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E se o tratamento da depressão resistente levasse só 5 dias?
Para quem vive com depressão resistente aos medicamentos, a jornada até encontrar alívio costuma ser longa e, muitas vezes, exaustiva.
Um dos tratamentos mais usados hoje exige idas quase diárias à clínica por mais de um mês.
Agora, pesquisadores indicam que esse processo pode, em alguns casos, ser concentrado em menos de uma semana, sem perda relevante de eficácia.
Depressão resistente: o que muda no formato acelerado
A estimulação magnética transcraniana (TMS) usa pulsos magnéticos para ativar áreas do cérebro ligadas ao humor.
O procedimento não envolve cirurgia nem anestesia e costuma ser indicado quando antidepressivos não funcionam como esperado.
No modelo tradicional, o tratamento ocorre em uma sessão por dia, cinco dias por semana, durante seis a oito semanas.
Já no protocolo testado pelos pesquisadores, o cronograma foi condensado. Foram cinco sessões por dia durante cinco dias consecutivos (o chamado modelo “5×5”).
Na prática, é como reunir em uma única semana o volume de aplicações que normalmente levaria várias semanas.
O que o estudo observou
O estudo acompanhou 175 pessoas com depressão resistente ao tratamento medicamentoso.
Parte seguiu o protocolo convencional, enquanto outra parte fez a versão acelerada.
Os dois grupos apresentaram redução significativa dos sintomas, sem diferença estatisticamente relevante entre os formatos no resultado geral.
O modelo tradicional, porém, ainda mostrou vantagem em algumas medidas de acompanhamento mais longo.
Hoje, pesquisas mais amplas indicam que a TMS pode reduzir sintomas em cerca de 60% a 70% dos pacientes, com remissão em aproximadamente um terço dos casos.
Os dados sugerem que o formato acelerado pode preservar esse potencial, com menor exigência de tempo.
Quando a melhora não aparece imediatamente
Um ponto que chamou atenção foi o tempo de resposta em parte dos pacientes do grupo acelerado.
Alguns participantes não apresentaram melhora logo após os cinco dias de sessões. No entanto, quando foram reavaliados entre duas e quatro semanas depois, houve uma queda média de 36% nos escores de depressão.
Isso sugere que os efeitos da estimulação podem continuar a se consolidar mesmo após o término das aplicações, e que a ausência de resposta imediata não necessariamente significa falha do tratamento.
Por que isso pode fazer diferença
A necessidade de comparecer diariamente à clínica por seis semanas é um dos principais obstáculos da TMS tradicional.
Um protocolo mais curto pode facilitar o acesso para pessoas com rotina apertada, dificuldades de deslocamento ou baixa energia por causa da própria doença.
Ainda assim, os próprios autores destacam cautela.
O estudo não distribuiu os participantes de forma aleatória, método considerado o mais confiável nesse tipo de pesquisa.
Por isso, ainda são necessários estudos maiores e mais rigorosos para confirmar se o formato acelerado funciona tão bem no longo prazo.
O que vem pela frente
Além da depressão resistente, a estimulação magnética transcraniana também vem sendo investigada para outras condições, como dor crônica e transtorno obsessivo-compulsivo.
À medida que os estudos avançam, protocolos mais curtos e flexíveis podem ampliar o alcance das terapias baseadas em estimulação cerebral, mas a confirmação definitiva ainda depende de novas pesquisas.
O estudo foi publicado na revista científica Journal of Affective Disorders.
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