O que acontece com a atenção quando alunos checam o celular o tempo todo na escola

Com o uso de celulares cada vez mais discutido nas escolas — inclusive no Brasil, onde uma lei passou a restringir os aparelhos durante o período escolar — pesquisas científicas começam a mostrar por que o tema preocupa educadores.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, indica que verificar o celular repetidamente ao longo das aulas pode estar associado a dificuldades de atenção e autocontrole entre adolescentes.

Os cientistas acompanharam estudantes do ensino fundamental e médio e identificaram um padrão importante.

Em média, os jovens passam perto de um terço do período escolar usando o smartphone e costumam olhar o aparelho várias vezes ao longo das aulas.

Grande parte desse tempo é dedicada a redes sociais e aplicativos de entretenimento, que juntos representam mais de 70% do uso registrado.

Uso do celular na escola ocorre praticamente em todas as horas do dia

Em vez de depender apenas de relatos dos próprios adolescentes, os cientistas registraram diretamente quando e com que frequência o celular era utilizado.

Os dados mostraram que o aparelho não aparece apenas em momentos pontuais.

Ele está presente em praticamente todas as horas do dia escolar, muitas vezes interrompendo o foco nas atividades.

O problema não é apenas o tempo de tela

Os resultados também indicaram que o impacto não está apenas na quantidade total de tempo usando o celular. O que parece pesar mais é a frequência com que o aparelho é checado ao longo do dia.

Cada vez que o estudante pega o telefone para conferir notificações ou redes sociais, ocorre uma pequena interrupção da atenção.

Quando isso acontece repetidamente, manter o foco em uma tarefa pode se tornar mais difícil.

Os alunos que verificavam o celular com mais frequência apresentaram pior desempenho em uma habilidade chamada controle cognitivo.

Esse termo se refere à capacidade de manter a concentração, controlar impulsos e direcionar a atenção para atividades importantes. Tais competências são consideradas essenciais para o aprendizado.

Redes sociais e entretenimento dominam o uso

Os dados também ajudaram a entender como os adolescentes utilizam o celular durante o período escolar.

A maior parte do tempo foi dedicada a aplicativos de entretenimento e redes sociais.

Esses ambientes digitais são projetados para estimular o uso constante, o que pode reforçar ainda mais o hábito de checar o telefone repetidamente ao longo do dia.

Esse padrão de interrupções frequentes pode fragmentar a atenção e dificultar períodos mais longos de concentração.

Debate sobre celulares nas escolas ganha força

Os resultados aparecem em um momento em que diversos países e sistemas educacionais discutem regras mais rígidas para o uso de celulares em sala de aula.

No Brasil, por exemplo, uma lei sancionada em janeiro de 2025 passou a restringir o uso de smartphones nas escolas durante aulas, recreios e intervalos.

A medida levou muitas instituições a adotar estratégias para guardar os aparelhos durante o período escolar, como caixas coletivas ou compartimentos individuais.

A proposta dessas políticas não é eliminar completamente a tecnologia do ambiente educacional, mas reduzir distrações e preservar a atenção dos estudantes durante as atividades de aprendizagem.

O estudo reforça a importância de discutir formas mais equilibradas de integrar os dispositivos digitais à rotina escolar.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e publicada na revista científica JAMA Network Open.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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