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Por que tantas meninas passam anos sem saber que são autistas
Durante muito tempo, o autismo foi visto quase como algo “de menino”. Na infância, o número de diagnósticos sempre foi muito maior entre eles.
Mas isso pode estar escondendo uma realidade importante. Muitas meninas passam anos sem saber que estão no espectro.
Um grande estudo acompanhou quase 3 milhões de pessoas por mais de três décadas e encontrou um padrão claro.
Enquanto os meninos costumam ser diagnosticados ainda crianças, as meninas só aparecem com mais frequência nos registros durante a adolescência e, em muitos casos, apenas na vida adulta.
Não porque o autismo surge mais tarde nelas. Mas porque passa despercebido.
Quando os sinais não chamam atenção
O autismo pode se manifestar de formas diferentes em meninos e meninas.
Desde cedo, muitas meninas aprendem a observar, copiar comportamentos e tentar se encaixar socialmente.
Elas reproduzem falas, expressões e atitudes das colegas, mesmo que isso custe um enorme esforço emocional.
Para quem olha de fora, parece tudo normal.
A criança pode ser vista apenas como tímida, sensível ou introspectiva. Enquanto isso, dificuldades reais de comunicação, interação social e interesses restritos ficam escondidas.
Esse fenômeno é conhecido como camuflagem social, e é um dos principais motivos para o diagnóstico tardio.
O diagnóstico só vem depois — às vezes bem depois
Os dados mostram que, na infância, os diagnósticos se concentram principalmente nos meninos. Já na adolescência, o número de meninas identificadas cresce bastante.
Com o tempo, essa diferença vai diminuindo.
Os pesquisadores chamam isso de “efeito de compensação”: os diagnósticos femininos acabam alcançando os masculinos.
Outro fator que atrasa essa descoberta é que os sintomas costumam ser atribuídos primeiro a ansiedade, depressão ou outros transtornos.
Pesquisas mostram que, nesse percurso, muitas mulheres passam anos tratando esses quadros antes que alguém levante a hipótese de autismo.
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O que isso muda na vida real
Esses achados reforçam que o autismo ainda é observado a partir de padrões muito masculinos.
Quando profissionais, escolas e famílias aprendem a reconhecer sinais mais sutis nas meninas, o diagnóstico pode chegar mais cedo — junto com apoio, compreensão e tratamento adequado.
Para muitas mulheres, receber o diagnóstico mais tarde traz um misto de impacto e alívio.
De repente, dificuldades antigas passam a fazer sentido. E isso abre espaço para mais acolhimento, menos culpa e uma relação mais gentil consigo mesmas.
Os dados fazem parte de um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ).



