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O segredo dos seus olhos: eles procuram lembranças sem você perceber
Você já percebeu que, ao tentar lembrar de algo importante, seus olhos começam a se mover mesmo quando não há nada para observar? Esse gesto quase automático pode revelar como o cérebro busca lembranças guardadas na memória.
Um novo estudo mostrou que os movimentos dos olhos aumentam instantes antes de uma pessoa recuperar detalhes de experiências reais — como uma cena vivida, um som marcante ou uma sensação específica.
Logo depois que a lembrança surge, esses movimentos diminuem novamente.
Na prática, é como se os olhos ajudassem o cérebro a “procurar” a memória antes que ela venha à tona.
Reviver experiências é diferente de lembrar fatos
Os pesquisadores observaram que esse padrão não aparece quando a pessoa tenta lembrar informações gerais, como fatos ou dados aprendidos.
Ele surge apenas quando o esforço envolve memórias ligadas a vivências pessoais.
Isso indica que o cérebro usa caminhos diferentes para acessar conhecimentos genéricos e para reviver experiências do passado.
Reviver uma lembrança envolve imagens, sensações, noções de espaço e até emoções. Mesmo sem estímulos visuais à frente, os olhos parecem participar ativamente desse processo.
O que os pesquisadores observaram
Para chegar a essas conclusões, os cientistas acompanharam pessoas que haviam participado de uma visita guiada a um espaço com obras de arte e instalações.
Dias depois, elas foram convidadas a relatar tudo o que lembravam da experiência, olhando apenas para uma tela em branco.
Ainda assim, pouco antes de cada detalhe surgir na fala, os olhos se movimentavam mais, como se estivessem antecipando a lembrança.
Após esse momento, havia uma breve pausa nos movimentos, antes que o cérebro buscasse a próxima memória.
Por que essa descoberta importa para a saúde do cérebro
A memória autobiográfica costuma ser uma das primeiras funções afetadas em doenças neurológicas, como a demência.
Entender como o cérebro acessa essas lembranças pode ajudar, no futuro, a identificar sinais precoces de alterações cognitivas.
Além disso, os movimentos dos olhos são naturais, não invasivos e fáceis de observar.
Por isso, podem se tornar uma ferramenta complementar aos testes tradicionais de memória, ajudando a acompanhar a saúde do cérebro ao longo do tempo.
Aplicações que vão além da demência
Os pesquisadores também destacam que esse tipo de análise pode ser útil em outras condições, como o transtorno de estresse pós-traumático.
Nesses casos, lembranças visuais costumam surgir de forma intensa e repetitiva, envolvendo redes do cérebro ligadas à percepção e à memória.
Observar como os olhos se comportam durante essas recordações pode ajudar a avaliar se determinadas intervenções estão conseguindo reduzir o impacto dessas memórias intrusivas e melhorar a forma como o cérebro processa experiências passadas.
Mais do que um simples reflexo, os movimentos dos olhos parecem fazer parte do próprio mecanismo de lembrar. Eles acompanham a reconstrução das experiências e ajudam a organizar imagens mentais, sensações e contextos.
O estudo, publicado na revista científica Cognition, reforça que observar esses sinais sutis pode abrir novos caminhos para entender como a memória funciona.
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