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Aquela pessoa difícil pode estar envelhecendo você
Quase todo mundo tem alguém assim por perto. Aquele parente que vive criando tensão, o colega que sempre gera conflito ou a pessoa que transforma qualquer conversa em desgaste emocional.
Pesquisas recentes indicam que isso pode ser mais sério do que parece.
Não se trata apenas de cansaço mental; pode estar ligado a sinais de envelhecimento acelerado no próprio organismo.
Um desses estudos sugere que ter apenas uma pessoa estressante no círculo de convivência já se associa a envelhecimento biológico mais rápido e pior saúde mental ao longo do tempo.
Envelhecimento acelerado: o corpo reage ao estresse contínuo
Pesquisadores analisaram dados de milhares de adultos de diferentes idades e observaram um padrão.
Participantes que relataram conviver com alguém que frequentemente cria problemas ou tensão apresentaram sinais de envelhecimento biológico mais rápido.
No estudo, essas pessoas foram classificadas como “hasslers” — termo usado pelos pesquisadores para indicar contatos que costumam gerar desgaste frequente.
Quase 3 em cada 10 pessoas disseram ter pelo menos um contato desse tipo na rotina.
A cada pessoa estressante adicional no convívio próximo, os dados mostraram associação com:
- cerca de 9 meses a mais de idade biológica;
- um ritmo de envelhecimento aproximadamente 1,5% mais acelerado.
Isso não significa que a relação cause diretamente o envelhecimento, mas aponta para um vínculo consistente entre tensão social contínua e alterações no organismo.
Nem todo vínculo pesa da mesma forma
Os efeitos não foram iguais para todos os vínculos.
As associações mais fortes apareceram em relações familiares difíceis, principalmente com pais, filhos e parentes próximos.
Já no caso de parceiros amorosos, o estudo não encontrou um padrão claro de ligação com envelhecimento acelerado.
Entre pessoas fora da família, colegas de trabalho e quem divide a mesma casa também surgiram com frequência como fontes de tensão.
Por outro lado, amigos, profissionais de saúde e membros de grupos religiosos tiveram relação bem mais fraca com esse tipo de desgaste contínuo.
A saúde mental foi a mais afetada
Os sinais mais claros apareceram na saúde emocional.
Quanto maior o número de pessoas consideradas desgastantes no convívio, maiores foram os níveis de ansiedade e de sintomas depressivos relatados pelos participantes.
Também houve pior avaliação do próprio bem-estar psicológico.
Os efeitos no corpo foram mais discretos, mas ainda presentes.
Os dados mostraram associação com índice de massa corporal mais alto e maior acúmulo de gordura abdominal.
Como o estresse pode influenciar o envelhecimento
A explicação provável envolve o estresse crônico.
Quando uma relação gera tensão frequente, o corpo reage como se estivesse diante de um problema constante. Se isso acontece por muito tempo, o desgaste se acumula.
Em outras pesquisas, esse tipo de estresse prolongado já foi associado a alterações inflamatórias e a mudanças no chamado “relógio biológico”, que estima a idade real do organismo.
Isso não significa que relações difíceis provoquem diretamente o envelhecimento. O estudo encontrou uma ligação entre maior tensão no convívio e sinais de envelhecimento mais acelerado.
Ainda assim, os resultados reforçam que a qualidade das relações pode ir além do impacto emocional e também se refletir na saúde física ao longo do tempo.
O trabalho foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
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