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O mito do “fumante leve”: por que até poucos cigarros já fazem estrago no coração
Quando se fala em doenças cardiovasculares, muita gente ainda pensa apenas em colesterol alto, pressão descontrolada ou herança genética.
Mas um trabalho publicado na revista PLOS Medicine acaba de reforçar algo que especialistas repetem há décadas, que o tabagismo continua sendo um dos fatores que mais pesam para o coração.
Isso vale mesmo entre pessoas que fumam pouco, “só socialmente” ou apenas alguns cigarros por dia.
A pesquisa analisou dados de 323 mil adultos acompanhados por até 19 anos em 22 grandes estudos nos Estados Unidos e no Brasil.
A mensagem central é a de que não existe cigarro inofensivo.
Fumar de 2 a 5 unidades por dia já aumenta em cerca de 50% o risco de doenças cardiovasculares e em 60% o risco de morte por qualquer causa, em comparação com quem nunca fumou.
Fumar pouco também faz mal (e muito)
Por muito tempo, houve quem acreditasse que reduzir a quantidade de cigarros seria suficiente para diminuir os danos.
O novo estudo mostra que não é bem assim.
Mesmo quem fumava apenas 2 a 5 cigarros por dia apresentava risco elevado de infarto, derrame, insuficiência cardíaca e até arritmias.
Isso acontece porque o risco não sobe de forma proporcional ao número de cigarros.
Os pesquisadores observaram que os primeiros cigarros do dia já concentram grande parte do prejuízo, e, a partir desse ponto, o risco continua subindo, mas em ritmo mais lento.
Em outras palavras, fumar pouco não protege o coração.
O impacto do hábito ao longo dos anos
Outro achado importante é o efeito do tempo acumulado de exposição ao cigarro.
Quanto mais anos de tabagismo, maior o risco de problemas sérios, especialmente infarto e morte por doenças cardiovasculares.
E não é preciso fumar por uma vida inteira para que o impacto apareça. Mesmo alguns anos já fazem diferença.
O estudo também identificou que mulheres fumantes, em vários desfechos, apresentaram risco ainda maior do que os homens, o que reforça a necessidade de atenção especial a esse grupo.
Parar de fumar cedo transforma o futuro do coração
Se há um lado positivo nos resultados, ele está na força dos benefícios de parar de fumar.
A queda mais intensa do risco acontece nos primeiros 10 anos após parar, e a melhora continua por duas décadas.
Um dado marcante é que, depois de cerca de 20 anos sem fumar, o risco de ex-fumantes fica mais de 80% menor em comparação a fumantes ativos, aproximando-se do nível de quem nunca fumou.
Ainda assim, quanto mais cedo a pessoa larga o cigarro, maior a capacidade do organismo de se recuperar.
A mensagem final dos pesquisadores
O estudo reforça que a prioridade não deve ser reduzir o número de cigarros, e sim abandonar o tabagismo por completo.
Para quem ainda fuma, especialmente jovens e fumantes ocasionais, a recomendação é de que não se deve esperar “fumar muito” para pensar em parar.
O risco começa no primeiro cigarro.
No fim das contas, quando o assunto é doenças cardiovasculares, cada cigarro conta.
Deixar o tabaco, definitivamente, é uma das escolhas mais poderosas para proteger o coração a longo prazo.
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