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O que acontece com sua pressão durante um banho quente?
Não é remédio, nem exercício. É um hábito comum do dia a dia. E agora a ciência começa a investigar se ele pode ir além do relaxamento.
Uma revisão científica analisou estudos sobre imersão em água quente e encontrou sinais de que o banho pode ajudar a reduzir a pressão arterial, principalmente em pessoas mais velhas ou que já fazem tratamento para hipertensão.
Mas há um ponto essencial. O efeito ainda não é definitivo, e o banho não substitui medicamentos nem atividade física. No máximo, pode atuar como complemento.
Por que isso importa
A hipertensão afeta cerca de um terço dos adultos no mundo e aumenta o risco de infarto, AVC e doenças renais.
Mesmo pequenas reduções já fazem diferença. Uma queda de 10 mmHg na pressão sistólica pode diminuir eventos cardiovasculares em cerca de 20% e quase reduzir pela metade o risco de AVC.
Por isso, qualquer estratégia segura que ajude no controle chama atenção.
O que acontece no corpo
Quando o corpo entra em água entre 39 °C e 40 °C, os vasos sanguíneos se dilatam e a circulação aumenta, especialmente na pele.
Durante a imersão, a pressão tende a cair.
Algumas respostas lembram as do exercício físico. A frequência cardíaca sobe e a temperatura corporal aumenta.
Com sessões repetidas ao longo das semanas, estudos sugerem maior liberação de substâncias como o óxido nítrico, que ajuda os vasos a relaxarem.
Também ocorrem ajustes no sistema nervoso e em hormônios ligados ao controle de líquidos no organismo.
No entanto, os mecanismos ainda não estão totalmente esclarecidos — e nem todos os estudos encontraram melhora direta na função dos vasos.
Outro detalhe importante. Parte dos benefícios pode estar relacionada não apenas ao calor, mas também ao próprio relaxamento e à pressão da água sobre o corpo.
O efeito dura?
Essa é uma das principais dúvidas.
A pressão costuma cair durante o banho, mas poucos estudos acompanharam os participantes com monitoramento de 24 horas, considerado o padrão mais confiável para medir efeitos prolongados.
Ou seja, ainda não se sabe exatamente quanto tempo a redução pode se manter no dia a dia.
Para quem pode funcionar melhor
Os resultados foram mais consistentes em idosos e em pessoas com hipertensão já tratada.
Nesses grupos, a redução da pressão apareceu com mais frequência.
Já em jovens saudáveis ou em indivíduos com pressão alta sem tratamento, os efeitos foram pequenos ou inconsistentes.
Nos estudos analisados, a temperatura usada ficou entre 39 °C e 40 °C, por cerca de 30 minutos.
Não se trata de água extremamente quente. Acima de 42 °C, o risco aumenta, principalmente para idosos.
Água muito quente pode provocar queda brusca da pressão, tontura e mal-estar ao sair da banheira.
A revisão científica foi publicada na revista Journal of Applied Physiology.
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