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Quem toma remédio para pressão pode estar ignorando um risco silencioso
Tomar remédio para pressão alta ou colesterol não significa que a alimentação deixou de ser decisiva. Um estudo realizado no Canadá reforça algo que muita gente prefere ignorar. Mesmo sob tratamento, o que vai ao prato continua influenciando (e muito) o risco de infarto e AVC.
A pesquisa acompanhou mais de duas mil pessoas entre 40 e 69 anos durante quase dez anos.
Todos já tinham diagnóstico de hipertensão ou colesterol elevado, mas não haviam sofrido eventos cardiovasculares no início do acompanhamento.
Ao analisar os hábitos alimentares desses participantes, os pesquisadores encontraram um padrão. Quanto menor o consumo de alimentos ultraprocessados e produtos ricos em sal, açúcar e gordura saturada, menor foi o risco de problemas cardiovasculares ao longo do tempo.
Pequenas reduções já mostraram impacto
Os números ajudam a dimensionar o efeito. Reduzir em 10% a quantidade de ultraprocessados na dieta esteve associado a cerca de 13% menos risco de infarto, AVC ou morte por doença cardiovascular.
Resultado semelhante apareceu quando a diminuição envolvia alimentos com excesso de nutrientes críticos, como sódio e gordura saturada.
O dado preocupa porque, mesmo entre pessoas que já sabiam ter risco aumentado, os ultraprocessados representavam até 41% do que era consumido diariamente. Produtos com altos teores de sal, açúcar ou gordura respondiam por cerca de 38% das calorias totais.
Medicamentos ajudam — mas não fazem tudo sozinhos
Os remédios para colesterol mostraram o efeito protetor já esperado.
No caso dos medicamentos para pressão, o estudo não encontrou uma redução clara do risco nesse grupo específico, algo que os pesquisadores atribuem ao perfil dos pacientes avaliados, e não à falta de eficácia do tratamento.
Mas o ponto principal foi outro. A relação entre alimentação e risco cardiovascular permaneceu mesmo entre pessoas que já tomavam remédio.
A redução no consumo de ultraprocessados e de alimentos ricos em sal, açúcar e gordura saturada continuou associada a menor risco de infarto e AVC, independentemente do uso de medicação.
Em termos simples, tomar o remédio não elimina a influência da alimentação. Os medicamentos atuam no controle da pressão e do colesterol, mas a qualidade da dieta segue pesando no risco total ao longo dos anos.
O estudo, publicado no The American Journal of Clinical Nutrition (link), reforça que tratar pressão alta ou colesterol elevado não significa que a alimentação deixou de importar. Remédio e escolhas à mesa atuam juntos na proteção do coração.
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