Pâncreas: funções essenciais, como cuidar e sinais de alerta

Você já parou para pensar em como o corpo consegue transformar os alimentos em energia ou manter os níveis de açúcar no sangue equilibrados mesmo depois de horas sem comer?

Por trás desses processos existe um órgão pequeno, mas extremamente importante: o pâncreas.

Localizado no abdômen, atrás do estômago, ele trabalha de forma silenciosa o tempo todo, mas incrível mesmo é a função do pâncreas.

Participa da digestão, ajuda o organismo a aproveitar os nutrientes dos alimentos e ainda regula a glicose no sangue, uma função essencial para manter o corpo funcionando corretamente.

O problema é que muita gente só lembra do pâncreas quando surge algum problema de saúde, como diabetes, pancreatite ou até câncer pancreático.

Por isso, entender o papel desse órgão e reconhecer os sinais de alerta pode fazer diferença na prevenção e no diagnóstico precoce de doenças.

O que é e qual a função do pâncreas?

O pâncreas é uma glândula alongada, com cerca de 15 a 20 centímetros, localizada na parte superior do abdômen, próxima ao estômago e ao intestino delgado. Apesar de discreto, ele participa de funções fundamentais para o organismo.

Isso acontece porque o pâncreas atua em dois sistemas ao mesmo tempo:

  • sistema digestivo
  • sistema endócrino

Na prática, ele tem duas funções principais:

  • Função exócrina: produz enzimas digestivas que ajudam a quebrar os alimentos no intestino.
  • Função endócrina: produz hormônios, como insulina e glucagon, responsáveis pelo controle da glicose no sangue.

Quando uma dessas funções falha, podem surgir problemas importantes de saúde, como diabetes, pancreatite e insuficiência pancreática.

Como o pâncreas ajuda na digestão?

Depois que o alimento passa pelo estômago e chega ao intestino delgado, o pâncreas entra em ação liberando enzimas digestivas. Essas substâncias ajudam o organismo a quebrar os nutrientes em partes menores para que possam ser absorvidos corretamente.

Para cumprir essa função, o pâncreas produz enzimas específicas. Cada uma delas atua em um tipo de alimento:

  • Tripsina e quimotripsina: ajudam na digestão das proteínas presentes em alimentos como carnes, ovos e leite.
  • Lipase: participa da digestão das gorduras.
  • Amilase: ajuda a quebrar os carboidratos em açúcares simples que serão usados como fonte de energia.

Sem essas enzimas, o corpo teria dificuldade para absorver nutrientes adequadamente. Em alguns casos, isso pode provocar perda de peso sem explicação, diarreia, deficiência de vitaminas e fezes gordurosas.

Doenças como pancreatite crônica e insuficiência pancreática podem prejudicar justamente essa produção de enzimas.

Leia também: Amilase e lipase: para que servem os exames e quando os resultados preocupam?

O pâncreas também controla o açúcar no sangue

Mas o trabalho do pâncreas não termina na digestão. Existe outra função ainda mais decisiva para a saúde: o controle da glicose no sangue.

Dentro do pâncreas existem pequenas estruturas chamadas ilhotas de Langerhans, responsáveis pela produção de hormônios que regulam os níveis de açúcar no organismo.

Os principais são:

  • Insulina: ajuda a glicose a entrar nas células para ser usada como energia, reduzindo os níveis de açúcar no sangue.
  • Glucagon: faz o efeito contrário. Ele ajuda a elevar a glicose quando os níveis estão baixos, como durante o jejum.

Quando o organismo passa a produzir pouca insulina (ou deixa de responder bem a ela) os níveis de açúcar no sangue começam a subir. É aí que surge o diabetes.

Por isso, manter o pâncreas saudável também é uma forma importante de proteger a saúde metabólica.

função do pâncreas.
Imagem: Canva PRO

Problemas mais comuns que afetam o pâncreas

Assim como outros órgãos, o pâncreas também pode sofrer alterações e doenças que comprometem seu funcionamento. Algumas delas exigem atenção rápida porque podem evoluir com complicações importantes.

1. Pancreatite

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode surgir de forma repentina (aguda) ou se desenvolver lentamente ao longo do tempo (crônica).

