Por que uma final de futebol deixa o corpo em estado de alerta

Quem já perdeu o sono na véspera de uma final decisiva sabe que o nervosismo não fica só na cabeça. O coração acelera, o corpo entra em alerta e a sensação é de estar vivendo algo muito maior do que um simples jogo.

Agora, um estudo internacional conseguiu mostrar isso com números e dados coletados direto do pulso dos torcedores.

Pesquisadores acompanharam fãs apaixonados por futebol durante semanas e observaram como uma grande final foi capaz de levar o organismo ao limite.

O resultado confirma o que muitos sentem na prática: o corpo reage à emoção do futebol quase como se estivesse diante de uma situação de estresse real.

Torcer também é uma experiência física

O envolvimento emocional com um time não é apenas simbólico. Para muitos torcedores, o futebol faz parte da identidade pessoal. Cada lance decisivo, cada ataque perigoso e cada gol mexem com o sistema nervoso.

Estudos anteriores já mostravam aumento da pressão arterial, dos batimentos cardíacos e da liberação de hormônios do estresse durante partidas importantes.

Em jogos decisivos, esse efeito se intensifica. Há registros de maior número de eventos cardiovasculares entre espectadores em partidas muito disputadas. Até rituais antes do jogo, como cantos e concentração coletiva, já foram associados a picos de excitação semelhantes aos de um gol.

Quando milhares de pessoas vivem a mesma emoção ao mesmo tempo, o corpo parece “entrar em sintonia”.

O barulho da torcida, a tensão do estádio cheio, as filas, o aperto e a expectativa contribuem para deixar o organismo em estado de alerta prolongado.

Relógios inteligentes revelam o impacto da final

Para entender melhor esse fenômeno, os pesquisadores escolheram a final da Copa da Alemanha (ou Taça da Alemanha) de 2025, um evento histórico para os torcedores do Arminia Bielefeld.

Pela primeira vez, um clube da terceira divisão chegava à decisão, enfrentando um adversário considerado muito superior naquele momento, o Stuttgart.

Durante 12 semanas, 229 torcedores tiveram seus dados analisados por meio de relógios inteligentes, que registraram batimentos cardíacos e níveis de estresse no dia a dia e, principalmente, no dia da final.

Questionários ajudaram a identificar o grau de envolvimento com o time e a forma como cada um acompanhou a partida.

A diferença foi evidente.

No sábado da final, o nível médio de estresse foi mais de 40% maior do que em dias comuns. Esse aumento começou na noite anterior, atingiu o pico pouco antes do início do jogo e continuou elevado mesmo após o apito final.

Coração dispara antes mesmo da bola rolar

Os batimentos cardíacos dos torcedores subiram logo nos primeiros minutos do jogo, chegando a médias próximas de 96 por minuto, um valor elevado para quem está apenas assistindo.

Com o andamento da partida, o ritmo diminuiu um pouco, mas voltou a disparar nos momentos decisivos.

No fim do jogo, quando o time azarão marcou dois gols inesperados, o coração dos fãs acelerou novamente, mesmo com o placar final de 4 a 2 desfavorável e com poucas chances reais de virada.

O dado reforça que o corpo reage mais à emoção do momento do que à lógica fria do resultado.

A experiência foi ainda mais intensa para quem estava no estádio. Esses torcedores tiveram batimentos médios cerca de 23% mais altos do que os de quem assistia pela televisão, ultrapassando 100 batimentos por minuto em alguns momentos.

O consumo de álcool contribuiu para elevar ainda mais esses valores.

A força da experiência coletiva

Segundo os autores, viver uma final no estádio potencializa as reações físicas por vários motivos.

O contato com outros torcedores, a sensação de pertencimento, o barulho constante e a incerteza sobre o resultado criam um ambiente que mantém o corpo em alerta máximo.

O estudo também reconhece limitações. Os dados de estresse foram estimados por algoritmos de relógios inteligentes, sem exames clínicos diretos, e o número de participantes presentes no estádio foi pequeno.

Mesmo assim, os resultados ajudam a entender por que finais de futebol são tão marcantes, não apenas emocionalmente, mas também fisicamente.

A pesquisa foi publicada na revista científica Scientific Reports, ligada ao grupo Nature, reforçando como o futebol pode mexer com o corpo humano de forma profunda e mensurável.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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