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O que a criança come hoje pode deixar rastros no cérebro e no apetite
Doces, salgadinhos, refrigerante, fast food. Para muitas crianças, esses alimentos fazem parte da rotina, seja nas festas, na escola ou como agrado no fim de semana.
O problema é que o impacto pode ir além do peso.
Um estudo liderado por pesquisadores da University College Cork, na Irlanda, sugere que o consumo frequente de alimentos ricos em gordura e açúcar nos primeiros anos de vida pode deixar marcas duradouras na forma como o cérebro regula a fome.
Mesmo que a alimentação melhore mais tarde e o peso volte ao normal, parte dessas mudanças pode continuar.
A pesquisa foi feita em laboratório, e os resultados ajudam a explicar por que a alimentação na infância pode influenciar o comportamento alimentar na vida adulta.
Alimentação na infância: o que muda no cérebro
Os cientistas observaram alterações no hipotálamo, área responsável por controlar quando sentimos fome e quando estamos satisfeitos.
Quando o contato com alimentos muito calóricos acontece cedo e com frequência, os sinais que regulam o apetite podem ficar desajustados.
Na prática, isso pode significar:
- mais vontade por alimentos gordurosos e açucarados;
- maior dificuldade de se sentir satisfeito;
- tendência a repetir padrões alimentares pouco saudáveis;
- risco maior de obesidade ao longo da vida.
Segundo os pesquisadores, essas alterações continuaram mesmo depois que a dieta foi ajustada.
Ou seja, o efeito não desapareceu simplesmente com a perda de peso.
O papel do intestino
O estudo não olhou apenas para o cérebro. Também analisou o que acontecia no intestino, onde vivem trilhões de bactérias que ajudam a regular várias funções do corpo.
Ele mostrou que o intestino pode ajudar a reduzir parte dos efeitos de uma alimentação precoce rica em açúcar e gordura.
Bactérias “do bem” e fibras prebióticas (encontradas em cebola, alho, alho-poró, aspargos e banana) ajudam essas bactérias a enviar sinais ao cérebro que influenciam a fome e a saciedade.
Não é uma solução mágica, mas indica que cuidar da saúde intestinal pode ajudar a manter hábitos alimentares melhores ao longo da vida.
Alimentação na infância e o que isso significa para a rotina
O estudo reforça algo que especialistas já discutem há anos: o paladar é aprendido.
Quando a infância é marcada por estímulos intensos de açúcar e gordura, esse padrão pode se tornar referência para o cérebro. Depois, alimentos mais naturais podem parecer menos atraentes.
Isso não significa proibir totalmente o doce. A questão é frequência e equilíbrio.
Quanto mais variada e menos baseada em ultraprocessados for a alimentação na infância, maior a chance de o organismo desenvolver uma relação mais estável com a comida.
E, mesmo na vida adulta, cuidar da saúde intestinal pode ajudar a melhorar o padrão alimentar, embora ainda sejam necessários estudos em humanos para confirmar completamente esses efeitos.
O trabalho foi publicado na revista científica Nature Communications.
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