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Antes de apostar no Ginkgo biloba contra a demência, leia isto
Diante do medo da perda de memória, muita gente recorre ao Ginkgo biloba na esperança de proteger o cérebro. O suplemento, vendido livremente em farmácias e lojas de produtos naturais, ganhou fama como aliado da cognição. Mas ele realmente funciona?
Uma ampla revisão científica publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews analisou as melhores pesquisas disponíveis sobre o tema.
O trabalho reuniu 82 estudos clínicos, com mais de 10 mil participantes, e avaliou se o Ginkgo melhora memória, raciocínio, autonomia no dia a dia e se é seguro.
Quando a queixa é leve
Entre pessoas com comprometimento cognitivo leve — fase intermediária entre o envelhecimento normal e a demência — o Ginkgo praticamente não fez diferença quando comparado ao placebo.
Placebo é uma substância sem efeito terapêutico, usada apenas para comparação nos estudos.
Também não houve benefício relevante em pessoas com esclerose múltipla que apresentavam dificuldades cognitivas.
Na prática, isso significa que, para quem busca o suplemento com a expectativa de evitar a progressão do declínio cognitivo ou melhorar esquecimentos leves, a evidência atual não mostra vantagem consistente.
E nos casos de demência?
Aqui os resultados mudam um pouco, mas não tanto quanto muitos imaginam.
Entre pessoas com diagnóstico confirmado de demência, como Alzheimer ou demência vascular, o Ginkgo apresentou pequenas melhoras nos sintomas.
Alguns estudos indicaram discreto avanço na função cognitiva geral e na capacidade de realizar tarefas básicas, como se vestir ou se alimentar sozinho.
É importante dimensionar esse efeito. Os benefícios foram considerados pequenos a moderados.
Não houve reversão da doença nem comprovação de que o suplemento consiga frear sua progressão.
Além disso, os próprios pesquisadores classificaram a qualidade das evidências como baixa.
Os estudos variaram bastante em dose, tempo de uso e perfil dos participantes, o que dificulta afirmar com precisão o tamanho real do benefício.
A maioria acompanhou os pacientes por cerca de seis meses, o que ainda deixa dúvidas sobre efeitos no longo prazo.
Segurança e decisão prática
De modo geral, o suplemento não aumentou o risco de efeitos colaterais graves em comparação com placebo nos grupos estudados.
Mesmo assim, pode causar reações e interagir com medicamentos (especialmente anticoagulantes) e não deve ser iniciado sem orientação médica.
O que essa análise indica é que o Ginkgo biloba não é uma “pílula mágica” contra o declínio cognitivo.
Pode haver discreta melhora de sintomas em quem já vive com demência, mas não há evidência de que modifique o curso da doença.
As conclusões são baseadas na revisão publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, referência internacional na avaliação rigorosa de tratamentos em saúde.
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