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O horário do jantar pode estar sabotando seu coração
Se a última coisa que você faz antes de dormir é beliscar algo na cozinha ou jantar depois das 21h, talvez valha repensar o horário, não apenas o cardápio.
Um novo estudo mostrou que parar de comer algumas horas antes de dormir pode melhorar marcadores importantes da saúde do coração e do metabolismo, mesmo sem reduzir calorias.
A diferença não esteve na quantidade de comida, mas no momento em que ela foi consumida.
O que acontece quando você come muito perto da hora de dormir
Nosso organismo segue um ritmo interno de aproximadamente 24 horas, guiado pela luz e pelo sono.
Esse “relógio biológico” regula pressão arterial, frequência cardíaca, produção hormonal e controle do açúcar no sangue.
Quando você come muito perto da hora de deitar, o corpo precisa continuar trabalhando para digerir os alimentos e controlar o açúcar no sangue.
Isso acontece justamente no momento em que ele deveria estar reduzindo o ritmo para iniciar o descanso.
Esse esforço extra pode dificultar a queda natural da pressão arterial e da frequência cardíaca durante a noite, padrão considerado importante para a saúde do coração.
O que muda quando o jantar é mais cedo
Na pesquisa, adultos entre 36 e 75 anos com sobrepeso ou obesidade passaram a:
- Parar de comer pelo menos 3 horas antes de dormir;
- Reduzir a luz do ambiente à noite;
- Terminar o jantar mais cedo para completar entre 13 e 16 horas seguidas sem comer até a primeira refeição do dia seguinte.
Ou seja, apenas anteciparam o jantar e evitaram lanches noturnos.
Após 7 semanas e meia, os participantes apresentaram:
- Queda mais acentuada da pressão arterial durante o sono (cerca de 3,5%);
- Redução adequada da frequência cardíaca à noite (aproximadamente 5%);
- Melhor controle do açúcar no sangue durante o dia.
Essas mudanças indicam melhora em marcadores cardiometabólicos, especialmente no chamado “dipping” noturno.
Esse termo se refere à redução natural da pressão arterial e da frequência cardíaca durante o sono, considerada um sinal de bom funcionamento cardiovascular.
Por que isso chama atenção
Quase 90% dos participantes conseguiram seguir a rotina proposta; algo incomum em intervenções de saúde.
Não houve contagem de calorias nem restrições alimentares rígidas.
A principal mudança foi comportamental: respeitar o período natural de repouso do organismo.
Para quem já tenta melhorar a alimentação, ajustar o horário pode ser um passo adicional relativamente simples.
Para quem isso pode ser mais relevante
O estudo foi conduzido com adultos que já apresentavam maior risco cardiometabólico, como sobrepeso ou obesidade. Por isso, os resultados se aplicam diretamente a esse grupo.
Ainda não é possível afirmar que o mesmo efeito ocorrerá da mesma forma em todos os perfis da população.
A pesquisa avaliou mudanças na pressão arterial e no controle do açúcar no sangue, que são indicadores ligados à saúde cardiovascular.
Não foi medido se a estratégia reduz diretamente o risco de infarto ou AVC, algo que estudos maiores e de longo prazo ainda precisam confirmar.
Os achados foram publicados na revista científica Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology, periódico da American Heart Association.
No fim das contas, não é só o que você come que importa. O horário da última refeição também pode influenciar o funcionamento do coração durante a noite.
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