O exercício que pode mudar o transtorno do pânico

Quem convive com transtorno do pânico costuma prestar atenção excessiva às reações do próprio corpo. Um coração acelerado, uma respiração mais curta ou uma sensação de tontura podem ser interpretados como sinais de que algo grave está prestes a acontecer.

Esse medo constante das sensações físicas acaba alimentando novas crises e limita atividades do dia a dia.

Um novo estudo trouxe uma abordagem diferente para lidar com esse problema. Em vez de evitar essas sensações, a proposta foi expor o corpo a elas de forma controlada, segura e com acompanhamento profissional.

O caminho escolhido foi o exercício físico intenso, feito em intervalos curtos.

Como o estudo foi conduzido

O estudo acompanhou adultos com transtorno do pânico que não faziam uso de medicamentos e não tinham o hábito de se exercitar. A ideia foi comparar duas abordagens diferentes para lidar com os sintomas:

  • Exercício físico intenso e supervisionado, com caminhhadas intercaladas por breves períodos de corrida, realizados em ambiente controlado.
  • Sessões de relaxamento muscular, uma técnica comum no tratamento da ansiedade.

As atividades aconteceram ao longo de alguns meses.

Depois disso, os pesquisadores voltaram a entrar em contato com os participantes para verificar se os efeitos se mantinham ao longo do tempo.

Menos crises e efeito mais duradouro

As duas abordagens ajudaram a reduzir os sintomas do transtorno do pânico. No entanto, os benefícios foram mais claros entre as pessoas que praticaram o exercício intenso.

Nesse grupo, houve:

  • menos crises ao longo do tempo;
  • redução mais expressiva dos sintomas do transtorno do pânico;
  • melhora mais consistente mesmo meses após o fim das atividades.

Outro ponto importante foi a saúde emocional.

Quem participou do programa de exercícios também apresentou uma melhora maior nos sintomas depressivos em comparação com o grupo que fez apenas relaxamento.

Por que o exercício funciona nesse caso

Durante o exercício intenso, o corpo reage de forma parecida com o que acontece em uma crise de pânico. O coração acelera, a respiração muda e o organismo entra em estado de alerta. A diferença está no contexto.

No exercício, essas sensações acontecem em um ambiente seguro, previsível e controlado. Com o tempo, o cérebro aprende que essas reações não representam um perigo real.

Essa nova forma de interpretar os sinais do corpo tende a se repetir fora do treino, ajudando a reduzir o medo, a intensidade e a frequência das crises.

Um apoio ao tratamento, não um substituto

Os pesquisadores reforçam que o exercício não substitui acompanhamento médico ou psicológico.

Ainda assim, ele pode funcionar como um aliado importante no tratamento do transtorno do pânico, com a vantagem de também trazer benefícios para a saúde física e mental.

O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Psychiatry.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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