Book Appointment Now

Após o câncer, um detalhe da dieta pode fazer mais diferença do que parece
Depois de um diagnóstico de câncer, muita coisa muda. Consultas médicas entram na rotina, exames se tornam frequentes e a alimentação passa a ser vista com mais cuidado. Ainda assim, um detalhe importante costuma passar despercebido: o quanto os alimentos são processados.
Um acompanhamento de longo prazo com pessoas que já tiveram câncer observou um padrão preocupante. Quem manteve uma dieta rica em alimentos ultraprocessados apresentou um risco maior de morrer ao longo dos anos, tanto por qualquer causa quanto pelo próprio câncer.
A questão não está apenas em calorias ou nutrientes isolados. O problema parece estar no tipo de alimento e na forma como ele é produzido.
O que são alimentos ultraprocessados
Ultraprocessados são produtos que passam por várias etapas industriais e levam pouco ou nada do alimento original.
Entram nessa categoria refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos, macarrão instantâneo, comidas prontas congeladas e doces industrializados.
Eles costumam ter listas longas de ingredientes, com aditivos como conservantes, corantes, aromatizantes e emulsificantes.
Em geral, são pobres em fibras, vitaminas e minerais, e ricos em açúcar, gordura e sal.
Por que isso pesa mais para quem já teve câncer
O corpo de quem passou por um câncer já enfrentou um grande estresse físico.
Mesmo após o tratamento, ele pode permanecer mais sensível a inflamações, alterações metabólicas e desequilíbrios no funcionamento do organismo.
Os ultraprocessados tendem a agravar exatamente esses pontos.
Eles favorecem inflamações persistentes, podem alterar a microbiota intestinal e interferir no metabolismo.
Assim, mesmo quando dois alimentos têm calorias semelhantes no rótulo, o impacto no corpo pode ser muito diferente.
O que se observou ao longo do tempo
Ao acompanhar sobreviventes de câncer por mais de uma década, os pesquisadores perceberam que aqueles que consumiam mais ultraprocessados tinham uma associação clara com maior risco de morte ao longo do tempo.
Mesmo levando em conta fatores como idade, tabagismo, atividade física, peso, histórico de saúde e qualidade geral da dieta, a relação entre consumo de ultraprocessados e maior risco de morte continuou aparecendo.
Isso indica que o problema não estava apenas em uma alimentação “ruim” no sentido comum, mas no alto grau de processamento dos alimentos, que pareceu ter um impacto próprio sobre a saúde.
Inflamação e coração entram na equação
Parte dessa relação foi explicada por sinais de inflamação no organismo e pelo aumento da frequência cardíaca em repouso.
São alterações silenciosas, que não costumam causar sintomas imediatos, mas que ao longo dos anos aumentam o risco de complicações graves.
O mais importante não é um alimento isolado
Os próprios pesquisadores destacam que não faz sentido apontar um único vilão.
O que realmente importa é o conjunto da dieta.
Quanto maior o espaço dos ultraprocessados no dia a dia, menor tende a ser o consumo de alimentos frescos e preparados em casa.
Uma dica simples é observar os rótulos.
Produtos com listas longas de ingredientes ou muitos aditivos costumam ser ultraprocessados.
Priorizar alimentos frescos e preparações caseiras, mesmo simples, já é um passo importante para cuidar da saúde no longo prazo.
O trabalho acompanhou sobreviventes de câncer por mais de 14 anos e foi publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, da American Association for Cancer Research.
Leitura Recomendada: O alerta por trás do consumo exagerado de antioxidantes



