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Direitos do paciente: o que muda no seu atendimento na prática
Já saiu de uma consulta com a sensação de que não entendeu direito o que está acontecendo com a sua saúde? Ou ficou com dúvidas sobre um tratamento, mas sem saber se podia questionar ou pedir outra opinião?
Situações como essas são mais comuns do que parecem, e agora passam a ter uma proteção mais clara na lei.
Entrou em vigor no Brasil o Estatuto dos Direitos do Paciente (Lei nº 15.378/2026), uma legislação que reúne, pela primeira vez, regras sobre os direitos do paciente e também seus deveres.
A norma vale para atendimentos na rede pública e privada e muda, na prática, a forma como o paciente participa do próprio cuidado.
O que é o Estatuto dos Direitos do Paciente
O Estatuto dos Direitos do Paciente organiza e deixa mais claros os direitos de quem está em atendimento de saúde, seja em consultas, exames ou internações.
Na prática, a lei busca garantir três pilares:
- mais autonomia
- mais informação
- mais segurança e respeito
Antes, muitos desses direitos já existiam, mas estavam espalhados em diferentes normas.
Agora, passam a estar reunidos em um único conjunto, o que facilita o acesso e o entendimento.
E há um ponto importante: o desrespeito a esses direitos pode ser entendido como uma violação de direitos humanos, o que reforça o peso da lei.
Informação clara deixa de ser favor e vira obrigação
Um dos principais avanços é o direito à informação, algo básico, mas que nem sempre acontecia na prática.
Agora, o paciente deve receber explicações claras, completas e acessíveis sobre:
- diagnóstico e evolução da doença
- riscos e benefícios de tratamentos
- alternativas disponíveis
- possíveis efeitos colaterais
Isso é conhecido como consentimento informado; ou seja, o paciente só decide após realmente entender o que está acontecendo.
Na prática, isso significa que você pode (e deve) perguntar, pedir explicações e só aceitar um tratamento quando estiver seguro.
O paciente passa a ter mais controle sobre o próprio tratamento
Outro ponto central do Estatuto dos Direitos do Paciente é o fortalecimento da autonomia.
Com a nova lei, o paciente tem direito de:
- aceitar ou recusar tratamentos
- interromper um procedimento, se desejar
- participar das decisões sobre sua saúde
- indicar alguém para decidir por ele, se não puder se expressar
Também é garantido o direito de buscar uma segunda opinião médica em qualquer fase do tratamento, algo essencial para decisões mais seguras.
Além disso, a lei reconhece as chamadas diretivas antecipadas de vontade, que permitem deixar registrado, por escrito, quais tratamentos você aceita ou não no futuro.
Acesso ao prontuário: seus dados são seus
Muita gente não sabe, mas o prontuário médico é um direito do paciente, e isso agora fica ainda mais claro.
Você pode:
- acessar seu prontuário sem precisar justificar
- solicitar cópias gratuitamente
- pedir correções de informações incorretas
Isso dá mais controle sobre seus próprios dados e evita erros que podem impactar o tratamento.
Privacidade, respeito e fim da discriminação
O Estatuto reforça que o atendimento em saúde deve respeitar a dignidade do paciente em todos os momentos.
Entre os direitos garantidos estão:
- atendimento em ambiente privado
- proteção dos dados de saúde (mesmo após a morte)
- respeito ao nome de preferência
- consideração por crenças, cultura e valores
A lei também proíbe qualquer forma de discriminação, seja por renda, raça, religião, condição de saúde ou qualquer outra característica.
Mais segurança no atendimento e participação ativa do paciente
Um dos pontos mais práticos da lei envolve a segurança no atendimento.
Na prática, o paciente passa a ter um papel mais ativo e pode:
- conferir a dosagem dos medicamentos antes de recebê-los
- perguntar sobre a procedência de remédios e insumos
- questionar a higienização de mãos e equipamentos
- pedir a identificação dos profissionais de saúde
Esse tipo de participação ajuda a reduzir erros e torna o atendimento mais seguro.

Direito a acompanhante e apoio em momentos difíceis
O paciente tem direito a levar um acompanhante durante consultas e internações (como um familiar ou pessoa de confiança).
A exceção acontece apenas quando o profissional de saúde entende que isso pode atrapalhar o atendimento ou colocar alguém em risco.
Em situações mais delicadas, como doenças graves, a lei também garante:
- cuidados para aliviar dor e desconforto (cuidados paliativos)
- respeito às escolhas do paciente sobre seu tratamento
- apoio à família durante o processo
Além disso, a pessoa pode deixar registrado, por escrito, como deseja ser cuidada no futuro, especialmente em casos em que não consiga mais se comunicar.
Direitos do paciente também vêm com responsabilidades
A lei não trata apenas de direitos. Ela também deixa claro que o cuidado em saúde é uma via de mão dupla.
Entre os deveres do paciente estão:
- informar corretamente seu histórico de saúde
- seguir as orientações médicas
- comunicar mudanças no seu estado
- respeitar profissionais e outros pacientes
- cumprir regras das instituições de saúde
Na prática, isso ajuda a melhorar o atendimento e evita riscos desnecessários.
O que muda na prática
Com o Estatuto dos Direitos do Paciente, quem está em atendimento ganha mais espaço para entender, questionar e participar das decisões sobre a própria saúde.
Na prática, isso significa que o paciente passa a ter mais segurança e clareza durante o cuidado, podendo:
- entender melhor o que está acontecendo
- fazer perguntas sem receio
- decidir junto com o profissional o que faz mais sentido
- ser tratado com mais respeito
Além disso, o governo deverá divulgar esses direitos, acompanhar a qualidade dos serviços e receber reclamações quando algo não for cumprido.
Mais do que uma lista de regras, o paciente deixa de apenas receber orientações e passa a ter voz ativa no próprio tratamento.
Entender isso ajuda a garantir que esses direitos do paciente sejam, de fato, respeitados.
Leia também: O que ninguém explica sobre seus direitos como paciente



