​​Por que a esclerose múltipla continua avançando apesar do tratamento

Dificuldade para andar, desequilíbrio e movimentos descoordenados são sintomas comuns da esclerose múltipla progressiva, mesmo em pessoas que já estão em tratamento. 

A doença neurológica afeta o funcionamento do cérebro e da medula espinhal, e um novo estudo indica que esses problemas não dependem apenas da perda da mielina.

Segundo os pesquisadores, falhas na produção de energia das células do cérebro também ajudam a explicar a progressão da condição. 

A descoberta esclarece a relação entre esclerose múltipla e disfunção mitocondrial, dois processos que, juntos, contribuem para o avanço da doença ao longo do tempo.

Quando a mielina não explica tudo

A esclerose múltipla é uma doença autoimune em que o próprio organismo ataca a mielina, camada que envolve e protege os neurônios e permite que os sinais nervosos circulem corretamente. 

Sem essa proteção, a comunicação entre as células fica prejudicada.

No entanto, essa explicação não é suficiente para entender por que alguns sintomas continuam piorando mesmo quando a inflamação está mais controlada. 

Segundo os pesquisadores, é nesse ponto que entra a disfunção mitocondrial, um problema ligado ao metabolismo das células nervosas.

O problema no cerebelo

O estudo identificou alterações importantes no cerebelo, região do cérebro responsável pelo equilíbrio e pela coordenação motora. 

Nessa área, as mitocôndrias — estruturas que funcionam como as “usinas de energia” das células — passam a produzir energia de forma menos eficiente.

Neurônios dependem de um fornecimento constante de energia para manter suas funções. 

Quando esse metabolismo falha, as células entram em sofrimento e se tornam mais vulneráveis a danos progressivos.

Células de Purkinje e perda de controle motor

Um dos achados mais relevantes envolve as células de Purkinje, neurônios essenciais para o controle fino dos movimentos. 

Elas ficam no cerebelo e têm alta demanda energética, o que as torna especialmente sensíveis à disfunção mitocondrial.

Com o tempo, parte dessas células se perde, ajudando a explicar sintomas motores comuns da esclerose múltipla progressiva, como tremores, dificuldade para andar, desequilíbrio e movimentos descoordenados.

Um novo olhar sobre a doença

Durante muitos anos, a esclerose múltipla foi vista quase exclusivamente como uma doença inflamatória. 

O estudo reforça que a relação entre esclerose múltipla e disfunção mitocondrial também precisa ser considerada.

Embora não traga um tratamento imediato, essa descoberta aponta caminhos futuros. 

Proteger o metabolismo das células nervosas pode se tornar uma estratégia complementar, ajudando a preservar a função cerebral e a qualidade de vida dos pacientes por mais tempo.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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