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A relação com seus pais hoje pode mudar como você lembra a infância
A forma como você se relaciona hoje com seus pais pode influenciar a maneira como você se lembra de experiências difíceis da infância.
Um novo estudo com jovens adultos indica que memórias de abuso e negligência não são completamente fixas. Elas podem variar conforme o apoio emocional e a qualidade das relações no presente.
A pesquisa ajuda a entender por que, em certos momentos da vida, lembranças do passado parecem mais dolorosas — e, em outros, menos intensas — mesmo quando os fatos vividos não mudaram.
O que muda não é o passado, mas a forma de lembrar
Os pesquisadores acompanharam quase mil jovens adultos por cerca de dois meses.
Ao longo desse período, os participantes relataram, em diferentes momentos, experiências adversas vividas antes dos 18 anos, como abuso emocional, abuso sexual e negligência.
Embora as histórias de infância permanecessem relativamente estáveis, pequenas variações apareciam nos relatos, e elas seguiam um padrão claro.
Quando os participantes se sentiam mais apoiados e menos pressionados pelos pais do que o habitual, tendiam a relatar menos experiências adversas da infância.
Em fases de maior conflito, afastamento ou tensão familiar, o movimento era o oposto.
Esse efeito foi mais evidente nos relatos de abuso emocional, abuso sexual e negligência.
Isso significa que a memória falha?
Não. Segundo os autores do estudo, essas variações não indicam que as pessoas estejam inventando ou distorcendo conscientemente suas histórias.
A explicação está no funcionamento da memória humana.
Ao recordar experiências antigas, o cérebro não acessa um registro fixo e imutável.
A lembrança é reconstruída, combinando o que aconteceu com o significado que esses eventos assumem no presente.
Em outras palavras, a memória não apaga o passado, ela o interpreta à luz da vida atual.
O que esse achado ajuda a entender
Relatos sobre experiências difíceis na infância são usados com frequência por pesquisadores e profissionais de saúde para avaliar riscos à saúde mental, ao bem-estar e a possíveis impactos ao longo da vida.
O estudo mostra que pequenas mudanças nesses relatos podem dizer muito sobre como a pessoa está hoje — se está mais fragilizada, mais amparada ou passando por um período de maior estresse emocional.
Ou seja, a forma como alguém fala do próprio passado também reflete como está vivendo o presente.
Por isso, os pesquisadores sugerem que ouvir essas histórias em mais de um momento, em vez de se basear em um único relato, pode ajudar a compreender melhor o estado emocional atual da pessoa e como ela está lidando com suas relações e desafios naquele período.
Quando o presente muda, o passado é revisto
As experiências da infância não se alteram com o tempo. Mas a forma como elas são lembradas pode mudar conforme o apoio emocional, os relacionamentos e o momento de vida.
Essas variações dizem muito sobre como cada pessoa constrói sentido para sua própria história, e mostram que o passado, muitas vezes, é revisitado à luz do presente.
A pesquisa foi publicada na revista científica Child Abuse & Neglect, especializada em estudos sobre violência, trauma e desenvolvimento humano.
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