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O doce da infância pode custar caro ao coração décadas depois
Reduzir o açúcar nos primeiros anos de vida pode ter um efeito que atravessa décadas.
Dados recentes indicam que pessoas que consumiram menos açúcar desde a gestação até os 2 anos de idade apresentaram risco significativamente menor de doenças cardiovasculares na vida adulta.
Os dados mostraram reduções consistentes entre aqueles que tiveram menor exposição ao açúcar nos primeiros anos de vida:
- 20% menos doenças cardiovasculares;
- 25% menos infartos;
- 26% menos insuficiência cardíaca;
- 24% menos arritmias;
- 31% menos AVC;
- 27% menos mortes por causas cardiovasculares.
Além da menor incidência, quando os problemas surgiam, apareciam mais tarde; em média, até dois anos e meio depois.
Parte dessa associação foi acompanhada por menores taxas de hipertensão e diabetes ao longo da vida, dois fatores diretamente ligados ao risco cardíaco.
Por que o açúcar na infância pesa mais nos primeiros mil dias
Os chamados primeiros mil dias (da gravidez até cerca dos dois anos) são considerados uma janela crítica do desenvolvimento.
É quando órgãos, metabolismo e mecanismos de regulação do corpo ainda estão em formação.
Nessa fase, o organismo parece ser mais sensível ao excesso de açúcar.
A hipótese é que uma exposição mais controlada ajude o corpo a lidar melhor com energia e metabolismo no futuro.
As recomendações atuais já seguem essa linha: evitar bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados na introdução alimentar.
O que aconteceu na prática
Os pesquisadores aproveitaram um recorte histórico do Reino Unido. Até setembro de 1953, o açúcar era racionado no país.
Isso fez com que crianças nascidas antes dessa data passassem a gestação e os primeiros anos de vida com consumo mais limitado.
Na época, a ingestão era restrita a menos de 40 gramas por dia, e menores de dois anos não recebiam açúcar adicionado.
Décadas depois, ao comparar a saúde cardiovascular desses indivíduos com a de pessoas nascidas após o fim do racionamento, surgiram diferenças consistentes.
Quem teve menor exposição precoce ao açúcar apresentou menos doenças cardíacas e menor mortalidade por essas causas.
O trabalho não prova causa e efeito, mas aponta uma ligação consistente entre exposição precoce ao açúcar e doenças cardíacas no futuro.
Açúcar na infância: o impacto que pode durar décadas
A mensagem não é sobre dietas radicais. É sobre evitar excesso logo no começo da vida.
Os hábitos alimentares da infância podem não mostrar consequências imediatas. Mas, ao que tudo indica, ajudam a moldar riscos que só aparecem décadas depois.
Reduzir açúcar nos primeiros anos pode ser uma decisão com impacto que atravessa gerações.
Os resultados do estudo foram publicados no periódico científico BMJ (British Medical Journal).
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