, persistentes e difíceis de controlar. A alimentação piora, o sono fica comprometido e a rotina passa a girar em torno do mal-estar. E esse desgaste pode não terminar com o parto.
Evidências recentes sugerem que mulheres que enfrentam enjoos graves durante a gravidez podem ter maior risco de apresentar sintomas de depressão nos meses seguintes ao nascimento do bebê.
Quando o enjoo deixa de ser “normal”
Sentir enjoo ocasional não costuma trazer consequências além do desconforto momentâneo. O alerta surge quando os sintomas são fortes, frequentes e exigem uso de medicamentos ou até internação.
Nesses casos, o impacto vai além do físico. O sofrimento prolongado pode gerar estresse constante, sensação de exaustão e perda de controle sobre o próprio corpo — fatores que fragilizam o equilíbrio emocional da mulher.
O que os dados mostram
Em um acompanhamento com mais de 3 mil mulheres, a maioria relatou algum grau de enjoo no início da gravidez. Já os sintomas de depressão após o parto apareceram em cerca de 16% das participantes.
A diferença ficou clara entre os grupos: mulheres que tiveram enjoos intensos apresentaram mais que o dobro de chance de desenvolver sintomas depressivos após o parto, tanto no primeiro mês quanto seis meses depois do nascimento do bebê.
Esse aumento de risco não foi observado entre mulheres que tiveram enjoos leves ou moderados.
Por que isso merece atenção
A depressão no pós-parto não afeta apenas o humor. Ela pode interferir na qualidade de vida da mãe, na relação com o bebê e no desenvolvimento emocional da criança.
Por isso, quadros graves de náusea e vômito durante a gravidez não devem ser vistos apenas como um “mal necessário” da gestação. Eles podem funcionar como um sinal de alerta para a necessidade de acompanhamento mais próximo.
Identificar esse risco ainda durante a gravidez abre espaço para orientação adequada, apoio emocional e cuidados que vão além do físico — antes mesmo do nascimento do bebê.
Um olhar mais completo para a gestante
Um olhar mais completo para a gestante
Cuidar da saúde da mulher na gravidez não significa apenas aliviar sintomas visíveis. Quando o corpo sofre por semanas ou meses, a saúde mental também pode ser impactada.
Reconhecer a gravidade dos enjoos, oferecer tratamento adequado e escutar as queixas da gestante pode fazer diferença não só durante a gravidez, mas também no período que vem depois.
O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports.
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