A pressão alta pode ter uma origem que vai além do coração

Por muito tempo, a pressão alta foi atribuída quase exclusivamente ao coração, aos rins e aos vasos sanguíneos. No entanto, um novo estudo indica que o cérebro também pode ter um papel direto nesse processo.

A pesquisa mostra que a relação entre pressão alta e cérebro é mais próxima do que se imaginava e ajuda a entender mecanismos que podem estar envolvidos em casos de hipertensão associados a alterações na respiração.

Publicado na revista Circulation Research, o estudo identificou uma área específica do tronco cerebral envolvida no aumento da pressão arterial.

A descoberta aponta novos caminhos para o tratamento da hipertensão e levanta hipóteses importantes para grupos como pessoas com apneia do sono, em quem esses circuitos podem ser ativados com mais frequência.

Uma região antiga do cérebro entra em cena

Os pesquisadores analisaram a chamada região parafacial lateral, localizada no tronco cerebral — uma das partes mais antigas do cérebro, responsável por funções automáticas como respiração, batimentos cardíacos e digestão.

Até então, essa região era conhecida por atuar na respiração forçada, como ao tossir, rir ou fazer esforço físico, quando os músculos do abdômen entram em ação para expulsar o ar.

Quando respiração e vasos sanguíneos se conectam

O estudo mostrou que essa área do cérebro não atua apenas na respiração. Ela também se comunica com nervos que controlam a contração dos vasos sanguíneos.

Quando esses vasos se contraem, o espaço para a passagem do sangue diminui, fazendo a pressão arterial subir.

Em testes experimentais, os pesquisadores observaram que essa região fica mais ativa em situações de hipertensão.

Ao reduzir sua atividade, a pressão caiu e voltou a níveis considerados normais.

Esses resultados ajudam a explicar a ligação entre pressão alta e cérebro, especialmente em pessoas com alterações na forma de respirar.

Padrões respiratórios que exigem maior esforço do abdômen podem estimular esse circuito cerebral, algo que nem sempre é levado em conta na avaliação clínica.

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Um novo alvo para tratar a hipertensão

Agir diretamente no cérebro com medicamentos é complicado, porque esses remédios acabam afetando várias áreas ao mesmo tempo. Por isso, os cientistas procuraram um caminho mais simples e seguro.

Eles descobriram que a região do cérebro ligada à pressão alta é acionada por sinais que vêm dos corpos carotídeos, pequenas estruturas no pescoço que funcionam como sensores de oxigênio no sangue.

Quando esses sensores ficam muito ativos, enviam alertas constantes ao cérebro, que responde contraindo os vasos sanguíneos e elevando a pressão.

A nova estratégia em estudo é reduzir essa “mensagem excessiva”. Assim, o cérebro recebe menos estímulos e a pressão arterial tende a cair, sem que o remédio precise agir diretamente no cérebro.

Impacto para quem tem apneia do sono

A descoberta pode ser especialmente relevante para pessoas com apneia do sono.

Durante as pausas respiratórias noturnas, os corpos carotídeos são ativados repetidamente, o que pode ajudar a explicar por que a hipertensão é tão comum nesse grupo.

Ao controlar essa via, os pesquisadores acreditam que será possível melhorar tanto o controle da pressão arterial quanto a qualidade do sono.

O que essa descoberta muda na compreensão da pressão alta

Ao revelar uma nova conexão entre respiração, cérebro e vasos sanguíneos, o estudo amplia a compreensão da hipertensão e reforça a importância de enxergar o organismo como um sistema integrado — e não como órgãos isolados.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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