O que muda com a aprovação da injeção contra o HIV no Brasil

A prevenção do HIV passa a contar com uma nova alternativa no Brasil. A Anvisa aprovou uma nova indicação para o lenacapavir, medicamento que agora pode ser usado na profilaxia pré-exposição, a PrEP — método preventivo indicado para pessoas que não têm o vírus, mas estão sob maior risco de infecção.

A principal mudança está no esquema de uso. Em vez de comprimidos tomados todos os dias, a proteção pode ser feita com apenas duas aplicações por ano.

O medicamento, comercializado com o nome Sunlenca, foi autorizado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos.

Antes de iniciar o uso, é obrigatório realizar o teste de HIV e confirmar resultado negativo.

É importante esclarecer que a injeção contra o HIV não é uma vacina.

Trata-se de um método preventivo já utilizado no Brasil, agora com ação prolongada, cuja diferença está na forma de administração e na duração do efeito.

Como funciona a PrEP injetável

O lenacapavir é um medicamento usado na prevenção do HIV.

Ele atua impedindo que o vírus consiga se multiplicar no organismo, o que reduz as chances de a infecção se estabelecer após a exposição.

O uso ocorre em duas etapas. Primeiro, a pessoa toma comprimidos por um curto período. Em seguida, passa a receber a injeção contra o HIV aplicada sob a pele, com efeito prolongado de cerca de seis meses.

Com esse esquema, a prevenção deixa de depender do uso diário de remédios, o que torna o acompanhamento mais simples para muitas pessoas.

Quem pode se beneficiar

A PrEP é indicada para pessoas que não têm HIV, mas que estão mais expostas ao vírus no dia a dia — como quem convive com um parceiro soropositivo ou não consegue usar preservativo com regularidade.

A versão injetável da PrEP passa a integrar outras formas de proteção já utilizadas no país, como:

  • testagem regular para HIV;
  • uso de preservativos;
  • tratamento contínuo de quem vive com o vírus;
  • PEP (profilaxia pós-exposição), indicada após situações de risco;
  • cuidados específicos durante a gestação.

Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o lenacapavir como uma opção adicional de PrEP, ao lado das estratégias já existentes.

O que mostram os estudos

Os dados indicaram eficácia muito elevada na prevenção do HIV, com desempenho superior ao da PrEP oral diária.

Os estudos também mostraram maior adesão ao tratamento, associada ao intervalo de seis meses entre as aplicações — um fator relevante para pessoas que têm dificuldade em manter o uso diário de comprimidos.

Próximos passos

Apesar da aprovação pela Anvisa, o medicamento ainda não está disponível no SUS.

O preço máximo precisa ser definido, e a incorporação à rede pública será avaliada por órgãos técnicos do Ministério da Saúde.

Caso venha a ser incorporada, a PrEP injetável poderá ser considerada como alternativa para pessoas que têm dificuldade em manter o uso diário de medicamentos.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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