As causas mais comuns incluem:

  • cálculos biliares
  • consumo excessivo de álcool
  • triglicerídeos elevados
  • alguns medicamentos
  • infecções ou traumas

Os sintomas costumam incluir:

  • dor intensa na parte superior do abdômen
  • dor que pode irradiar para as costas
  • náuseas e vômitos
  • febre
  • barriga inchada

Nos casos mais graves, a pancreatite pode levar a infecções, sangramentos e até falência de órgãos.

2. Diabetes tipo 1 e tipo 2

O diabetes é uma doença crônica ligada à dificuldade do organismo em controlar os níveis de glicose no sangue.

No diabetes tipo 1, o sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Já no tipo 2, o corpo passa a responder mal à insulina ou o pâncreas não consegue produzir o hormônio em quantidade suficiente.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • sede excessiva
  • vontade frequente de urinar
  • cansaço constante
  • visão embaçada
  • feridas que demoram a cicatrizar

O tratamento pode envolver mudanças na alimentação, prática de atividade física, medicamentos e uso de insulina, dependendo do caso.

3. Câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas é considerado um dos tipos mais agressivos porque muitas vezes só provoca sintomas em fases mais avançadas.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • tabagismo
  • obesidade
  • histórico familiar
  • pancreatite crônica
  • idade avançada

Os sinais podem ser discretos no início, mas merecem atenção:

  • dor abdominal ou nas costas
  • perda de peso sem explicação
  • pele e olhos amarelados
  • perda de apetite
  • fadiga persistente

O tratamento depende do estágio da doença e pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

Leia também: Câncer de Pâncreas: O inimigo silencioso que levou Léo Batista

Como cuidar do pâncreas no dia a dia?

Na maioria das vezes, cuidar do pâncreas envolve hábitos que também fazem bem para o organismo como um todo.

Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de doenças pancreáticas:

  • manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais
  • evitar excesso de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas
  • não fumar
  • controlar o peso corporal
  • praticar atividade física regularmente
  • acompanhar os níveis de glicose e triglicerídeos
  • fazer consultas médicas periódicas, especialmente em caso de histórico familiar

Pequenas mudanças na rotina podem ajudar bastante na prevenção de problemas metabólicos e inflamatórios.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda médica?

O pâncreas costuma ser um órgão silencioso. Muitas doenças só começam a provocar sintomas quando já estão mais avançadas.

Por isso, vale a pena procurar avaliação médica se surgirem sinais como:

  • dor persistente na parte superior do abdômen
  • dor que irradia para as costas
  • náuseas e vômitos frequentes
  • perda de peso sem causa aparente
  • fezes muito claras, gordurosas ou com odor forte
  • pele e olhos amarelados
  • cansaço constante
  • aumento excessivo da sede e da vontade de urinar

Embora esses sintomas possam ter diferentes causas, eles não devem ser ignorados, principalmente quando persistem.

O pâncreas raramente dá sinais no começo

Mesmo pequeno, o pâncreas exerce funções indispensáveis para o equilíbrio do organismo. Ele participa da digestão, ajuda o corpo a absorver nutrientes e regula os níveis de açúcar no sangue diariamente.

O desafio é que muitos problemas pancreáticos começam de forma silenciosa. Em vários casos, os sintomas aparecem apenas quando a doença já está mais avançada.

Por isso, prestar atenção ao corpo, manter hábitos saudáveis e investigar sintomas persistentes pode fazer diferença no diagnóstico e no tratamento.

Pequenos cuidados no dia a dia ajudam não apenas o pâncreas, mas a saúde como um todo.

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Farm. Elizandra Civalsci Costa

Editora-chefe do SaúdeLAB. Farmacêutica (CRF MT nº 3490), formada pela Universidade Estadual de Londrina, com especialização em Farmácia Hospitalar e Oncologia pelo Hospital Erasto Gaertner.

Atua na supervisão editorial e na produção de conteúdos jornalísticos e informativos sobre saúde, ciência e bem-estar, seguindo critérios de apuração, revisão e responsabilidade editorial.

Possui formação em revisão de conteúdo para web pela Rock Content University e capacitação em fact-checking pelo Poynter Institute.

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