Bastam 10 minutos? Prática milenar ajuda na pressão alta

Controlar a pressão alta está longe de ser simples para muita gente. É comum começar a caminhar ou frequentar a academia e, com o tempo, abandonar a rotina por falta de tempo, motivação ou estrutura.

Nesse cenário, uma prática corporal chinesa com mais de 800 anos tem chamado a atenção de pesquisadores.

Um estudo recente observou que ela pode ajudar a reduzir a pressão arterial com resultados semelhantes aos da caminhada rápida.

E com uma vantagem prática: não exige equipamentos, mensalidades ou supervisão constante.

O que é o Baduanjin

O Baduanjin é uma sequência padronizada de oito movimentos lentos, combinados com respiração profunda e foco mental.

A rotina costuma durar entre 10 e 15 minutos e pode ser feita em casa, no parque ou na sala de estar.

Por ter intensidade leve a moderada, tende a ser acessível para adultos de diferentes idades, inclusive para quem não tem hábito de se exercitar.

Na prática, reúne alongamento, contração muscular leve, estímulo cardiovascular e concentração, tudo sem impacto.

Baduanjin para pressão alta: o que o estudo observou

A pesquisa acompanhou 216 pessoas com 40 anos ou mais que apresentavam pressão arterial na faixa de hipertensão estágio 1 (sistólica entre 130 e 139 mm Hg).

Durante um ano, os participantes foram divididos em três grupos:

  • prática de Baduanjin cinco vezes por semana;
  • exercícios feitos por conta própria;
  • caminhada rápida.

Após três meses, quem praticou Baduanjin apresentou:

  • redução média de cerca de 3 mm Hg na pressão sistólica ao longo de 24 horas;
  • queda de 5 mm Hg na pressão medida em consultório.

Na cardiologia, mesmo reduções modestas já são consideradas clinicamente relevantes. O efeito observado se manteve ao longo de um ano.

Quando comparado à caminhada rápida, o desempenho foi semelhante no grupo estudado.

Por que isso importa

A hipertensão é um dos principais fatores de risco evitáveis para doenças cardiovasculares.

Embora a atividade física regular seja recomendada, manter constância costuma ser o maior desafio.

Programas que exigem academia, equipamentos ou supervisão frequente tendem a ter maior abandono.

O Baduanjin, por sua vez, se destaca justamente pela simplicidade.

São poucos minutos por dia, sem necessidade de aparelhos ou espaço específico.

No estudo, os benefícios persistiram mesmo sem monitoramento contínuo — um ponto relevante em intervenções de estilo de vida.

Isso sugere que práticas simples e acessíveis podem ter papel complementar no controle da pressão.

Pode substituir remédio?

Não necessariamente. O tratamento da hipertensão deve sempre ser individualizado e acompanhado por um profissional de saúde.

Para algumas pessoas, mudanças no estilo de vida podem ser suficientes. Para outras, o uso de medicamentos continua sendo necessário.

O que o estudo sugere é que a prática pode contribuir para a redução da pressão arterial e funcionar como aliada dentro de uma estratégia mais ampla de cuidado.

O que pode explicar o efeito

O controle da pressão arterial não depende apenas do gasto calórico. Fatores como estresse, respiração e regulação do sistema nervoso também influenciam os níveis pressóricos.

Especialistas apontam que práticas que combinam movimento lento e respiração profunda podem favorecer o relaxamento do organismo, o que ajuda no controle da pressão em parte das pessoas.

Além disso, a facilidade de manter a rotina pode ser decisiva.

Na hipertensão, consistência costuma pesar mais do que intensidade.

Uma alternativa possível no dia a dia

Para quem já tentou iniciar exercícios e não conseguiu manter, começar por uma prática menos exigente pode ser um caminho viável.

No estudo, de 10 a 15 minutos por dia, cinco vezes por semana, já foram suficientes para produzir efeitos mensuráveis.

Em um cenário em que a pressão alta atinge milhões de brasileiros, estratégias simples e acessíveis ganham relevância.

Às vezes, movimentos suaves (quando feitos com regularidade) podem contribuir de forma concreta para a saúde cardiovascular.

O estudo foi publicado no Journal of the American College of Cardiology (JACC).

Leitura Recomendada: O que acontece com sua pressão durante um banho quente?

Compartilhe este conteúdo
Avatar photo
Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS