Dieta cetogênica para síndrome dos ovários policísticos vale a pena?

Uma nova revisão científica analisou se a dieta cetogênica pode trazer benefícios reais para mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP). 

Publicado no fim de 2025 na revista Clinical Nutrition, o estudo reuniu dados de diferentes pesquisas para avaliar os efeitos desse padrão alimentar sobre peso, metabolismo e hormônios.

A SOP é um distúrbio hormonal comum, que pode causar menstruação irregular, dificuldade para engravidar, acne, excesso de pelos e ganho de peso. 

Em muitos casos, também está associada à resistência à insulina — um problema metabólico que dificulta o controle do açúcar no sangue e favorece o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal.

O que a ciência avaliou

Os pesquisadores analisaram 15 estudos envolvendo mulheres com SOP, a maioria com sobrepeso ou obesidade. 

A proposta foi entender se a dieta cetogênica para síndrome dos ovários policísticos traz benefícios quando comparada a outras dietas ou ao período anterior à mudança alimentar.

A dieta cetogênica é caracterizada por uma ingestão muito baixa de carboidratos, consumo moderado de proteínas e maior participação de gorduras. 

Essa combinação leva o organismo a entrar em cetose, um estado no qual a gordura passa a ser a principal fonte de energia.

Menos peso e melhor resposta metabólica

Um dos achados mais consistentes foi a perda de peso. Em média, as mulheres que seguiram a dieta cetogênica apresentaram:

  • redução significativa no peso corporal;
  • diminuição do índice de massa corporal (IMC);
  • redução da circunferência da cintura.

Esse resultado é especialmente importante na SOP, já que o acúmulo de gordura abdominal costuma piorar os desequilíbrios hormonais.

Outro destaque foi a melhora da resistência à insulina. Os dados mostram queda nos níveis de insulina no sangue, o que ajuda o corpo a lidar melhor com o açúcar e o metabolismo. 

Esse efeito é central na SOP, pois a insulina elevada estimula a produção de hormônios androgênicos, associados a sintomas como acne, queda de cabelo e ciclos menstruais irregulares.

Hormônios e ciclo menstrual

A revisão também mostrou queda nos níveis do hormônio luteinizante (LH), que costuma estar desregulado em mulheres com SOP e pode interferir no funcionamento normal dos ovários. 

Quando esse hormônio se equilibra melhor, o ciclo menstrual tende a ficar mais organizado.

Em alguns estudos, isso apareceu como uma melhora na duração e na regularidade da menstruação — um sinal indireto, ainda não definitivo, de que a ovulação pode estar ocorrendo com mais frequência.

Já os efeitos sobre colesterol e triglicérides foram menos previsíveis. Em parte das pesquisas, houve melhora nesses exames; em outras, praticamente não houve mudança. 

Segundo os autores, essa diferença pode estar ligada ao pouco tempo de acompanhamento e ao tipo de gordura incluída na dieta.

O que isso significa na prática

Os pesquisadores reforçam que a dieta cetogênica para síndrome dos ovários policísticos não deve ser vista como solução única ou definitiva. 

A maioria dos estudos avaliou efeitos de curto prazo, e ainda faltam pesquisas mais longas para confirmar segurança e adesão ao longo dos anos.

Ainda assim, os dados sugerem que, quando bem orientada e acompanhada por profissionais de saúde, essa estratégia alimentar pode ser uma ferramenta útil para mulheres com SOP e excesso de peso, especialmente aquelas com resistência à insulina.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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