Anos após o parto, a amamentação pode ter um efeito pouco falado

A relação entre amamentação e saúde mental materna pode ir além do período logo após o parto.

Um estudo publicado na revista científica BMJ Open sugere que mulheres que amamentaram ao longo da vida apresentaram menor risco de relatar depressão e ansiedade anos depois, já na faixa dos 40 anos.

A pesquisa acompanhou mães irlandesas por uma década e reforça uma tendência observada em estudos recentes, a de que os benefícios da amamentação não se limitam ao bebê.

Eles também podem se estender ao bem-estar emocional da mulher no médio e longo prazo.

Menor risco de depressão e ansiedade ao longo dos anos

Ao analisar dados de 168 mulheres, as pesquisadoras observaram um padrão consistente.

Entre as mães que amamentaram em algum momento da vida, os relatos de depressão e ansiedade foram menos frequentes dez anos depois, quando comparados aos de mulheres que nunca amamentaram.

Em termos simples, isso quer dizer que essas mulheres tiveram uma chance bem menor (em torno de 60%) de enfrentar esses problemas emocionais ao longo do tempo.

O efeito apareceu com mais força entre aquelas que conseguiram amamentar por mais tempo, especialmente quando a soma total da amamentação chegou a um ano ou mais ao longo da vida.

Duração da amamentação pode influenciar os resultados

Outro achado relevante envolve o tempo de amamentação exclusiva.

Cada semana adicional esteve associada a uma pequena redução no risco futuro de depressão e ansiedade.

Isoladamente, o impacto semanal pode parecer discreto, mas ao longo de meses a diferença se torna mais significativa.

As autoras destacam que os dados não indicam uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os números mostram que amamentação e saúde mental materna caminham juntas de forma consistente ao longo do tempo.

O que pode explicar essa associação

Entre as hipóteses levantadas estão fatores biológicos e emocionais.

Durante a amamentação, o corpo libera hormônios como a ocitocina, associada à redução do estresse, à sensação de bem-estar e ao fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê.

Além disso, aspectos como confiança, apoio e acolhimento durante a maternidade podem contribuir para um melhor equilíbrio emocional no curto e no longo prazo.

Amamentar nem sempre é simples — e apoio faz diferença

O estudo também faz um alerta importante. Amamentar pode ser desafiador, e muitas mulheres enfrentam dificuldades físicas, emocionais ou sociais.

Mulheres com histórico de depressão ou ansiedade, inclusive, tendem a interromper a amamentação mais cedo.

Por isso, a mensagem não é de cobrança, mas de apoio.

Os resultados reforçam a importância de orientação adequada, acompanhamento profissional e políticas públicas que cuidem da saúde emocional da mulher desde a gestação.

Cuidar da mãe é parte essencial da promoção da saúde a longo prazo — para ela, para o bebê e para a sociedade.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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